
A mulher errada
Capítulo 3
Ainda não podia acreditar que tinha aceitado essa maldita loucura, mas não podia permitir que nossa empresa fosse à ruína e que milhares de famílias ficassem desamparadas. Em menos de um mês, o casamento foi preparado às pressas. Nem mesmo tive coragem de dizer ao meu noivo, Martín, que me casaria com outro homem.
Tinha visto Maximiliano apenas uma vez, no dia em que nos conhecemos. Sua atitude altiva e seu sorriso arrogante ainda estavam gravados em minha mente. Não queria vê-lo novamente, mas agora me encontrava caminhando em direção ao altar e ele me esperava com o mesmo sorriso. Senti um nó no estômago e um suor frio percorreu minhas costas.
Meus familiares presentes eram poucos: meu pai, um maldito apostador cuja irresponsabilidade nos tinha levado a essa situação; minha mãe, que só se importava com aparências e dinheiro; e minha irmã, que não servia para nada além de se deitar com os rapazes e sonhar em se casar com um milionário que lhe desse uma vida de luxos. Minha família, com todas as suas imperfeições, parecia tão distante e estranha neste momento tão crucial.
Enquanto caminhava, podia sentir todos os olhares sobre mim. O vestido branco que eu usava, cheio de rendas e pérolas, pesava como uma corrente. O buquê de flores em minhas mãos tremia levemente e sentia que a qualquer momento poderia desmoronar. Mas não podia. Não agora.
Cheguei ao altar e parei em frente a Maximiliano. Seus olhos azuis me olhavam com uma mistura de determinação e possessividade. O sacerdote começou a falar, mas mal podia ouvir suas palavras. Tudo em que conseguia pensar era em Martín, em como ele devia estar se sentindo naquele momento, sem saber o que estava acontecendo.
—Valentina Montero, aceitas Maximiliano Rivas como teu legítimo esposo? —a voz do sacerdote ressoou em meus ouvidos, tirando-me dos meus pensamentos.
Minha boca se abriu, mas as palavras não saíam. Sentia o peso da decisão me esmagando. Finalmente, respirei fundo e fechei os olhos, me obrigando a pronunciar as palavras que selariam meu destino.
—Sim, aceito —disse com voz trêmula, sentindo que uma parte de mim morria naquele mesmo instante.
Maximiliano pegou minha mão e deslizou o anel em meu dedo. Seu toque era firme e frio. Depois, foi minha vez de colocar o anel nele. Minhas mãos tremiam visivelmente, mas consegui fazê-lo.
—Agora podes beijar a noiva —anunciou o sacerdote.
Maximiliano se aproximou, e pude ver um brilho de triunfo em seus olhos. Seus lábios encontraram os meus em um beijo que se sentiu como uma marca de propriedade, selando o pacto que tínhamos feito. Ao meu redor, os convidados aplaudiam, alheios à tempestade que rugia dentro de mim.
Enquanto caminhávamos juntos pelo corredor, minha mente estava em outro lugar. Perguntava-me como tinha chegado a esse ponto e que futuro me esperava com um homem como Maximiliano. Mas uma coisa era certa: não o deixaria me quebrar sem lutar. Este casamento era apenas o começo de uma nova batalha, e eu estava disposta a lutar até o fim.
Seu beijo era intenso, me devorava completamente e suas mãos seguravam meu cabelo com força, sem se importar com os outros nos olhando. Sentia uma mistura de humilhação e desafio, presa nesse gesto de poder e possessão que ele exibia tão abertamente.
Depois do casamento, dirigimo-nos para a sala de sua imponente residência, onde estavam os convidados. O ambiente era elegante e sofisticado, cheio de flores frescas, candelabros reluzentes e uma orquestra tocando músic suave.
Maximiliano mantinha uma mão firme em minha cintura, guiando-me através da multidão com uma autoridade inquestionável. Apesar do sorriso em seu rosto, eu podia sentir o controle rígido em cada um de seus movimentos.
—Valentina, querida, estás radiante —disse minha mãe com um vestido de renda preta, aproximando-se de nós. Seus olhos avaliadores percorreram-me dos pés à cabeça.
—Obrigada —respondi, tentando soar cortês enquanto minha mente ainda estava atordoada pelo beijo.
—Quero que conheças alguns dos nossos sócios importantes —disse Maximiliano, seu tom autoritário não deixando espaço para protestos.
—Meu querido genro nos ajudará com suas influências —orgulhou-se meu pai com um sorriso.
— Claro que sim —concordou Maximiliano com um sorriso.
Ele me levou de um grupo para outro, apresentando-me a pessoas que não lembraria no dia seguinte. Tudo o que via eram rostos desconhecidos, sorrisos falsos e palavras vazias. Sentia como se estivesse presa em uma gaiola dourada, cercada de luxos mas sem nenhuma liberdade.
Em um momento de respiro, aproximei-me de uma mesa com bebidas. Precisava de algo para acalmar meus nervos. Peguei uma taça de champanhe e dei um gole, deixando que as bolhas me distraíssem, mesmo que por um momento.
—Estás bem? —a voz de minha mãe tirou-me dos meus pensamentos. Aproximou-se de mim, com um sorriso que não alcançava seus olhos.
—Sim, estou bem —menti, sabendo que ela nunca entenderia o que realmente sentia.
—Lembra-te, isso é o melhor para todos nós —disse, com um tom que pretendia ser consolador mas que só acrescentava mais peso à minha carga.
Assenti, sem dizer mais nada. Olhei ao meu redor e vi Maximiliano conversando com um grupo de homens mais velhos, todos rindo e brindando. Ele parecia tão seguro de si mesmo, tão no controle. Senti uma mistura de ódio e desespero crescer dentro de mim.
—Vamos brindar aos recém-casados —anunciou de repente uma voz alta.
Todos ergueram suas taças e se dirigiram até nós. Maximiliano pegou-me pela mão e puxou-me para si, seu aperto era firme e possessivo.
—À felicidade de Maximiliano e Valentina —disse o homem, erguendo sua taça.
Todos repetiram o brinde e beberam. Senti a pressão dos olhares sobre nós, avaliando, julgando. Maximiliano olhou para mim e sussurrou perto do meu ouvido:
—Lembra-te, agora és minha.
Essas palavras ecoaram em minha mente, marcando o início de uma nova vida que não tinha escolhido, mas que teria que enfrentar com bravura. Enquanto os convidados aplaudiam e a orquestra tocava, jurei a mim mesma que encontraria uma maneira de ser livre, não importa o custo.
As horas passaram lentamente e finalmente fiquei sozinha na mansão. Tentei sair, mas havia segurança em cada canto e, finalmente, um dos homens dele me guiou até o quarto. A opulência do lugar me sobrecarregava; tudo estava decorado com um luxo exagerado, refletindo o poder e a riqueza de Maximiliano.
Depois de alguns minutos, ele chegou com seu terno preto, olhando-me com uma mistura de autoridade e desejo enquanto começava a desabotoar a camisa e a gravata. Senti um nó no estômago, a ansiedade misturando-se com a indignação.
—Não penses que me tocarás —disse firmemente, cruzando os braços em frente ao meu peito. Minha voz tremeu um pouco, mas tentei manter-me firme.
Maximiliano parou, deixando cair a gravata no chão. Seus olhos azuis estudaram-me com uma intensidade que me fez sentir vulnerável.
—Valentina, achas que não consigo o que quero? —disse, avançando um passo em minha direção, sua voz baixa e perigosa.
Retrocedi instintivamente, batendo com a cama atrás de mim. O quarto parecia fechar-se a meu redor.
—Não me importa o que penses —respondi, minha voz trêmula traía meu medo—. Não te pertenço, não sou uma mercadoria que podes comprar.
Ele riu suavemente, um som que me gelou o sangue. Aproximou-se mais, e embora quisesse recuar, minhas pernas não respondiam.
—Valentina, gostes ou não, agora és minha esposa —disse, seu tom quase suave, mas o perigo subjacente era inegável—. E como minha esposa, há expectativas a cumprir.
—Expectativas? —repeti com um sussurro, tentando não deixar o pânico dominar-me.
—Sim —disse, parando a um passo de mim—. Mas não te preocupes, não sou um monstro. Tudo a seu tempo.
Olhei para ele, tentando entender suas intenções. Parecia desfrutar do meu medo, da minha luta para manter a compostura.
—O que queres de mim, Maximiliano? —perguntei finalmente, minha voz quebrando.
—Quero que entendas teu lugar aqui, Valentina —respondeu, inclinando-se ligeiramente para mim—. Quero que saibas que tudo o que era tua vida anterior acabou. Agora, tua vida me pertence.
Senti um calafrio percorrer minha espinha. Sua proximidade, seu poder, tudo nele me aterrorizava e enfurecia ao mesmo tempo.
—Nunca serei tua dessa maneira —disse, com uma resolução que mal acreditava eu mesma.
Maximiliano sorriu, um sorriso frio e calculista. Endireitou-se e começou a desabotoar os punhos da camisa.
—Não farás comigo nada que não tenhas feito antes —disse Maximiliano, sua voz fria e cheia de desprezo—. Pensas que não sei que és uma vadia que engana homens, faz-lhes promessas e os leva à beira da loucura.
Fiquei gelada, sem entender do que falava.
—Não sei do que estás falando —murmurei, tentando manter a calma enquanto meu coração batia forte.
Ele se aproximou rapidamente, seu olhar cheio de ódio.
—Estou falando de Gael Rivas, meu irmão —cuspiu as palavras, seu rosto a centímetros do meu—. És tão cínica que nem sequer te lembras do nome dele.
Retrocedi, tropeçando na borda da cama.
—Não sei do que estás falando, miserável desgraçado —gritei, a indignação e o medo lutando pelo controle das minhas emoções.
Maximiliano agarrou-me o braço com força, seus dedos cravando na minha pele.
—Não faças a inocente, Valentina —disse entre dentes—. Gael era meu irmão mais novo, e tu o manipulaste, brincaste com os sentimentos dele até que não aguentou mais e tirou a própria vida.
Olhei para ele, procurando em seu rosto algum sinal de que isso era uma brincadeira cruel, mas não encontrei nada além de raiva e dor.
—Isso não é verdade —disse, minha voz quebrando—. Não sei do que me estás acusando, mas eu não fiz nada disso.
Seu aperto ficou mais forte, e obrigou-me a olhá-lo diretamente nos olhos.
—Ele tinha um diário —disse com voz tremida de fúria—. Escrevia sobre ti, sobre como te fazia sentir, sobre como o rejeitaste e humilhaste. Tinha o teu nome, o teu maldito nome, escrito por todo o lado.
Tentei afastar-me, mas sua força era avassaladora.
—Não sabia de nada disso —sussurrei, os olhos cheios de lágrimas—. Eu não sabia que ele... que ele sentia isso por mim.
Tentei lembrar, mas na fábrica de têxteis havia demasiados trabalhadores e eu era amável com eles. Lembrava de um jovem doce e extrovertido, que raramente falava, mas nem mesmo lembrava seu nome, muito menos seu sobrenome.
Maximiliano soltou-me de repente, como se minha pele o queimasse.
—Lies —rosnou—. Não te atrevas a fingir que és inocente. Casaste-te comigo para salvar a tua família, mas agora pagarás pelo que fizeste a Gael.
Fiquei ali, tremendo, enquanto ele se afastava um pouco, respirando pesadamente. A raiva nos olhos dele não tinha diminuído, e soube que esta guerra estava longe de terminar.
—Maximiliano, por favor —tentei apelar para qualquer traço de compaixão que ele pudesse ter—. Não sabia que Gael era teu irmão, não sabia o que lhe aconteceu. Se tivesse sabido, jamais...
—Cala-te —interrompeu-me, sua voz dura e impiedosa—. Não quero ouvir as tuas desculpas. A partir de agora, viverás neste inferno que tu mesma criaste. Farei-te sentir todos os dias a dor que ele sentiu.
As lágrimas corriam pelas minhas bochechas enquanto ele se virava e se dirigia para a porta. Fiquei ali, abraçando-me a mim mesma, sentindo que meu mundo desabava.
Maximiliano parou no limiar e lançou-me um último olhar de desprezo antes de sair do quarto, deixando-me sozinha com meu medo e minha desesperança.
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