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Capa do romance A Promessa Quebrada de Pedro

A Promessa Quebrada de Pedro

Maria renasce aos dezoito anos, lembrando-se da promessa de Pedro, seu marido por décadas, de reencontrá-la. Contudo, ao vê-lo na formatura, a ilusão desmorona. Pedro declara amor público à rica Gabi, revelando que sua nova vida foi planejada apenas para conquistá-la. Maria percebe que foi apenas um prêmio de consolação no passado. Livre da farsa e apoiada pela mãe, ela decide abandonar a dor e seguir seu sonho de ser grafiteira em São Paulo, deixando Pedro para trás.
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Capítulo 2

Eu renasci.

Com as memórias completas de uma vida passada, eu acordei neste mundo, no corpo de uma Maria Silva de dezoito anos.

No início, eu estava em pânico, mas a esperança rapidamente tomou conta de mim. Porque se eu renasci, ele também poderia ter renascido.

Pedro Costa.

Meu marido por trinta anos na vida passada. O homem que, no seu leito de morte, segurou minha mão e prometeu com seu último suspiro:

"Mari, se houver uma próxima vida, eu vou te encontrar. Eu juro."

Essa promessa se tornou a única razão da minha existência nesta nova vida.

E eu o encontrei. Ou melhor, eu confirmei que ele também estava aqui. Na nossa vida passada, Pedro era um funcionário público comum, com uma vida estável, mas sem grandes ambições. Nesta vida, o Pedro que eu observei de longe era completamente diferente. Ele era o melhor aluno do seu curso, obcecado por uma área que mal existia na nossa época anterior: Tecnologia da Informação.

Ele estava determinado a entrar na melhor universidade, a conseguir o melhor emprego, a ganhar rios de dinheiro. Era uma ambição que eu nunca tinha visto nele. Essa mudança drástica só podia significar uma coisa: ele também se lembrava. Ele estava construindo uma vida melhor para nós dois.

Hoje, ele finalmente se formaria na faculdade. Hoje, ele voltaria para casa.

Eu olhava para o relógio na parede da cozinha a cada cinco minutos. Meu coração batia descontrolado no peito, uma mistura de ansiedade e uma felicidade que mal cabia em mim.

"Calma, minha filha. Ele já vai chegar," disse minha mãe, Dona Lúcia, enquanto mexia uma panela no fogão. O cheiro do assado que ele tanto amava na vida passada enchia a casa.

Minha mãe nesta vida era a mesma da anterior. Sempre amorosa, sempre me apoiando incondicionalmente, mesmo quando eu estava cega. Na vida passada, ela o adorava, chamando-o de o genro perfeito. Todos os nossos amigos e familiares nos viam como o casal ideal, um amor de conto de fadas que durou décadas.

Ninguém sabia a verdade. Nem mesmo eu, até agora.

Eu sorri para minha mãe, tentando esconder meu nervosismo.

"Eu sei, mãe. Só estou... ansiosa."

Eu me lembrava do nosso último momento juntos. Os bipes da máquina do hospital, o cheiro de antisséptico. Eu segurava sua mão fria, meu rosto molhado de lágrimas.

"Espere por mim, Pedro," eu sussurrei.

"Sempre," ele respondeu, seus olhos já perdendo o brilho. "Na próxima vida... eu vou te compensar por tudo."

E agora, a próxima vida estava aqui. O momento da nossa reunião estava a apenas alguns minutos de distância. Eu imaginei a cena mil vezes. Ele chegaria, seus olhos me encontrariam no meio da pequena festa de boas-vindas que a vizinhança organizou, e ele caminharia diretamente para mim. Todos os anos de espera teriam valido a pena.

O som de um carro parando na rua me fez pular.

"Ele chegou!" alguém gritou do lado de fora.

Meu coração parou. Corri para a janela, espiando pela cortina.

Lá estava ele. Pedro Costa.

Ele saiu do carro do pai, mais alto e mais confiante do que eu jamais me lembrava. O terno da formatura caía perfeitamente em seus ombros largos. Ele não era mais o homem de meia-idade cansado que eu enterrei, mas um jovem no auge de sua força e ambição. Ele estava lindo. Meu peito se apertou com um amor que atravessou a morte.

Vizinhos e amigos o cercaram, dando-lhe tapinhas nas costas, parabenizando-o. Ele sorria, um sorriso largo e carismático que encantava a todos. Seus olhos varreram a multidão, e por um segundo, eu prendi a respiração.

Ele está me procurando.

Ele começou a caminhar, abrindo passagem entre as pessoas. Ele estava vindo na minha direção. Era isso. O momento.

Eu saí de trás da cortina, meu corpo inteiro tremendo. Nossos olhos quase se encontraram.

Mas ele não parou.

Ele passou direto por mim, como se eu fosse uma estranha, como se eu não existisse.

Meu sorriso congelou. A confusão tomou conta de mim.

Ele pegou um pequeno microfone que alguém havia preparado para os discursos. Sua expressão era de pura felicidade.

"Obrigado, obrigado a todos por virem!" sua voz ressoou pela rua. "Hoje é um dia muito especial para mim. Não apenas pela minha formatura, mas porque hoje eu finalmente tenho a coragem de fazer algo que eu deveria ter feito há muito tempo."

Meu coração voltou a bater, forte e esperançoso. Talvez fosse um plano. Uma surpresa.

Seus olhos encontraram alguém na multidão. Mas não eram os meus.

Ele sorriu para uma garota que eu reconheci instantaneamente dos blogs e das primeiras redes sociais. Gabriela Santos, a influenciadora digital mais popular da cidade, filha de uma família rica e influente.

Pedro ergueu o microfone, seu olhar fixo nela.

"Gabi," ele disse, sua voz cheia de uma emoção que eu nunca, em trinta anos de casamento, tinha ouvido. "Desde o primeiro dia em que te vi, eu soube que tudo o que eu fizesse nesta vida seria para um dia ser digno de você. Eu te amo."

O mundo ao meu redor ficou em silêncio. O cheiro do assado vindo da cozinha de repente me deu náuseas.

O som da multidão explodindo em aplausos e assobios foi como um ruído branco, distante e sem sentido.

Eu vi Gabi cobrir a boca, com os olhos cheios de lágrimas de felicidade, enquanto Pedro caminhava até ela e a beijava na frente de todos.

Naquele instante, o universo que eu construí em torno de sua promessa se despedaçou em um milhão de cacos de vidro.

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