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Capa do romance A Redenção do Alfa Renegado

A Redenção do Alfa Renegado

Christopher Vilard é um híbrido marcado por um passado sombrio e cruel. Condenado pela própria natureza, o Alfa acreditava que jamais encontraria sua companheira de alma, até que uma profecia inesperada mudou seu destino. O surgimento de Alma Demise, uma humana envolta em mistérios, desafia tudo o que ele conhecia sobre sua existência. Agora, esse encontro improvável promete transformar a vida do renegado em uma jornada de redenção e segredos.
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Capítulo 3

"O monstro em mim despertou

e não desejo que volte a dormir."

Centenas de anos antes...

Há anos surgiram os boatos de que seres das sombras viviam entre nós; vampiros e lobos. Estou perto dos quarenta anos e nunca vi um. Acho a minha vida medíocre, mas não estou completamente infeliz, pois, depois de anos, finalmente encontrei uma companheira disposta a morar em um casebre com um simples criador de cabras que nem minhas eram.

Juliette Williams era o nome dela. Não era a mais bela da vila e eu nem mesmo a amava, mas sentia necessidade de garantir que o nome Vilard continuasse. Talvez seja uma necessidade tola, pois Vilard nem era o nome verdadeiro da minha família, esse nome foi o que meus avôs usaram ao fugir do Reino Goryeo com outras duas famílias para Diamonique, vila onde ainda vivo. A intenção era não perder nossas raízes e unirmos sempre entre os nossos, mas aos poucos alguns morreram e outros fugiram. No fim, só sobrou eu de coreano puro. Eu raramente me misturava com outras pessoas, apenas quando estritamente necessário, sempre foi assim, meus pais me ensinaram que as outras pessoas eram sujas e desnecessárias.

Juliette aceitou o casamento por estar grávida de um canalha que não quis saber dela ou da criança. Para mim tanto faz o filho de outro, só me importa que ela vai ficar disponível para gerar os meus filhos em alguns meses. Mesmo não sendo coreana, era ela que me restava, ou nada. Sei que meus pais estariam revirando no túmulo, mas se revirariam ainda mais se eu não gerasse um herdeiro. É só para isso que as pessoas existem, certo? Nascer, crescer e procriar. É uma ideia que meu eu garoto desprezava, mas aprendi a aceitar.

No casamento não houve festa. Assinamos os papeis e Juliette foi para a nossa casa levando apenas suas roupas.

A primeira noite foi exatamente como imaginei. Claro que eu não esperava que ela fosse chorar comigo dentro dela. A desgraçada devia ser apaixonada pelo homem que a abandonou. A raiva me pegou de tal forma que continuei com mais força até liberar toda minha ira através de um intenso orgasmo.

Satisfeito rolei para o lado e, em poucos instantes dormi, embalado pelos sons de seus soluços.

Os meses passaram e o nascimento do filho bastardo estava acontecendo.

Quando ouvi o choro da criança, algo em minha alma despertou. Talvez um demônio, não sei. No fundo, eu desejava que a criança nascesse morta ou algo assim. Eu precisava dela, mas não precisava do bastardo.

A parteira veio até a mim com um embrulho nos braços.

— É menina. Quer segurar? — estendeu o embrulho que se mexia levemente.

Sentindo asco, me afastei e fui cuidar de “comemorar” em uma taberna com muito vinho. Finalmente o ventre de Juliette estava livres para os meus herdeiros.

O tempo passava e nada de Juliette engravidar. A menina crescia cada vez mais parecida com o pai e, para completar, Juliette a chamou de Louise, provavelmente para se lembrar de Louis, o bastardo que a abandonou grávida.

Eu via Louise crescendo e a raiva aumentava em meu peito. Toda vez que a menstruação de Juliette chegava eu a culpava e me descontrolava a ponto de surrá-la. Era uma surra mensal que ela receberia até conceber o meu herdeiro. Afinal, qual era o problema dessa meretriz?

Não tenho problema algum em bater em minha mulher. Costumava ter, quando era uma criança, quase matei meu pai com uma paulada quando o peguei batendo na minha mãe. Ai aprendi da pior forma que o errado era eu. Nunca esquecerei suas palavras. “Filho, seu pai estava fazendo o seu papel de marido ao me castigar. Eu errei.” E ela fez o seu papel de mãe ao me surrar até a inconsciência. Não precisei de uma segunda lição para aprender. Observei as atitudes do meu pai, e me espelhei nele. Observei também as atitudes da minha mãe, e não esperei menos da minha mulher.

Agora é minha vez de fazer bem o papel de marido. Juliette não reclama, o que me faz ter certeza que é o certo. Ela não estava fazendo seu papel de esposa, então merecia o castigo.

Mesmo com as surras, Juliette não engravidava. E foi em uma conversa com ela que decidi como lidaria com isso.

— Marido, podemos conversar por um instante? — ela se aproximou enquanto eu descansava de um dia cansativo cuidando dos animais.

— Fale! — disse sem me levantar da cama.

— A Louise vai entrar na idade de se casar em poucos meses. — Ela fez uma pausa. — Gostaria de levá-la a cidade para conhecer os meus pais e encontrarmos um bom homem para se casar com ela.

— Encontrar um bom homem indo na casa dos seus pais? — ri. — Não foi lá onde você engravidou de um canalha e teve que casar comigo?

— Não me arrependo de me casar com você. — Podia ver nos olhos dela o quanto sentia rancor. Ela estava de pé, perto da cama. Uma grande mentirosa.

— Claro que se arrepende. Pelo menos isso me deixa feliz, pois quando olho para você só me lembro o tempo em que perdi com alguém incapaz de me dar o que quero.

— Não tenho culpa de não conseguir ficar grávida. Já tentei de tudo. — Me encara elevando o tom.

— É melhor ter cuidado com a forma que fala com seu marido.

— Me desculpe. Não vai mais acontecer.

— É melhor que não. Ou corto sua língua.

Ela começou a se desculpar e a falar o quanto era necessário que a filha fizesse um bom casamento. Mal escutava suas palavras. Enquanto ela falava uma ideia nascia e tomava forma na minha mente. Parece que Juliette vai me dar o quero, mesmo que não seja da forma como planejamos. É isso! A solução é Louise.

— Não se preocupe com isso ou com a sua filha bastarda. Ela não vai se casar com ninguém. Servirá para me dar o que você foi incapaz.

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