
A Redenção do Magnata
Capítulo 3
Alice Mendes
Estou sentada na mesa quando Catarina chega me cutucando e como sempre cheia de energia.
- Amiga, você está de dieta por acaso? Quer ficar ainda mais gostosa para o novo patrão? - diz com aquela cara safada de sempre e me dá uma piscadinha, rindo. Essa minha amiga não tem jeito. Mas eu a amo. Cata era linda, cabelos castanhos e longos, olhos também castanhos, pele branca e lisa, um pouco mais alta que eu. Tinha o corpo perfeito, com muitas curvas e tudo em seu devido lugar.
- Não diga bobagem, só me distraí com o contrato do novo fornecedor. Não pode ter nenhum erro - respondo, revirando os olhos. Ela adora me provocar.
- Claro, senhorita certinha - Cata comenta, soltando uma gargalhada.
Reviro os olhos mais uma vez. Catarina é uma figura. Conheci-a na empresa, quando ainda trabalhava como recepcionista, função que ela mantém até hoje. Logo fui promovida à presidência, trabalho que amo de verdade. Como morava longe do hotel, precisava sair muito cedo de casa. Um dia, Cata perguntou se podia dividir o apartamento comigo. Aceitei sem pensar duas vezes, e desde então nossa convivência deu super certo. Somos parecidas em muitas coisas, menos quando o assunto é relacionamento.
Ela é namoradeira, não perde uma oportunidade, já perdi as contas de quantos namoros ou ficadas teve. Eu, em compensação, ainda sou virgem, mal beijei na boca. É claro que ela adora me irritar com isso, mas sempre fui firme em minha decisão: quero esperar. Quero ter certeza de estar pronta e com a pessoa certa. Cata me apelidou de "senhorita certinha" - a que nunca faz nada errado - e talvez ela tenha razão. Aprendi assim com as freiras do orfanato, e isso moldou quem eu sou hoje.
Ela estala os dedos diante de mim e percebo que estava perdida em devaneios, como sempre. Desligo o computador, pego a bolsa e saímos juntas para o almoço.
- Vamos logo, as meninas estão nos esperando lá embaixo - Catarina me apressa, mandona como sempre, mas de coração enorme.
- Vocês já poderiam ter ido, eu iria depois.
- Imagina se eu te deixaria para trás. Você é minha bestie do coração - fala, dramática, colocando a mão sobre o peito.
- Mas eu estava ocupada, amiga.
- Sempre está, né? Nenhuma novidade. - Revira os olhos, e rimos juntas.
No restaurante, nos sentamos à mesa de sempre e logo chegam as primeiras provocações.
- Alice, conta pra gente, quando o bonitão chega? - pergunta Mariana, do Recursos Humanos, curiosa.
- Sosseguem. Ele será o novo presidente, então apaguem esse fogo. Chega na próxima segunda-feira, é só o que sei - respondo sem dar muita atenção. Esse tipo de comentário me irrita, ainda mais porque ouvi que ele é comprometido.
- Ele está noivo, será que ela vem com ele? - Mariana insiste. - Fiquei sabendo que foram embora juntos para estudar, noivaram e planejam se casar quando voltarem.
Suspiro. Esse almoço será só sobre meu futuro chefe?!
- O que o senhor Edgar me pediu foi para acompanhá-lo em todos os compromissos, inclusive almoços e jantares. Ele ficará encarregado dos contratos por enquanto - explico, bebendo um gole do meu suco de laranja.
- Então você vai acompanhá-lo em tudo. Se precisar de uma assistente, pode me chamar! - Catarina diz, piscando o olho. Todas caem na risada.
- Nunca chamaria você, Cata. Não daria sossego pro chefe.
- Credo, amiga! Fala mal de mim na frente de todo mundo. - Ela faz cara de choro, arrancando mais gargalhadas.
Almoçamos rapidamente, já que eu precisava voltar para revisar o contrato e, depois, acompanhar a reunião do conselho.
De volta à empresa, termino o contrato e o envio ao senhor Edgar. Em seguida, preparo a sala para a reunião. A pauta principal é a escolha do vice-presidente. Após muito debate, decidem pelo senhor Alberto Almeida, funcionário experiente, com anos na empresa e profundo conhecimento da área administrativa. Ele será peça essencial no apoio ao novo presidente.
O expediente finalmente termina. Exausta, corro para casa. Entro em meu quarto, tiro os sapatos, jogo a roupa no cesto que fica ao lado da porta e vou direto para o banho. A água quente relaxa meus músculos e leva o peso do dia. Revigorada, visto um pijama confortável e sigo para a cozinha, onde encontro Cata.
- Chegou tarde, amiga - ela comenta, enquanto mexe as panelas.
- A reunião se estendeu mais do que o normal. Depois de muito debate, decidiram que o vice-presidente será o senhor Alberto Almeida - explico, sentando-me na banqueta da pequena ilha na cozinha.
- Ele parece ser um bom candidato e lindo- ela comenta, abrindo uma garrafa de vinho. Realmente, o senhor Alberto é um homem muito bonito e charmoso, com seus 1,85 de altura, cabelos castanhos claros, quase loiros e olhos azuis, o típico galã de novela.
Segunda-feira é o dia do vinho aqui em casa, uma tradição nossa, que adquirimos.
- Sim, ele conhece bem a empresa e pode viajar para os outros hotéis.
- Até porque o senhor Oliver está fora há mais de dez anos e não voltou nem para visitar os pais - lembra, servindo duas taças.
- Exatamente. Por isso o senhor Edgar queria alguém de confiança para apoiá-lo em tudo. - Tomo um gole do vinho e, mudando de assunto, lanço a ideia: - Você devia se candidatar à vaga de secretária. A prova é tranquila, e eu posso te ajudar a estudar.
- Será que consigo? - Ela me olha com um pouco de dúvida.
- Claro que sim. Conhece o hotel melhor do que muita gente que está lá há anos.
Ela sorri animada, já sonhando em ser a nova assistente.
- Então amanhã mesmo vou ao RH entregar minha inscrição. Imagine só, nós duas trabalhando juntas ao lado dos bonitões da empresa. - Suspira, rindo.
- Para com isso, menina! Vamos jantar.
Nosso prato favorito já está pronto: macarrão com molho vermelho de carne e vinho. Sentamos à mesa, brindamos e damos início ao ritual da nossa segunda-feira. Muitas risadas, uma comida deliciosa e apenas uma taça para mim - mais que isso, acordo com dor de cabeça. Sou muito fraca para bebidas!
E assim termina mais um dia. Amanhã será ainda mais corrido.
Como tem sido ultimamente. Estamos à espera do nosso novo presidente.
Você pode gostar





