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Capa do romance A Mulher que Voltou para Vencer

A Mulher que Voltou para Vencer

No leito de morte, Luana foi traída pelo marido João e pelo próprio filho em favor da vilã Clara. Ao despertar no passado, no dia do seu noivado, ela descobre que João também voltou e agora escolhe Clara abertamente. O choque dá lugar ao horror quando Luana ouve uma confissão: a morte de sua mãe não foi natural, mas um crime de Clara. Com o coração endurecido pela verdade, Luana renasce pronta para desmascarar os traidores e buscar justiça.
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Capítulo 2

Na cama fria do hospital, eu sentia a vida se esvaindo do meu corpo, cada respiração era um esforço doloroso, e o monitor cardíaco ao lado apitava um ritmo lento e fraco, um prenúncio do fim.

Meu marido, João, estava ao lado da cama, não com o olhar de um homem que perde sua esposa, mas com a impaciência de quem espera um documento ser assinado.

Ele segurava os papéis do divórcio.

"Luana, assine" , ele disse, a voz sem emoção, "Os médicos não podem fazer mais nada até você assinar. É o nosso destino."

Olhei para ele, o homem com quem dividi a vida, a quem dediquei cada gota do meu talento como engenheira de software, sacrificando minha carreira para que a dele decolasse. Nossos votos de casamento, de saúde e doença, ecoavam em minha mente como uma piada cruel.

"Destino?" , sussurrei, a voz rouca.

"Sim" , ele respondeu, e seu olhar se desviou para a mulher parada à porta, Clara, sua irmã de consideração, a CEO de sucesso que todos admiravam. "Em outra vida, você me prometeu que me ajudaria a realizar meu sonho, e Clara é a parceira que o destino escolheu para mim. Ela sempre esteve lá, me apoiando."

Meu coração, já fraco, se partiu em mil pedaços. A traição era tão descarada, tão fria.

Nosso filho, Pedro, recém-formado em TI, entrou no quarto, seu rosto jovem e impassível. Ele olhou para mim, sua mãe, e disse palavras que selaram minha morte.

"Mãe, o papai está certo. Clara é minha verdadeira mentora, ela me ensinou tudo. Você deveria se contentar em ser uma figura secundária em nossas vidas. Apenas assine e nos deixe seguir em frente."

Uma figura secundária. Após uma vida de dedicação, era isso que eu me tornara para eles. Um obstáculo.

Com a última força que me restava, peguei a caneta. O choro me sufocava. Eu não estava chorando pela minha vida que acabava, mas pelo amor que eu dei e que foi jogado fora como lixo. Senti-me traída, abandonada, meu mundo inteiro desmoronando no leito de morte.

Assinei.

O som do monitor cardíaco se tornou uma linha contínua e estridente. Meus olhos se fecharam, e a escuridão me engoliu.

Então, abri os olhos novamente.

A luz do sol da tarde entrava pela janela da sala de estar da casa dos meus pais. O cheiro de café fresco no ar. Eu estava sentada no sofá, vestindo um vestido leve de verão. Olhei para minhas mãos, jovens e saudáveis.

Na minha frente, João estava ajoelhado, segurando uma pequena caixa de veludo. Era o dia em que ele me pediu em casamento.

Meu coração gelou. A memória da traição, da dor, da morte, era tão vívida, tão real. Olhei para o rosto de João, o mesmo rosto que me olhou com frieza no hospital, e vi a mesma ambição em seus olhos. Mas desta vez, seu olhar não estava fixo em mim. Ele olhava por cima do meu ombro, para a porta.

Clara estava lá, com um sorriso sutil nos lábios.

Eu renasci. E desta vez, eu não seria a tola.

"Luana" , disse meu pai, o Sr. Silva, um homem imponente e de coração bom que construiu um império no setor de tecnologia. Ele se aproximou, colocando a mão no ombro de João. "João, Luana é minha joia. Se você quer se casar com ela, prometa que nunca a deixará e nunca se envolverá com outra pessoa."

Era a mesma cena, as mesmas palavras da minha vida passada. Naquela época, João prometeu tudo, com lágrimas nos olhos.

Mas desta vez, algo mudou.

João se levantou abruptamente, interrompendo meu pai. Ele se virou, ignorando a mim e a meu pai chocado, e caminhou em direção a Clara.

Ele se ajoelhou novamente, desta vez na frente dela.

"Senhor Silva" , disse João, com a voz firme e cheia de uma convicção insana, "Eu quero me casar com Clara. Quero construir um império digital com ela."

O queixo do meu pai caiu. Ele olhou de João para Clara, e depois para mim, a confusão estampada em seu rosto. "João, do que você está falando? Você e Luana…"

"Isso foi um erro do passado" , disse João, seu olhar fixo em Clara, como se ela fosse o centro do universo. "Clara é a minha musa, a minha parceira de destino. Luana pode ser uma sócia minoritária em nossos projetos, se quiser. Uma posição de honra."

Um sócia minoritária. A mesma oferta humilhante. Percebi naquele instante que não era a única que havia retornado. João também renasceu, e em sua mente distorcida, ele estava "corrigindo" o que considerava um erro do passado.

Meu pai, sem saber o que dizer, gaguejou: "Eu… eu preciso de um tempo para pensar."

João e Clara saíram logo depois, deixando um silêncio pesado na sala. Meu pai se virou para mim, seu rosto envelhecendo anos em segundos.

"Luana, me desculpe. Por um momento, eu pensei em aceitar, só para não te magoar. Eu sei o quanto você sempre amou o João."

Abracei meu pai com força. "Pai, não se preocupe. Eu não vou me casar com um homem que me vê como uma sócia secundária. Nunca."

Eu o tranquilizei, mas por dentro, uma fúria gelada começava a tomar conta de mim. A dor da traição ainda estava fresca, mas agora se misturava com uma nova e terrível suspeita.

"Eu preciso falar com eles" , eu disse, minha voz firme.

Eu não ia me casar com João. Eu ia descobrir a verdade.

Dirigi até a casa de Clara. O carro de João não estava mais lá. Estacionei na rua e me aproximei a pé, em silêncio. A janela da sala estava entreaberta, e vozes flutuavam para fora.

Era a assistente de Clara, elogiando-a.

"Senhorita Clara, você é genial! Conseguiu se livrar da Luana e ainda fazer o pai dela pensar. Logo, todo o império Silva será seu e do senhor João."

A voz de Clara soou, presunçosa e cruel. "Aquele velho e a filha dele são uns tolos. Assim como a mãe dela era. Um pequeno susto e o coração fraco dela não aguentou. Foi mais fácil do que eu pensava."

Meu sangue congelou nas veias. A morte da minha mãe. Não foi um ataque cardíaco natural. Foi ela. Clara.

A raiva me consumiu, uma onda quente e violenta. Minhas mãos tremiam. Eu queria entrar lá e arrancar a verdade dela, mas me contive. A vingança não seria um ato de paixão, seria um plano executado com a frieza de um algoritmo.

Recuei para as sombras, o coração batendo forte contra as costelas. No momento em que me virei para sair, dei de cara com João. Ele estava parado ali, me olhando com desaprovação.

"O que você está fazendo aqui, Luana? Espionando?" , ele acusou.

"Eu vim ter uma conversa" , respondi, a voz controlada.

"Você quer machucar a Clara, não é? Não consigo acreditar." Ele balançou a cabeça, como se eu fosse a vilã. "Clara é pura e genial. Ela será a próxima grande CEO de tecnologia deste país. Você deveria ter a decência de aceitar sua posição como sócia minoritária e sair do caminho dela."

Ele me deu as costas e foi embora, me deixando ali, parada na escuridão, com a verdade queimando dentro de mim.

Eles não iriam me prejudicar novamente. Não nesta vida.

Peguei meu celular e liguei para minha assistente, Sofia.

"Sofia, preciso de um favor. Reúna todas as evidências que puder sobre os projetos que desenvolvi nos últimos cinco anos. Códigos-fonte, e-mails, rascunhos. E prepare-se. O grande evento de tecnologia é em duas semanas. Nós vamos fazer uma apresentação."

Desta vez, o palco seria meu. E a verdade seria minha arma.

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