
A Promessa do Desenho: O Amor Oculto de William
Capítulo 2
Nancy Dixon olhou para o telemóvel, o ecrã a brilhar no quarto escuro da sua mansão. O último visto de William Gordon tinha sido há duas horas. O seu coração apertou-se. Casados há dois anos, mas pareciam mais estranhos do que marido e mulher.
Ela enviou uma mensagem. "Sinto a tua falta. A casa está tão vazia sem ti."
A resposta demorou, mas chegou. Um único e frio "Ok.".
Nancy engoliu o nó na garganta. Ela sabia que ele estava ocupado, a liderar um projeto de engenharia massivo em Angola, um projeto que o manteria longe por um ano inteiro. Mas a frieza dele era constante, uma parede de gelo que ela nunca conseguiu derreter, nem mesmo depois de anos a persegui-lo desde a universidade.
O telemóvel vibrou novamente. Desta vez, era a sua melhor amiga, Fiona Perry.
"Nancy, estás sentada?"
"Estou deitada. O que se passa, Fi?" A voz de Nancy saiu mais fraca do que pretendia.
"A Juliette Holt. Ela publicou uma foto. Está em Angola. Foi contratada para o projeto do William."
O mundo de Nancy parou. Juliette. A sua colega de curso, a "amiga" compreensiva que sempre a consolava sobre a indiferença de William. A mesma Juliette que, Nancy suspeitava, sempre teve um interesse especial pelo seu marido.
"Nancy? Estás aí?"
"Estou," ela sussurrou, o peito a doer. "Ele não me disse nada."
"Claro que não disse. Aquele idiota nunca te diz nada. Liga-lhe. Exige uma explicação."
Nancy desligou e tentou ligar a William. Caixa de correio. Tentou outra vez. E outra. E outra. Cada tentativa falhada era uma nova facada no seu coração já ferido.
Ela abriu as redes sociais, as mãos a tremer. Encontrou o perfil de Juliette. Lá estava a foto: Juliette a sorrir, com o capacete de engenharia na mão, e ao fundo, inconfundível, a silhueta de William a dar instruções a uma equipa. A legenda dizia: "Primeiro dia em Angola! Tão entusiasmada por trabalhar neste projeto incrível com o brilhante William Gordon."
Lágrimas quentes escorreram pelo rosto de Nancy. Ela lembrou-se de um segredo doloroso que guardava. Na universidade, tinha descoberto uma conta secundária de William, uma conta privada onde ele publicava fotos e pensamentos que não partilhava com mais ninguém. O nome da conta era "Luz Branca da Lua". Durante anos, ela alimentou a fantasia de que essa "lua" era ela. Mas um dia, ele publicou uma foto de uma paisagem urbana e a legenda era uma citação sobre arquitetura, a área de Juliette. O coração de Nancy partiu-se nesse dia, mas ela enterrou a dor, convencida de que o seu amor acabaria por conquistá-lo.
Agora, a dor voltava com uma força avassaladora.
Num impulso de desespero e raiva, ela enviou uma nova mensagem a William. "Vamos divorciar-nos."
Ela esperou, o coração a bater descontroladamente, talvez esperando que ele ligasse, que gritasse, que mostrasse alguma emoção.
A resposta chegou um minuto depois. Um único e devastador "Ok.".
Foi como se o chão se abrisse sob os seus pés. Era isto. Era este o valor do seu amor, da sua devoção, de anos a moldar a sua vida em torno dele. Um simples "Ok.".
Naquele momento, o seu irmão Benjamin entrou no quarto, encontrando-a a chorar convulsivamente. Ele pegou no telemóvel dela, leu as mensagens e o seu rosto endureceu.
"Aquele desgraçado," Benjamin rosnou. Ele fez uma chamada rápida. "Quero saber os detalhes do voo do William Gordon para Angola."
A resposta do outro lado da linha foi rápida. Benjamin ouviu, o rosto a ficar cada vez mais pálido de raiva. Ele desligou e olhou para a irmã com uma pena imensa.
"Nancy... ele não foi num voo comercial."
Ela olhou para ele, os olhos inchados.
"Ele foi no jato particular. O 'Minha Nancy'."
O nome do jato, o presente de casamento dele para ela, o símbolo máximo do seu suposto amor, ecoou na sua cabeça. Ele tinha levado a outra mulher para Angola no avião que tinha o nome dela. A traição era tão profunda, tão simbólica, que o ar lhe faltou. Uma dor aguda atravessou o seu peito, e o mundo à sua volta ficou preto.
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