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Capa do romance A Perfeita Babá Vol. 2

A Perfeita Babá Vol. 2

Ao retornar para casa após as dezoito horas, o cansaço me dominou completamente. Arremessei minhas botas pela sala e me joguei no sofá, exausta pela rotina desgastante. O dia pós-faculdade foi dedicado a uma busca infrutífera por emprego, que se revelou mais desafiadora do que eu antecipava. Com uma forte dor de cabeça e uma frustração crescente, sentia que minhas energias estavam se esgotando de uma forma muito mais intensa que o habitual.
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Capítulo 2

Senti uma pontada no peito. Apesar de as coisas entre nós terem acabado mal, de forma alguma eu queria vê-la passando necessidades. Além disso, ela não parecia estar se alimentando muito bem e imaginar que ela poderia estar passando fome e outras necessidades foi o mesmo que tomar um soco na boca do estômago.

— Luíza? — Liguei para minha secretária.

— Sim, senhor Oliver?

— Quero que ligue na PUC e pague os próximos três meses da mensalidade do curso de Psicologia da aluna Sofia Montenegro. Pode fazer isso?

— Claro, senhor! Farei isso agora!

Depois, liguei para o banco e pedi que transferissem dez mil reais da minha conta pessoal para a de Sofia. Era o mínimo que eu podia fazer por ela e pelos bons momentos que nós dois tivemos.

CAPÍTULO 3 – SOFIA

O dia não podia ter amanhecido pior. Não bastando as dores de cabeça que quase não haviam me deixado pregar os olhos de noite, amanheci completamente enjoada e não consegui tomar nada no café da manhã. Estava começando a suspeitar que eu estava com alguma virose.

Infelizmente, eu não havia conseguido o emprego como camareira, o que só servia para deixar a minha situação ainda mais crítica. Hoje era dia de pagar a mensalidade da faculdade e eu não fazia ideia de como iria explicar a minha situação para o diretor, nem se ele iria entender.

Peguei o ônibus como de costume e, não bastando o aperto, a mistura de perfumes no interior do automóvel me deixou ainda mais enjoada.

Quando desci do ônibus, vi Vanessa chegar de carro com Brian. Eles se beijaram e depois ela desceu do carro, passando pelo portão da faculdade. Era óbvio que o que quer que existisse entre eles, estava sério.

Tentei disfarçar meu incômodo e entrei. Eu simplesmente não conseguia aceitar que minha melhor amiga estivesse namorando um cara como ele. Aquelas marcas no pescoço dela com certeza haviam sido resultado de uma agressão, mas, então, o que ainda a prendia àquele cara?

Logo na entrada senti uma breve tontura e tive que me apoiar em uma parede para não cair.

— Ei, preste atenção por onde anda! — Uma garota protestou passando por mim, depois de eu atrapalhar seu caminho.

— Desculpe — eu disse, sentindo o mundo girar ao meu redor.

— Tudo bem, Sofia?

Fiquei surpresa quando vi Vanessa parada diante de mim. Já havia mais ou menos um mês desde a última vez que havíamos nos falado.

— Sim, eu... eu só fiquei um pouco tonta — respondi, tendo a sensação de que o mundo havia se estabilizado outra vez.

— Tem certeza? Você está pálida...

— Sim, mas obrigada por se preocupar. — Lancei-lhe um sorriso, estava muito feliz por estar simplesmente falando com ela.

— Bem, eu tenho que ir para a aula agora... — ela disse sem jeito, me olhando uma última vez para garantir se eu estava bem e indo para a aula logo depois.

Voltar a falar com Vanessa havia sido um grande passo para retomar nossa amizade e eu passei as horas seguintes pensando sobre isso. Eu realmente queria muito que as coisas voltassem a ser como eram.

No final das aulas, fui até a sala do diretor. Esperava que ele compreendesse a minha situação financeira e me desse mais algum tempo para

pagar a minha mensalidade.

— Em que posso ajudá-la senhorita Montenegro? — Ele me encarou.

— Eu gostaria de pedir ao senhor que me desse um tempo a mais para pagar a parcela deste mês, eu... — tentava me explicar, quando ele me interrompeu.

— Mas, a sua parcela deste mês já foi paga — ele respondeu.

— Como? Mas eu ainda não... Deve ter alguma coisa errada — indaguei, completamente surpresa.

O diretor digitou alguma coisa em seu computador e depois voltou a me

olhar.

— Não, não há erro algum. Aqui diz que não só a parcela deste mês,

como outras duas também já foram pagas.

— O senhor sabe por quem? — perguntei.

— Aqui diz que o dinheiro foi depositado pelo senhor Oliver Beaumont

— ele disse, olhando para a tela do computador.

Senti meu corpo todo congelar. Oliver havia feito aquilo por mim?

Saí da sala do diretor completamente desnorteada. Ainda não conseguia acreditar que, mesmo depois de tudo, Oliver havia pago três parcelas da faculdade para mim e, ao mesmo tempo que isso me surpreendia, também me fazia sentir uma alegria enorme, porque significava que ele, de alguma forma, ainda se importava comigo.

— Ah, Oliver... — sussurrei, deixando que algumas lágrimas rolassem pelo meu rosto enquanto caminhava até o ônibus. — Você é um homem de ouro.

— Ele era e eu soube disso quando me apaixonei por ele.

Como já fazia parte da minha rotina, mais uma vez passei o dia fora procurando emprego. Fora um pastel que havia comprado depois da faculdade, não havia comigo mais nada o dia todo.

O sol estava escaldante e, mesmo exausta, eu não queria desistir de tentar. Tinha esperanças de que, em algum momento, algum emprego bom surgisse.

— Sinto muito, Sofia, mas não estamos precisando de mais vendedoras aqui — a gerente de uma loja de sapatos me dizia.

— Não precisa necessariamente ser emprego de vendedora, o que vocês tiverem aqui para mim está bom — eu disse um pouco cansada. Meu coração batia rápido e eu só estava conseguindo me manter em pé porque estava apoiada na bancada.

— Eu sinto muito, mas realmente não temos nada para oferecer... Comecei a suar frio e não consegui manter o foco na conversa.

— Você está bem? Parece pálida...

— Não estou me sentindo bem... — Senti minhas forças se esvaírem aos poucos e, antes de ir ao chão, a mulher conseguiu me segurar.

— Me ajudem aqui, ela desmaiou! — ela gritou e eu vi quando algumas pessoas se aproximaram para me ajudar. Depois disso, apaguei.

Quando acordei, um flashback veio à minha cabeça. Eu já havia visto aquelas paredes brancas, sentido aquele cheiro de remédio e visto aquelas gotas pingarem lentamente no soro. No mesmo instante eu soube que estava no hospital. Ao lado, vi Vanessa andando de um lado para o outro no quarto. Ela parecia preocupada.

— Vanessa? — murmurei e ela me encarou.

— Finalmente você acordou, Sofia! — Ela se aproximou. — Você já desmaiou por não se alimentar direito uma vez e agora você faz isso de novo?

Era óbvio que ela estava irritada e, por alguns instantes, senti que minha amiga estava de volta.

— Como você me encontrou?

— A vendedora da loja onde você estava pegou seu celular e encontrou meu número na lista de melhores amigos. Depois me disse que iriam te trazer para cá.

— Ainda bem que não atualizei essa lista — brinquei e Vanessa riu.

— Me desculpe Sofia, pela forma como te tratei outro dia. — Ela se referia à discussão que havíamos tido havia algumas semanas sobre Brian.

— Tudo bem, esquece isso. — Toquei sua mão. — O importante é que você está aqui.

— Poxa Sofia, você me prometeu da última vez que nunca mais iria deixar de se alimentar direito. Olha só para você, está magra, abatida...

— As últimas semanas não têm sido nada fáceis — eu disse, tentando justificar a minha situação.

— Eu fiquei sabendo que você e o Oliver terminaram — Vanessa disse, cautelosa. — Mas por mais difícil que seja, você ainda está viva, Sofia! Não pode desistir assim.

— Seria melhor se não estivesse — respondi ríspida, deixando que algumas lágrimas rolassem por meu rosto. Eu não estava mais suportando ter que sustentar tantas mentiras. A saudade que sentia de Oliver era imensa.

— Ei, nunca mais diga isso! — Vanessa me repreendeu, me encarando com firmeza. — Onde está aquela Sofia forte que eu conheço?

— Provavelmente, embaixo de todos esses ossos. — Apontei para mim e nós duas sorrimos.

— É assim que quero te ver daqui para a frente: sorrindo. — Vanessa apertou minha mão.

Logo depois, um médico entrou no quarto.

— Sofia Montenegro?

— Sim?

— Como se sente?

Ele era um senhor de idade e se aproximou do meu leito com uma prancheta em mãos.

— Muito melhor, obrigada.

— Quando você chegou mais cedo, nós fizemos alguns exames para descobrir o que havia acontecido com você e eu estou aqui com os resultados.

— Admito que ultimamente eu não venho me alimentando muito bem, doutor, mas prometo que vou mudar isso.

— Como gestante, você deveria saber que não se alimentar bem pode

ser tão perigoso para você quanto para o bebê.

Virei o rosto e encarei Vanessa, que me olhava com os olhos arregalados.

— Doutor, acho que o senhor se enganou, eu não estou grávida.

— Sim, você está grávida — ele disse com firmeza. — E, pela minha experiência, eu diria que de mais ou menos um mês.

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