
A Noiva Trocada, Um Coração Vingativo
Capítulo 3
— Você não quer um filho? — A voz de Ângelo pingava desprezo. — Ótimo. Depois que nos divorciarmos, você pode ter quantos filhos quiser com quem quer que te queira.
Ele me olhou de cima a baixo, um sorriso de escárnio no rosto.
— Mas vamos ser honestos, Alícia. Essa sua ceninha... só está te deixando menos atraente. Está me deixando enjoado de você.
Suas palavras eram para cortar, para me lembrar da minha suposta impotência.
— Você quer o divórcio? Ótimo — ele cuspiu, sua paciência finalmente se esgotando. — Você vai conseguir.
Ele pegou uma caneta do meu balcão e rabiscou sua assinatura nos papéis do divórcio com um floreio furioso. Então, ele amassou o documento e o jogou na minha cara.
— Pronto. Está feliz agora?
Ele me observou, seus olhos brilhando com uma antecipação maliciosa. Ele esperava que eu desmoronasse, chorasse, implorasse.
Eu calmamente me abaixei e peguei os papéis amassados, alisando-os no balcão. Minhas mãos estavam firmes. Meu rosto era uma máscara plácida.
Eu olhei para ele, meus olhos frios e mortos.
— Fora do meu apartamento.
Sua mandíbula se contraiu. Minha falta de reação o enfureceu. Ele havia perdido o controle da narrativa, e não suportava isso.
— Você vai se arrepender disso, Alícia — ele ameaçou, sua voz um rosnado baixo. — Você vai voltar rastejando, e eu não estarei aqui para te levantar.
Ele se virou para sair. Quando sua mão tocou a maçaneta, eu falei.
— Ângelo.
Ele parou, um olhar presunçoso se espalhando por seu rosto. Ele achou que eu estava cedendo. Ele se virou, sua expressão uma mistura de triunfo e pena.
— Precisamos marcar uma data para ir ao fórum e oficializar — eu disse, minha voz perfeitamente nivelada.
A presunção desapareceu, substituída por um flash de pura raiva. Ele bateu a porta atrás de si sem outra palavra.
Não dez minutos depois, meu celular vibrou. Era uma notificação do Instagram. Flávia havia atualizado seu feed.
Era uma foto dela e de Ângelo, tirada momentos atrás no carro dele. A cabeça dela estava em seu ombro, o braço dele ao redor dela. A legenda dizia: “Algumas pessoas simplesmente não sabem quando desistir. Tão feliz por estar com o homem que realmente me ama. #plena #amorverdadeiro”
Senti uma onda de nojo. Essa mulher, essa criatura patética que Ângelo usava como arma e desculpa. Eu comecei a chamá-la de “A Assombração” na minha cabeça. Ela não era apenas deprimida; ela era um vazio, constantemente precisando se alimentar do drama de outras pessoas para se sentir viva.
Então, uma mensagem privada dela apareceu.
Era uma foto do pescoço dela, coberto de chupões recentes e vermelhos.
Uma segunda mensagem se seguiu. “Só queria ter certeza de que você viu o quanto o Ângelo sentiu minha falta. Ele foi tão bruto hoje à noite. Acho que não vou conseguir andar amanhã. ;)”
Depois outra. “Você está bem, Alícia? Estou tão preocupada com você, sozinha nesse apartamento triste.”
A audácia pura daquilo era quase cômica.
Meus dedos voaram pela tela antes que eu pudesse me conter.
“Não se preocupe comigo. Preocupe-se com você mesma. Anorexia é uma doença séria. Você deveria procurar um médico por ser tão magra. Fico surpresa que o Ângelo não quebrou seus ossos de passarinho com a noite ‘bruta’ dele.”
Eu apertei enviar.
Você pode gostar





