
A Noiva Trocada, Um Coração Vingativo
Capítulo 2
— Você não tem ideia do que está fazendo — Ângelo avisou, sua voz baixa e ameaçadora. Ele balançou os papéis do divórcio na minha cara. — Você pensou nas consequências?
Eu o encarei de volta, minha expressão indecifrável.
— Você só está emotiva agora — ele continuou, seu tom mudando para uma paciência condescendente. — Você não está pensando com clareza.
— Estou pensando com mais clareza do que em anos — retruquei, minha voz afiada. — Especialmente depois que o efeito da droga que você me deu passou.
Um brilho de irritação cruzou seu rosto. Ele odiava ser lembrado de suas ações menos que perfeitas.
— Não toque mais nesse assunto — ele rosnou. — Eu te disse, foi uma situação complicada.
Ele suspirou, passando a mão por seu cabelo perfeitamente penteado, interpretando o papel do marido sofredor.
— A Flávia... ela tem problemas sérios, Alícia. Problemas psicológicos. Ela não é estável.
Eu permaneci em silêncio, esperando pelo resto de sua desculpa patética.
— Ela ameaçou se matar se eu não fosse em frente com a cerimônia — ele disse, sua voz baixando para um sussurro confidencial. — Ela disse que era a única coisa que a faria se sentir segura. Eu estava salvando uma vida. Você não consegue entender isso?
O absurdo daquilo era de tirar o fôlego. Ele estava transformando sua grande traição em um ato heroico de compaixão.
Eu apenas o encarei, meu silêncio mais condenatório do que qualquer acusação.
Ele pareceu interpretar meu silêncio como um sinal de fraqueza.
— Olha, eu sei que você ficou magoada — ele disse, sua voz suavizando para um tom apaziguador. — Eu admito, você foi injustiçada. Mas foi por um bem maior.
Ele se aproximou, tentando recuperar nossa antiga intimidade.
— Assim que a Flávia estiver estável, faremos de novo. Uma cerimônia de verdade, só para você. Eu prometo.
Ele estendeu a mão para tocar minha bochecha, seus dedos traçando uma linha pela minha pele. Ele costumava fazer isso quando queria algo de mim.
Ele sussurrou meu antigo apelido, uma palavra que agora soava como uma maldição.
— Tudo vai ficar bem, Lili.
Eu me afastei de seu toque como se tivesse sido queimada.
— Não me toque.
O pensamento de suas mãos em mim, depois de terem estado por toda ela, me deixava fisicamente doente.
Sua mão congelou no ar. A máscara de preocupação caiu, substituída por uma raiva crua.
— Qual é o seu problema? — ele sibilou, seu rosto se contorcendo em um rosnado.
Ele agarrou meu queixo, seus dedos cravando na minha mandíbula, forçando-me a olhá-lo.
— Seu sumiço, isso a levou ao limite. Ela viu online que você pediu o divórcio. Ela tentou cortar os pulsos.
Eu ofeguei, um lampejo de choque cortando minha raiva.
Ele viu e aproveitou a vantagem. Seus olhos estavam arregalados com uma convincente demonstração de terror relembrado.
— Eu a encontrei bem a tempo. Os médicos disseram que ela quase não sobreviveu.
Ele se inclinou mais perto, sua voz um sussurro venenoso.
— Você quase a matou, Alícia. Você quase teve uma morte na sua consciência. É isso que você quer?
Ele queria colocar a instabilidade de sua amante na minha conta. Me tornar responsável pelas consequências de seu próprio caso.
— Então nós devemos simplesmente esquecer tudo? — perguntei, minha voz tremendo de raiva contida.
— Sim — ele disse, sem um pingo de hesitação. — Nós seguimos em frente.
— Não, a menos que você concorde em nunca mais vê-la — eu disse, estabelecendo minha única condição.
Ele riu, um som áspero e feio.
— Isso não é possível.
Ele soltou meu queixo e deu um passo para trás, um sorriso cruel brincando em seus lábios.
— Tem outra coisa que você deveria saber.
Meu coração martelava contra minhas costelas.
— Ela está grávida — ele disse, seu sorriso se alargando. — E o filho é meu.
O mundo girou em seu eixo. O ar saiu dos meus pulmões, deixando um vazio frio e oco onde meu coração costumava estar.
Ele viu a devastação em meu rosto e a confundiu com uma vantagem.
— Nós podemos criá-lo juntos — ele sugeriu, como se fosse uma solução perfeitamente razoável. — Você sempre quis um filho.
Eu olhei para ele, para este monstro que havia estilhaçado minha vida, e não senti nada além de um vasto e gélido vazio.
— Não — eu disse, a palavra mal um sussurro.
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