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Capa do romance A receita do amor

A receita do amor

Verena é uma médica talentosa que esconde suas habilidades sob uma vida pacata. Há três anos, Isaac a amava intensamente, mas um acidente o deixou sem memórias e em uma cadeira de rodas. Para salvá-lo, ela aceita se casar, enfrentando a rejeição dele, que jura nunca amá-la. Verena não desiste e permanece ao seu lado com determinação. Entre cuidados e persistência, o brilho dela começa a curar as feridas de Isaac, reacendendo uma paixão que ele julgava perdida.
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Capítulo 2

Alec estacou por um momento, parecendo se dar conta de algo. Ele se lembrou de uma conversa com sua mãe anos antes, quando ela mencionou casualmente que Verena nunca havia feito nenhum exame de admissão para a faculdade.

Então um suspiro longo e cansado escapou dos lábios dele. "Se você fosse mais parecida com Kaia, estaria numa situação muito melhor."

Verena nem se deu ao trabalho de responder. O comentário era absurdo o bastante para diverti-la. Eles eram capazes de se lembrar de cada pequena peculiaridade de Kaia, mas quando se tratava de algo tão importante quanto sua própria educação, ninguém nunca se preocupou em perguntar, simplesmente assumindo que, em comparação com a irmã mais nova, ela sempre seria diminuída.

...

A imponente residência da família Willis mais parecia território estrangeiro para Verena. De fato, era bastante estranho para ela pensar que estava entrando pela primeira vez nessa casa, que supostamente era para ser seu lar.

Laura a guiou pelo corredor em direção a um quarto, apresentando o local com a voz solícita e um sorriso reconfortante no rosto. "Se algo aqui não te agradar, basta me dizer, está bem?"

Verena, por sua vez, mantinha um tom neutro. "Está bem, mãe, obrigada."

"Querida, não precisa ser tão formal comigo. Sou sua mãe."

Vendo que Laura permanecia na porta sem dar sinais de sair, Verena perguntou: "Algo mais?"

A história de Laura e Alec no mundo dos negócios e sua ascensão a um lugar na alta sociedade era fruto de anos de batalha, aproveitando cada oportunidade surgida. Ainda assim, eles continuavam sendo considerados novos ricos no seleto grupo, e muitos os viam como meros forasteiros.

A família Bennett, por outro lado, era exatamente oposto — uma dinastia rica, bem conectada e profundamente enraizada num prestígio de longa data.

Evidentemente, quando a prestigiosa família Bennett sugeriu uma aliança matrimonial, Laura nem cogitou recusar. Ela já podia imaginar os benefícios que tal união lhes traria, visualizando todas as portas que isso abriria.

No entanto, com a fatalidade envolvendo o acidente de Isaac, que ficou incapacitado, Laura simplesmente não conseguia imaginar sua preciosa filha caçula como esposa dele. Foi então que ela decidiu trazer a filha mais velha para viver na mansão com eles.

Por um breve momento, ao encarar o olhar sereno e inabalável de Verena, Laura não pôde deixar de sentir uma ponta de culpa. Mas o fato era que ela não tinha acompanhado a criação da filha e, consequentemente, não havia um vínculo real entre elas. Então, embora sua culpa fosse genuína, o distanciamento entre ambas prevalecia.

Talvez como uma forma de amenizar a própria culpa, Laura dizia a si mesma que esta era uma oportunidade única para Verena. Levando-se em conta que era uma garota criada num lugarejo remoto e pouco desenvolvido, que não ia bem na escola e agora trabalhava como médica numa cidade pacata como Trisas, ela só poderia se beneficiar ao se casar com um membro da família Bennett. Incapacitado ou não, Isaac representava riqueza, conforto e segurança. Que jovem não iria querer isso?

"Bem, você precisa descansar um pouco agora, Verena. Há alguém que quero que conheça hoje à noite, então vou apresentar vocês."

Verena tampouco precisava perguntar, pois tinha certeza de que a tal pessoa era Isaac. Afinal, ela já tinha lido online sobre o acidente dele. Realmente, esperar algo diferente desses pais tinha sido uma grande tolice. Esse pensamento a fez querer rir e menear a cabeça ao mesmo tempo. Era verdade que filhos que cresciam se sentindo mais como um pensamento tardio aprendiam a carregar tanto a amargura quanto a resignação.

"Está bem", Verena assentiu simplesmente, embora sua concordância não tivesse nada a ver com as expectativas de Laura. Ela tinha vindo para Shoildon com apenas um propósito em mente — Isaac Bennett. Um pensamento silencioso cruzou sua mente, imaginando como ele poderia estar nesse momento.

Os lábios de Laura se curvaram ligeiramente diante da falta de resistência de Verena. "Ótimo. Procure descansar um pouco, então. Vou te deixar em paz."

Quando estava prestes a sair, ela se virou uma última vez para Verena e disse: "Quando você o vir esta noite, se alguém perguntar sobre sua escolaridade, diga que se formou na Faculdade de Medicina de Acorith com um mestrado. Não se preocupe com a possibilidade de eles descobrirem o contrário — eu cuidarei disso."

Tão logo a porta se fechou, Verena se esticou na cama. Erguendo a mão direita, ela notou o leve tremor dos seus dedos.

Seis dias haviam se passado desde o fatídico momento em que ela não foi capaz de salvar a vida de Shawna na mesa de cirurgia. O bisturi escorregou, e sua mão direita não parou de tremer desde então. Para um cirurgião, um tremor como esse era o caminho mais certo para a ruína.

A mente de Verena permanecia em turbilhão até que o sono finalmente veio, puxando-a para um sonho inquietante.

Em outro cômodo da casa, Kaia estava deitada relaxadamente no sofá, a tela do celular se iluminando com mensagens num grupo de bate-papo. Todos queriam saber — sua irmã era bonita?

A pergunta azedou instantaneamente o humor de Kaia. Chamar Verena de bonita parecia um eufemismo, pois sua beleza era tão impactante que tinha o poder de manter os olhares cativos, mesmo quando usava roupas simples. Sua pele era sedosa e sem máculas, quase refinada demais para alguém que havia passado anos num lugarejo remoto.

Na verdade, Kaia se sentia como uma mera coadjuvante ao seu lado — doce e inofensiva, mas absolutamente sem graça.

As perguntas repletas de curiosidade continuavam chegando, então Kaia finalmente digitou de volta. "Ela é normal, não é feia."

Claro que ela sabia que a resposta era uma mentira descarada, mas as palavras escaparam instintivamente.

Até o momento, todos em Shoildon vinham escutando rumores sobre o casamento iminente entre as famílias Bennett e Willis.

Os jovens ricos da cidade estavam curiosos sobre a futura mulher com quem Isaac — um homem que outrora tinha sido uma promessa incomparável — estava prestes a se casar.

Diante da resposta morna de Kaia, o grupo ficou em silêncio. Não era feia... Bem, esse era o tipo de resposta que insinuava que a mulher em questão era, no máximo, comum. Pobre Isaac...

Entre os que liam as mensagens trocadas estava Bobby Bennett, o irmão mais novo de Isaac.

Um xingamento afiado escapou dos seus lábios e ele se virou para sua mãe, Danica Bennett. "Entendo que as pernas do meu irmão não estão na melhor forma, mãe... mas você precisa arranjar uma mulher qualquer para ele? Kaia está dizendo que a irmã dela não é exatamente o que se pode chamar de atraente."

O comentário atingiu Danica com uma dor surda. Como qualquer mãe, era evidente que ela desejava que o filho tivesse um casamento digno.

Ainda assim, a condição de Isaac ia muito além das suas pernas inabilitadas. Certos aspectos da sua saúde relacionados à masculinidade tinham sido danificados. Como matriarca da família Bennett, ela não podia permitir que rumores sobre a vida privada do filho saíssem do controle. Assim, o caminho mais seguro era escolher uma noiva que não representasse uma ameaça — Verena Willis, a filha mais velha da emergente família Willis.

"Bem, esta é minha decisão, e você não tem nada que se intrometer nisso", ela retrucou, mascarando suas emoções com um tom frio.

A mandíbula de Bobby se contraiu de raiva, mas ele não disse mais nada.

Imperturbável, Danica se afastou e começou a subir a escada, desinteressada em acalmar o temperamento do filho.

Laura tinha acabado de enviar uma mensagem para ela, pedindo que organizasse um encontro entre Verena e Isaac para essa noite.

Ao entrar no quarto mal iluminado de Isaac, Danica caminhou decididamente até a janela e abriu as cortinas sem qualquer hesitação, permitindo que a intensa luz do dia inundasse o piso, afastando a penumbra.

Isaac estava deitado na cama, seus olhos sombreados e fixos num ponto, seus traços tão bem definidos como sempre.

Vendo que ele estava acordado, Danica falou num tom franco. "Você tem um encontro com uma jovem esta noite. E vai se casar com ela."

"Se esse é o plano desde o início, por que perder tempo com um encontro? Basta marcar o casamento e pronto", Isaac respondeu num tom indiferente.

Um misto de compaixão e silenciosa indignação obscureceu o olhar de Danica. Ninguém fora da família sabia que o acidente tinha tirado não apenas a saúde de Isaac, mas também a vida do marido dela. Com o filho nesse estado, ela não se atrevia a anunciar a morte do marido, temendo que isso pudesse abalar a estabilidade da empresa.

"Não dificulte as coisas para mim com isso. Acontece que a boa educação pede que você a conheça primeiro."

Quando ela deixou o quarto, as sombras pareciam se fechar ao redor de Isaac novamente. A dor e o desprezo por si mesmo obscureciam seus olhos. Na sua mente, a morte do seu pai era um farto que teria que carregar até o fim da vida.

Quando o crepúsculo se instalou, Verena foi despertada por algumas batidas leves na porta.

Entrando sem pedir licença, Kaia disse num tom que oscilava entre uma alegria forçada e uma condescendência quase transparente: "Você está prestes a se casar com um membro da família Bennett, Verena. Meus parabéns. Eles são a família mais proeminente de Shoildon."

Os anos passados no exterior estudando haviam aguçado os instintos de Verena.

Se tinha uma coisa que ela podia perceber nas palavras de Kaia, era a evidente falta de sinceridade, pois bastava um olhar para saber que sua irmã mais nova não gostava dela.

Sem dizer uma palavra, Verena continuou dobrando o cobertor, esperando pacientemente para ouvir o que mais Kaia tinha para lhe dizer.

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