
A Promessa Quebrada: O Abandono no Hospital
Capítulo 3
O telefone tocou de repente, era um número desconhecido.
Atendi, e uma voz feminina ansiosa soou.
"É a esposa do Sr. Pedro? Ele está aqui no bar, bebeu demais e está a causar problemas. Pode vir buscá-lo?"
Olhei para o relógio na parede. Eram duas da manhã.
O Leo ainda estava a dormir, a sua respiração finalmente estável.
"Desculpe, não posso ir. Pode chamar a polícia ou mandá-lo para casa de táxi."
"Mas ele está a gritar o nome de uma mulher chamada Sofia, ele não nos deixa tocar-lhe. Ele disse que se não a chamarmos, ele vai partir tudo."
Fechei os olhos. Claro que era a Sofia.
"Então liguem para a Sofia. Eu não sou a pessoa que ele quer ver."
Desliguei o telefone e bloqueei o número.
A minha calma surpreendeu-me. Talvez quando a desilusão atinge o seu pico, não resta mais nada.
Sentei-me na cadeira ao lado da cama do Leo, a segurar a sua pequena mão.
Ele era tudo o que eu tinha agora.
Passei a noite inteira a velar por ele.
Na manhã seguinte, o médico veio fazer a ronda.
"O seu filho teve sorte. A hemorragia cerebral parou, mas ele ainda precisa de ficar em observação. A senhora também precisa de cuidar de si, parece muito fraca."
Agradeci ao médico, o meu coração finalmente sentiu um pouco de alívio.
Nesse momento, a porta do quarto foi aberta com força.
O Pedro entrou, com cheiro a álcool e com uma expressão zangada.
Atrás dele estava a minha sogra, a Clara, com uma cara cheia de desaprovação.
"Ana! O que se passa contigo? O Pedro estava a beber por tua causa e tu nem sequer atendeste o telefone? Queres que aconteça alguma coisa ao meu filho?"
A Clara apontou para o meu nariz e gritou.
Eu olhei para ela, e depois para o Pedro, que estava a evitar o meu olhar.
"Ele estava a beber por minha causa? Ou por causa da Sofia?"
A minha voz era calma, mas fria.
O rosto do Pedro mudou.
"Não fales disparates. A Sofia e eu somos apenas amigos."
"Amigos? Amigos que precisam que fiques com eles durante um ataque de pânico enquanto o teu filho está a lutar pela vida no hospital?"
A minha calma pareceu irritá-los ainda mais.
"Como te atreves a falar assim com o Pedro?" A Clara interveio, protegendo o filho. "A Sofia é uma rapariga frágil, ela precisa de cuidados. O Leo não está bem aqui? És tão egoísta, só pensas em ti mesma."
Egoísta.
Eu, que quase morri no acidente, que passei a noite inteira a cuidar do meu filho, era egoísta.
Senti vontade de rir.
"Sim, sou muito egoísta. Por isso, Pedro, vamos divorciar-nos."
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