
A obsessão dos Vampiros
Capítulo 3
Então esse era o nome do então misterioso homem que vagava em meus sonhos, passeava em minha mente durante todas as noites e sempre me salvava. De fato, eu não sabia seu nome durante meus sonhos, eu sempre o via, sempre o enxergava e ouvia sua voz dizendo que estava do meu lado. Mas, era a primeira vez que ouvia ele dizer seu nome com todas as letras. Ele se curvava em minha frente em uma apresentação elegante, e ia se pondo na postura imperiosa anterior e cruzando os braços, ficando a me analisar com o olhar. Apesar de temer o que ele dizia por ter afirmado que era uma criatura que se alimentava de sangue, tentei não demonstrar medo, ergui bem a cabeça e falei em um tom firme.
— Então, você é mesmo um vampiro?
— Princesa da neve que não sou.
Parecia debochar de mim.
— E o que te dá tanta segurança que eu não vou sair daqui gritando que você é um monstro pra todos?
— Duas coisas, minha cara Roseli — Ele inclinava o corpo para frente — Primeiro: A infelicidade de você ser mulher em um mundo governado por homens. Eu posso muito bem dizer que você está louca, que flertou comigo e eu recusei. E por isso inventou tal coisa. Ninguém vai acreditar em você, e sim em mim. E, segundo: Eu te mataria antes que você saísse daqui. Foi claro?
Aquelas palavras, vinda daquele homem com aqueles dentes afiados, me senti de certa forma intimidada, estava difícil manter aquela postura.
— Você é horrível.
— Não, eu sou um sobrevivente. Admito que fiquei intrigado com a sua pessoa,e quero agora saber mais sobre seus sonhos. Mas se você preferir, eu vou fazer apenas o que vim fazer aqui, e irei embora. E talvez um dia se for a vontade do destino nós dois nós encontraremos. Mas, se quiser ouvir a proposta que tenho a dizer... Será bem mais interessante.
— Proposta? Que proposta?
— Veja, não leve a um caminho diferente o que eu tenho a dizer.
— Apenas diga logo! — Estava prestes a correr de medo.
— Diante de você saber de meu segredo, e a senhorita sonhar comigo, isso me faz querer não a perder de vista, por tanto... Eu desejo que a senhorita se torne a minha concubina.
As palavras dele por um instante pensei que ele diria algo bom, mas ao ouvir o que ele dizia logo me veio a fúria em minha cabeça. Ser concubina era uma ofensa a mulheres direitas, além do mais significaria que não seria sua esposa e que ele não iria querer nada sério. aquele homem realmente era um sem vergonha, Como diziam as histórias que vampiros gostam de virgens para se satisfazer e depois tomar sangue delas.
— O que? O que pensa que eu sou pra aceitar isso?
— Não é nesse sentido, e você nem mesmo é tão bonita assim. Apenas relaxe. — Ele diz se aproximando com as mãos juntas — Quero que seja um tipo especial de concubina.
— Que tipo de concubina especial, seu tarado!
— Me permite falar?
Revirei os olhos e cruzei os braços abaixo dos seios. estava agora prestando atenção.
— Diga.
- Com a aumenta a caça às bruxas, a caça a vampiros também aumentou, e por conta disso eu quero alguém que fique ao meu lado. Para que eu possa sempre tomar sangue sem precisar deixar meu rastro. Entendeu?
— E quer que eu seja seu lanchinho?
— É só se você quiser. Não precisa vir comigo. Não vou te carregar a força.
— Você só vai querer meu sangue, certo?
— Certo.
— Não vai querer mais nada de mim?
— Você é virgem, certo?
Meu rosto ficou bastante quente, de certo eu estava vermelha. Mas logo retruquei. Era isso que ele queria? que eu fosse para que me seduzisse ou coisa a mais do tipo?— Me respeite, eu sou sim uma moça.
— Olha só. Interessante sua reação.
Ele veio até mim ficando bem mais perto do que eu gostaria
.— O que... está fazendo.
Era como se eu tivesse uma febre, a temperatura do meu corpo sobia.
— Eu nunca fui de tomar mulher à força, e você não será a primeira. E acredite, não me deito com humanas. Você não aguentaria, e acabaria a falecer em meus braços. Seria uma visão triste para mim já que preciso de você viva.
— Você me mataria?
- Não de propósito. Quando fico excitado às vezes me torno quase um animal, até mesmo um nobre como eu. Por isso quando quero prazer eu fico com alguém como eu.
— Talvez um dia eu descubra.
— Não terá capacidade para um nobre como eu. mesmo que eu queira te mostrar.
— "Nobre" ein. Você disse isso mais cedo, isso teria haver com o fato de poder andar livre ao sol?
Ele gargalhou e aproximou o rosto de meu ouvido, onde sussurrou.
— Não vou te dar mais detalhes, afinal você é uma humana. Mas quem sabe um dia eu te conte tudo caso se torne a minha concubina.
— Eu não consigo te entender. O que afinal de contas quer comigo? Pensei que os vampiros fossem atrás de meninas mais inocentes e totalmente delicadas.
Suas mãos foram recuando de perto de mim, ele virava o rosto para o lado, parecia observar algo enquanto eu falava, ao fim de minhas palavras ele ficou em silêncio.
— Ei, eu to falando com você.
— Eu só vim a essa vila, por conta de minha sobrinha. ela disse que tinha que fazer uma coisa. Daí senti seu olhar em mim. tudo que eu não quero é problema, pois eu já estou cheio de vários com a minha família. Não planejo fazer nenhum massacre ou coisa do tipo, mas caso a senhorita deseje recusar a minha oferta, peço que me dê a resposta até amanhã ao meio dia, pois planejo ir embora oq uanto antes.
Eu não precisava de tanto tempo para pensar, era claro que a minha resposta era única.
— Eu não preciso de tanto tempo para pensar, a minha resposta é não. Eu não vou servir de bolsa de sangue de vampiro.
— Pois eu sugiro que arrume um marido —Ele me interrompe e se vira de costas começando a andar — e não confia em ninguém.
Sua voz começa a se esvair, até que novamente ele desaparece no meio daquela densa vegetação.
— Ele sumiu? Ei!
Mais uma vez, levei as mãos sobre os olhos e cocei novamente procurando saber se aquilo era algum tipo de delírio por infecção nas mãos ou realmente real. Nas lendas daquela região, vampiros eram criaturas selvagens, agressivas. Alguns tinham postura como as dele, porém queimavam ao sol e andavam apenas na luz do luar, pois a luz do sol refletida na lua, era como um tipo de gerador de energia. Mas aquele homem, esse tal de Dragomir, era diferente, ao menos diferente das histórias, já que no final das contas eu nunca tinha visto um. Depois de ter voltado às margens do rio e terminado de lavar todas aquelas roupas à mão, eu as coloquei para secar ao sol. mais tarde no fim do dia, às passei em um ferro quente esquentado na lareira e coloquei dentro de cada trouxa a roupa de cada família. Havia secado bem, no final das contas, o ar estava seco apesar do tempo nublado.
— Rosê!
Aquela voz familiar, Dona Margô me chamava, enquanto eu estava fazendo algumas entregas de roupas, ela estava quase se arrastando. Era incrível como aquela velha ainda estava viva.
— Oi dona Margô. Eu já ia deixar a sua trouxa de lençóis.
— Minha querida venha aqui comigo, por favor.
Ela me arrastou pelas ruas, usando um tanto de força que não sabia que uma senhora daquela idade poderia ter. parecia aflita.
— O que foi? — Digo quase tropeçando em meus passos.
— Ouvi uma história que você estava se enroscando com o moço que está hospedado na casa da perdição. É verdade isso?
É o que? Essa história não era verdadeira. não tinha como ser, Só se ele tivesse inventado algo. minhas sobrancelhas se ergueram, senti uma raiva em meu coração. estava exausta de tanto lavar roupa e agora tinha que ouvir isso?
— O que? Não!
— Então por favor tome muito cuidado. eu só queria te avisar que não andam falando bem de você.— Ela estendeu seu braço enrugado com algumas moedas em mãos e colocou sobre as minhas — Agora tome, o pagamento pelas roupas.
Ela me entregou as três moedas de prata que sempre me dava por lavar seus lençóis, depois que lhe entreguei embrulhada em uma pequena trouxa. Francamente, Dona Margô era uma fofoqueira de mão cheia, mas eu não podia acusá-la de ter sido ela de ter inventado esse boato. e de fato, será que era verdade isso? Que estavam falando de mim? Pois bem, não me importava. Mas se aquele vampiro estivesse inventando boatos de minha pessoa, ele iria se ver comigo!
As tochas da vila foram acesas e eu só pensava agora em voltar para casa com meu velho cesto de palha. Com meus pés doendo e totalmente sujos, minha intenção era lava-los com água morna e me preparar para jantar. ao menos isso eu poderia fazer agora a noite.
— Ei, Roseli.
Aquela voz era do açougueiro, Hugo. Ele era um homem alto e forte, não era feio, era de boa aparência. abri um sorriso gentil para ele mostrando um mínimo de educação. Sinceramente eu estava aguardando que fosse aquele maldito vampiro,só para perguntar a ele se tinha inventado histórias sobre minha pessoa.
— Boa noite.
— Quanto cobra para lavar roupa?
Geralmente as pessoas me procuravam pela manhã, mas não custava nada responder.
— Cinco moedas de bronze. — Respondi de maneira gentil.
— Entendi. e pra chupar meu pau é quanto?
Mas que porcaria ele estava perguntando?
— Perdão, eu não entendi.
Ele dava alguns passos se aproximando de mim, vindo bem devagar, e aos poucos eu tomava distância pondo o cesto a frente de meu corpo.
— Eu quero saber se você ganha mais lavando roupa dos outros ou chupando o pinto de gente de fora. Afinal você nunca quis se casar pra isso não é? prefere ter dinheiro de estranhos do que ter um marido como qualquer mulher decente.
Suas mãos eram brutas, e postas sobre meus ombros, ele me empurrava naquele chão gosmento de lama e fezes, onde eu caia me lambuzando na lama.
— Que merda deu em você?!
— Não era você que estava no meio do mato com o forasteiro de cabeça vermelha?
— E o que tem? isso não é da sua conta! Eu e ele só estávamos conversando! Droga! — tento me levantar, pondo as mãos abertas ao chão como apoio mas era complicado pois sempre escorregava. Agora eu teria que tomar um banho, e não no sábado!
— Então confessa que estava se dando ao desfrute? Tinha que ser, a filha santinha do fazendeiro não é tão santa assim!
Com raiva de suas palavras ediondas, peguei em um monte de bosta com as mãos e joguei contra o rosto dele. haviam algumas pessoas que estavam olhando a confusão de dentro de suas casas. como sempre, não tinha ninguém por mim. nem mesmo dona Margô estava ali para me defender, embora eu soubesse que ela estava ali longe, com o coração por mim.
— Sua filha da...
Eu vi o açougueiro, um dos homens mais fortes da cidade ser jogado para longe, com um golpe e o vento. A minha frente tinha uma bela moça de cabelos cacheados, eles estavam presos dando a impressão que eram curtos, não conseguia ver seu rosto, mas seus trajes eram belos. cabelos escuros como a noite e pele pálida, igual a de Dragomir. Seu braço esquerdo estava esticado para frente, e como se fosse uma dança, ela o estava de volta para perto do corpo.
— Me perdoe, acho que fui agressiva demais em meu golpe.
Aquela menina... quem era?
— Roseli, não é?
A voz gentil se virava para frente a mim, e assim eu vi seu sorriso gentil. Nunca vi aquela mulher em toda minha vida, mas ela parecia saber meu nome.
— Sim?
— Prazer, eu me chamo...
''SÃO BRUXAS, QUEIMEM AS BRUXAS!''
Gritava o açougueiro em pleno pulmão.
— Isso não estava nos meus planos —Ela diz abrindo o leque novamente começando a se abanar. — Será que você pode ir correndo? Enquanto eu tento resolver isso aqui?
Correr? Claro. me parecia uma ótima ideia, os aldeões estavam furiosos, pegando tochas, alguns pegando em mãos lanças e garfos gigantes que se usavam nas plantações. deixei o cesto de lado e comecei a ir andando saindo daquela situação. meu rumo era ir para casa, tentar me salvar.
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