
A mulher errada
Capítulo 2
**Valentina Montero**
Meu nome é Valentina Montero e pertenço a uma das famílias mais poderosas deste país. Nossa família possui uma empresa têxtil que está em nossas mãos há gerações, um legado que sempre senti como uma grande responsabilidade.
Estudei design de moda e sou uma das melhores na minha área. Durante anos, sonhei em trabalhar junto com meu pai na empresa familiar, revolucionando a moda a partir de nossas próprias raízes. No entanto, a realidade tem sido dura. A empresa está praticamente em ruínas, afogada em dívidas e má administração do meu pai. Eu o amo, mas ele tem um problema com o jogo. Agora, todas as minhas esperanças estão no novo sócio que poderia nos ajudar a sair desta crise.
Neste momento, estou experimentando um vestido de noiva no ateliê. As modelos não estavam disponíveis e precisávamos urgentemente de fotos para a nova coleção. Me olho no espelho, ajustando a seda e os rendados com cuidado. O vestido é uma obra de arte, uma peça que desenhei com cada fibra do meu ser.
—Valentina, o senhor Gonzalo está te procurando, precisa te apresentar a alguém —anuncia Marta, uma das costureiras, espiando pela porta do provador.
—Obrigada, Marta. Vou me trocar imediatamente —respondo, enquanto dou uma última olhada no espelho.
Fiquei olhando meu vestido, observando os últimos retoques que ainda faltavam. O rendado nas mangas ainda precisava de ajustes, e a bainha devia ser levantada alguns centímetros. Minha mente estava absorta nesses detalhes quando notei que alguém se aproximava.
Um homem de cabelos escuros e olhos de um azul intenso se plantou na minha frente, me observando de cima a baixo com uma intensidade que me fez sentir exposta.
—Você não pode estar aqui. Este é o provador feminino —disse, tentando soar firme apesar do tremor na minha voz.
Ele sorriu, um sorriso que não alcançou os olhos.
—Não sabia que tinham uma modelo tão linda. Não me grite se não quiser perder seu emprego —respondeu com uma arrogância que me deixou congelada.
—Quem diabos você pensa que é? —retrucquei, cruzando os braços sobre o peito numa tentativa de me proteger de seu olhar invasivo. No entanto, naquele momento ele focou seu olhar nos meus seios. Que descarado.
—Maximiliano Rivas, o novo sócio —respondeu, sem se abalar.
O mesmo Maximiliano de quem papai tanto falava. Minha mente tentava processar a situação: esse homem, que parecia ter todo o poder do mundo, estava aqui no provador, quebrando qualquer tipo de protocolo.
—Isso não é apropriado —disse, baixando a voz mas mantendo minha firmeza.
—Talvez não, mas também não é apropriado que a filha do dono tenha que experimentar os vestidos em vez de uma modelo profissional —respondeu, levantando uma sobrancelha—. Mas entendo, às vezes é preciso fazer sacrifícios para manter uma empresa de pé.
Senti uma onda de raiva misturada com humilhação. Quem ele pensava que era para julgar a situação da nossa empresa e meus esforços para salvá-la?
—Faço o que for necessário para ajudar minha família e nossos empregados —respondi, endireitando-me—. Não preciso dos seus comentários nem da sua condescendência.
Maximiliano pareceu surpreso com minha resposta, mas sua expressão suavizou ligeiramente.
—Essa é a atitude que se precisa para levantar esta empresa —disse, finalmente desviando o olhar de mim—. Pergunto-me o que você estaria disposta a fazer para salvar o legado da sua família. Em breve descobrirei, querida.
Ele se virou e saiu do provador, deixando-me com uma mistura de emoções que eu não conseguia entender completamente. Voltei a olhar meu reflexo no espelho, tentando recuperar minha compostura.
Maximiliano Rivas era um homem perigoso, não apenas pelo poder que exercia, mas também pela maneira como podia me fazer sentir tão vulnerável e furiosa ao mesmo tempo. Sabia que teria que enfrentar muitos desafios nos próximos meses, mas estava decidida a não me deixar intimidar por ele ou por qualquer outro obstáculo que se interpusesse no meu caminho.
Quando me troquei, fui para o escritório do meu pai, que me esperava com uma expressão aborrecida. Pude notar a tensão em sua postura e na forma como franzia a testa. Fechei a porta atrás de mim e me preparei para a confrontação que sabia que viria.
—Já me informaram os funcionários que você foi grosseira com o senhor Rivas. Eu dei minha autorização para que ele explore a empresa —disse meu pai, sua voz cheia de reprovação.
Senti uma onda de indignação e cruzei os braços, tentando manter a calma.
—Ele é um idiota, papai. Me tratou muito mal e me ameaçou pensando que eu era uma funcionária —repliquei, minha voz tremendo ligeiramente de raiva contida.
Meu pai suspirou, esfregando as têmporas como se tentasse acalmar uma dor de cabeça.
—Esse homem será nossa salvação, Valentina. Precisamos do investimento dele para manter a empresa de pé. E há algo mais que você precisa saber —disse, fazendo uma pausa que me deixou ainda mais nervosa—. Ele será seu futuro marido.
Senti como se tivesse levado um soco no estômago. As palavras do meu pai ecoaram na minha mente, incapaz de acreditar no que estava ouvindo.
—O quê? —minha voz saiu num sussurro incrédulo.
—Concordamos com um casamento entre nossas famílias. É a melhor maneira de garantir a estabilidade da empresa e da nossa família —explicou, como se fosse a coisa mais lógica do mundo.
—Papai, você não pode estar falando sério. Quer que eu me case com esse homem, com esse... arrogante? —exclamei, sentindo a ira e o desespero se misturarem no meu peito.
—Estou falando sério, Valentina. Ele é um homem poderoso e sua influência pode nos salvar. Além disso, ele não é uma má pessoa, só está protegendo seus interesses —respondeu, tentando soar conciliador.
Deixei-me cair numa das cadeiras em frente à sua escrivaninha, tentando processar tudo isso. Minha vida, meus sonhos, tudo parecia desmoronar ao meu redor.
—Papai, eu... eu não posso fazer isso. Não quero me casar com alguém que não amo, especialmente com alguém que me trata assim —disse, minha voz se quebrando.
—Sei que é difícil, filha. Mas às vezes temos que fazer sacrifícios pelo bem da família. Confio que com o tempo, você vai entender e aceitar essa decisão —disse meu pai, olhando-me com uma mistura de tristeza e determinação.
Fiquei em silêncio, sentindo que uma parte de mim estava se quebrando. Não sabia como iria enfrentar essa nova realidade, mas uma coisa era certa: não ia deixar que Maximiliano Rivas destruísse minha vida sem lutar.
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