
A obsessão dos Vampiros
Capítulo 2
Roseli
Em minha pequena vila, que era do território do reino de Astrid, apesar de pobre, o povo não era nada humilde em termos de espirito. tínhamos uma grande casa de entretenimento para homens e viajantes se hospedarem, e também buscarem sua diversão. E, para as mulheres restavam uma igreja quase do mesmo luxo que o bordel. Embora a casa dos fiéis estivesse sempre suja e com ratos andando no meio das ruas, a igreja era sempre bem limpa. Afinal, a casa do senhor que tinha sempre ouro e uma reforma feita a cada dois meses e uma limpeza diária. Francamente, o lugar era até melhor que muita casa.
Eu, seguia com minha rotina após fazer uma breve ceia ao lado de meu pai que estava sozinho em casa, pois seus queridos filhos homens só vinham para saber de sua saúde pois queriam que ele no fim batesse logo as botas para pegar toda herança. E eu como sua filha mulher já estava satisfeita que não herdaria nada. Mas, isso seria um assunto para outro momento. O fato era que, coloquei meus cabelos para trás feito em uma trança mal feita, peguei uma grande cesta feita de palha seca e fui nas casas onde eu já havia sido chamada, sabia que tinha roupa para lavar. Pelo menos era esse meu objetivo. Tomando cuidado para não pisar em fezes de cavalo e de gente que derramam os dejetos no meio das ruas em meio a cadáveres de ratos e pequenos animais como gatos e ratos, fui passando em casa e casa pegando as pequenas trouxas. Havia uma casa em especial, que eu gostava de ir, de uma certa senhora que tinha cabelos grisalhos. ela era gentil, embora tivesse seus defeitos.
— Obrigada dona Margô.
A última casa era dela, uma senhora viúva, dona Margô. a velha mais fofoqueira que eu tive o desprazer em conhecer, embora sua má fama. ela havia sofrido muito. dizem que seu marido era um lobisomem, ela era muito sozinha,— todos os filhos que ela teve na juventude nasceram mortos, isso era muito triste —e também diziam que era um milagre ela continuar viva Mas, por um lado era bom ter amizade com ela, ter uma amiga fofoqueira era bom para saber tudo que estava acontecendo por aquele pequeno vilarejo.
— Ah ''Rosê''— Ela insistia em falar meu nome em tom errado — Já está sabendo? dizem que tem um homem muito bonito na casa do pecado.
— Dona Margô, todos os homens que andam lá são bonitos.
Mentira, nem todos, mas a quantidade de moedas de ouro em seus bolsos sim.
— Não, não, mas esse é diferente.
Ela puxou meu braço para mais perto dela e começou a falar baixinho.
— Diferente como? ele é rico?
Um duque talvez de viagem, seria bom tentar arrumar um emprego no palácio comesse tipo de homem.
— Isso também conta, mas estou falando dos cabelos dele. Ele tem uma pele branca como uma porcelana tão delicada, e os cabelos vermelhos na cor de sangue.
Cabelos vermelhos? Esse detalhe acabou de atiçar a minha curiosidade. Eu sabia que era praticamente impossível ser a mesma pessoa, mas nunca tinha visto alguém de cabelos vermelhos além dos meus sonhos.
— Dona Margô. eu vou deixar essa cesta aqui. e vou... ver um pouco
Me despedi dela por um breve instante, segurei na saia de meu vestido levantando um pouco para que eu não tropeçasse nela durante a minha caminhada, e fui seguindo caminho pelos becos até chegar na grande casa, a qual tão grande tinha dois andares. Havia uma carruagem estacionada em frente, com dois cavalos pretos, todos de uma boa raça — era visível pela sua pelagem brilhante que eram bem tratados — e essas pessoas de certo não eram daqui, talvez fossem nobres do reino. Os cavalos tinham até mesmo um cheiro agradável, e seus pelos pareciam macios, não resisti e ergui a mão até a cabeça do animal.
— Ele gosta de você.
A voz, tinha um tom calmo. que me tocou até a alma me causando arrepio em todo corpo. era como se tivesse ficado petrificada por breves segundos. aquela voz era a mesma de meus sonhos, me era familiar, me trazia conforto ouvir novamente e tão audível assim de perto. movi a cabeça bem devagar até conseguir vê-lo ao lado de meu ombro direito que estava se aproximando, pondo a mão sobre a cabeça do cavalo, Ele olhava para minha mão enquanto fazia carícias no animal.
— Pela sua aparência, cheiro de bosta e o estado de suas belas mãos, dá para ver que não trabalha neste estabelecimento.
''Sua aparência''? ele estava me chamando de feia?
Mas, espera...
Aquela aparência, aqueles olhos. Aquela voz, meu coração acelerou forte naquele instante em que eu o olhava. podia sentir um calor se espalhar em todo meu corpo. e um rubor de certo cobria as maçãs de minha face, recolhi ambas as mãos sobre meu peito. Aquele homem, aqueles lábios, cabelos, olhos verdes. Ele era real?
— O que foi?
Eu não conseguia parar de olha-lo., muito menos dizer alguma coisa. estava abismada em meus pensamentos. como podia ser? eu sonhar com aquele homem que nunca havia visto em toda minha vida. Mas, eu tinha que falar alguma coisa, ao menos cumprimenta-lo. O vi revirar os olhos e tocar mais uma vez na cabeça do cavalo.
— Foi uma boa conversa. Nos veremos em breve.
Ele simplesmente passou por minha pessoa, exalando aquela postura de poder, superioridade e sensualidade. Minha face corava ainda mais e nem sabia como reagir a aquilo. minha única vontade agora era de me enfiar em um buraco com tanta vergonha. Mas, eu tinha de ir para o rio lavar roupa, e pensar no que eu havia feito. Droga Roseli! pense.
Antes do meio-dia, era a hora perfeita para se lavar roupa em uma terra onde o sol mal aparecia, para poder estendê-las e assim secarem com mais facilidade e poderem ser utilizadas. Afinal, o inverno estava chegando, e precisavam de muita roupa seca para esse período. Eu não sabia se iria de fato conseguir ainda mais com minhas mãos tão doloridas. O rio ficava perto de uma vegetação densa, quase uma floresta, mas na verdade a floresta ficava bem mais a frente. E eu olhava o pequeno movimento de pássaros, borboletas e pequenos insetos e anfíbios que se locomoviam por ali.
Porém, por um instante o que se moveu não era nem inseto e nem anfíbio. Era ele, aquele homem, o homem literalmente de meus sonhos. A minha face se esquentou novamente e então vi, ele estava do outro lado do rio, entrando na vegetação. Não sabia como ele havia atravessado sem ter passado por mim, pois estava perto de uma pequena ponte que dava ao outro lado. Eu não parava de olhá-lo, só queria saber mais sobre ele, então, deixei as roupas dentro do cesto novamente e fui subindo sobre a ponte estreita e segui caminho até chegar ao outro lado.
Fui pisando cuidadosamente, seguindo a imagem dele, até que em certo momento eu havia o perdido de vista, era como se ele tivesse simplesmente virado fumaça. Comecei a pensar que eu estava ficando louca. havia ficado tão fascinada por ter visto de fato aquele homem tão similar ao de meus sonhos que agora estava o vendo em alucinações?
— ''Roseli''
A voz mais uma vez, e estava atrás de mim. não me movi, me questionava como ele sabia meu nome. Talvez tenha ouvido os aldeões conversando comigo, afinal eu era conhecida, todos na vila me conheciam, A filha do fazendeiro que não se casou, a que preferia trabalhar a se casar.
— Fiquei intrigado com a sua coragem em me seguir, não pensei que fosse tão fácil atraí-la até mim. Mas, também fiquei impressionado com seu olhar, e seus batimentos quando me viram. Eu já vi mulheres se encantarem por mim, não me considero um homem feio, mas você me olhou de uma maneira... parecia que estava feliz em me ver.
Ele começou a caminhar em minha volta com as mãos para trás do corpo, e eu ainda assim não sabia o que dizer.
— Além do fato que: a senhorita me seguiu nessa densa vegetação.
Me senti disposta em começar a falar a verdade, que sonhei com ele.
— Sim, eu o fiz por...
— És louca?
Ele me interrompia e continuava a andar em minha volta.
— O que? Não!
— A senhora não me conhece e mesmo assim me seguiu. E se eu fosse um estuprador? Não tem certeza que eu não seja um assassino.
.— E por acaso o senhor faz alguma dessas coisas?
— Não, eu nunca fiz tamanha violência, a de violar o corpo de alguém. Acho horrendo isso. esse crime não levo pro inferno.
Com aquelas palavras, cruzei os braços abaixo dos seios. deduzi então que ele já tenha matado, Mas agora que estávamos conversando e eu podia sentir que o conhecia de certa maneira, o confrontei.
— Então já matou?
— Matar para saciar a fome não deve ser considerado um crime.
— Mas eu não estou falando de matar cabrito e gado.
Ele veio bem devagar, tornando seu corpo mais próximo de mim. E eu não sabia como reagir, apenas senti sua presença e sua mão coberta com aquela luva tocando meu queixo e erguendo para cima, para que meu olhar ficasse direcionado ao seu.
— Nem eu, minha bela donzela de lábios carnudos.
O que era aquilo que eu sentia? Aquele seu olhar, me fazia sentir algo estranho em meu peito, meu coração acelerava. batimentos, respiração mais intensa e meu corpo todo ficava quente, era um tipo de febre?
— ''Roseli''
Novamente ele dizia meu nome, em seus lábios pareciam até um tipo de doce.e eu gostava quando ele repetia meu nome.
— S-sim?
— Qual a razão de seu olhar ser assim para mim?
Não, não tinha como eu simplesmente lhe dizer que sonhava com ele. aquele homem, era maior que eu, mais forte que eu. não sabia como poderia reagir, mas estava tão frágil a sua presença que nem sabia se sentia medo ou até mesmo um tipo de desejo.
— Eu... Bem.
— A senhorita é algum tipo de bruxa.
Aquela pergunta? Argh! Ainda estávamos tão perto um do outro, tanto que nossos narizes vinham se encostando quando eu lhe respondi com um tom de voz baixo.
— Eu não sou uma bruxa.
— Então, se é mesmo apenas uma humana, a senhorita não vai se incomodar caso eu tome um pouco de seu sangue, certo?
Ele soltou meu queixo e afastou seu nariz do meu, tomando distância de mim e juntou as mãos, estalando todos os dedos, sua boca se separava com um belo e largo sorriso, e eu via em seus dentes algo anormal, suas presas tinham um formato muito peculiar que me lembrava até mesmo presas felinas, como as de um gato, só que maiores como se fossem para perfurar uma carne, ou até mesmo para arrancar.
— Esses dentes são falsos, certo? — Questionei inocente. que seja um pesadelo.
— A senhorita me seguiu para o meio do nada. E eu confesso que estou com fome. A não ser que queira me dizer alguma coisa que me faça mudar de ideia, eu não vou te matar.
Mais uma vez me senti encurralada naquela situação, seu andar até mim dessa vez empurrava meu corpo contra uma árvore velha. a pressão era tanta que as palavras saiam tremidas de minha boca. Ele era mesmo um vampiro? Sério? Pensava que eram apenas histórias para crianças se comportarem. já havia escutado histórias que pequenas vilas haviam sido destruídas por alguns, mas ter um assim em minha frente. todo aquele meu desejo de fato estava prestes a sumir.
— Er, bem. Eu... Eu
Ele chegou mais perto e colocou a mão direita sobre meu pescoço, e inclinou minha cabeça para esquerda, exibindo melhor meu pescoço até o ombro.
— Então vai dizer ou vou ter um almoço?
Só podia ser uma peadinha.
— Você... não, isso é uma brincadeira. não tem como você ser um vampiro. já teria queimado no sol.
— Sou um vampiro. não vou fazer rodeios, afinal você vai morrer.
— Só pode ser brincadeira isso. — murmuro.
Ele soltou meu pescoço então, com a delicadeza de um coice de uma mula, foi pondo ambas mãos em meus quadris e me jogou para cima. Fui arremessada ao ar como um simples grão de areia, onde gritei até sentir a queda em seus braços. assim que estava deitada,ele me soltou onde senti a queda, fui rastejando ao chão. consequentemente sujando meu vestido.
— Quer ir novamente? Só não garanto evitar a sua queda na próxima vez.
Caramba, eu não sabia mais se aquilo era ou não real e sim que estava com medo daquele homem. meu corpo, minha cabeça estava em choque, então apenas disse o que eu havia de fato vivido.
— Eu sonhei com você.— murmurei enquanto tentava fugir.
— Hã? Isso é um flerte? — Ele se agaixou ao chão e apoiou a cabeça sobre as mãos, com os cotovelos apoiados aos joelhos — não vai te salvar agora.
— Não. Eu sonho com você, todas as noites. Por isso eu fiquei te encarando, não acreditei quando te vi.
— Oh.
Veio então se aproximando de minha pessoa, pegando-me pelos pulsos e pondo-me em pé. Em minha frente ele se curvou enquanto eu me encolhia com medo daquela criatura profana.
— Agora isso está ficando interessante, senhorita Roseli. queira perdoar minha falta de modos. prazer, eu me chamo Dragomir.
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