
A Mentira Que Ele Chamava de Amor
Capítulo 3
Ponto de Vista de Alana Costa:
O rosto de Lucas, que um momento atrás exibia uma certeza tão presunçosa, desmoronou em total incredulidade. Ele olhou para a pequena sacola da farmácia em minha mão, depois para minha barriga ligeiramente arredondada, e de volta para a sacola, como se tentasse remontar um quebra-cabeça que não fazia mais sentido.
"Concepção?", ele engasgou, sua voz mal um sussurro. Antes que ele pudesse processar, antes que pudesse fazer a pergunta que pairava no ar, uma pergunta que eu estava pronta para responder, Bruna interveio.
"Lucas, querido", ela arrulhou, a mão em seu braço, os olhos arregalados com uma inocência cuidadosamente praticada, "deveríamos contar para a Alana. Sobre o casamento. Está... bem, está adiado. Só por um ano. Por minha causa." Ela baixou o olhar, fingindo constrangimento. "Meu terapeuta disse que preciso de você ao meu lado por um ano inteiro para me recuperar do meu término. Estou tão frágil."
Ela ergueu os olhos, uma lágrima brilhando.
"Oh, Alana, eu me sinto péssima! Mas o Lucas, ele é um amigo tão bom. Ele insistiu. Talvez... talvez você pudesse ter seu casamento ao mesmo tempo que o nosso? Uma cerimônia conjunta? Economizaria tanto dinheiro, e poderíamos todos ser felizes juntos!"
Sua sugestão era tão completamente ridícula, tão insultuosa, que quase me fez rir.
As desculpas de Lucas costumavam me destruir. Agora, elas apenas soavam patéticas.
"Eu já sou casada", afirmei, minha voz plana, desprovida de emoção. "E não estou interessada em uma cerimônia conjunta."
As pessoas ao nosso redor, os colegas de Lucas que se reuniram, ignoraram minhas palavras. Estavam ocupados demais rindo da sugestão "fofa" de Bruna, ocupados demais dando tapinhas nas costas de Lucas.
"Ah, Alana, não seja assim!", uma delas cantou, uma mulher que eu vagamente lembrava dos piqueniques da empresa de Lucas. "Ele está só brincando! Vamos, dê um beijo no seu noivo e façam as pazes!"
Uma onda de náusea me atingiu. Revirei os olhos, desesperada para escapar. Mas antes que eu pudesse me virar, o braço de Lucas disparou, envolvendo minha cintura, puxando-me contra seu peito. Seu toque, antes familiar, agora parecia estranho e invasivo.
"Você está apenas chateada", ele murmurou em meu cabelo, sua voz grossa com um afeto autossatisfeito. Ele tentou virar meu rosto para o dele, claramente com a intenção de me beijar, de reafirmar sua posse.
Reagi por instinto, minha mão voando para cima, o estalo agudo da minha palma contra sua bochecha ecoando pela farmácia silenciosa. O som foi ensurdecedor.
"Eu sou casada", repeti, mais alto desta vez, minha voz tremendo com uma fúria que eu não sabia que ainda possuía. "Tire suas mãos de mim, Lucas. Acabou."
Um silêncio pesado desceu. A mão de Lucas voou para sua bochecha, seus olhos arregalados de choque, depois se estreitaram em fendas raivosas.
"Casada? Que tipo de piada doentia é essa, Alana? Você acha que pode simplesmente brincar depois de todos esses anos?" Sua voz era baixa, perigosa. "Depois de tudo que eu fiz por você?"
Tudo que ele fez por mim? As palavras eram um ácido amargo na minha boca. Lembrei-me da semana antes do nosso casamento, da maneira como ele me deixou lá, uma promessa descartada. Lembrei-me de pegar turnos extras, economizar cada centavo, sacrificar meus sonhos pelo "futuro" dele. Três anos de espera, de ser deixada de lado, de vê-lo prodigalizar sua atenção e recursos em Bruna. Três anos sendo confundida com uma perseguidora de coração partido em sua instalação governamental, uma mulher desesperada agarrada a um homem que não se importava.
De repente, Bruna, que estava encostada em uma prateleira de metal de remédios fitoterápicos, tropeçou levemente. A prateleira balançou, e um grande pote de barro fumegante de um remédio tradicional, deixado para esfriar, tombou precariamente. Meu corpo se moveu sem pensar. Estendi a mão, agarrando o braço de Lucas, um instinto desesperado e arraigado de puxá-lo para a segurança, um fantasma da mulher que eu costumava ser.
Mas Lucas, com os olhos fixos em Bruna, só a viu. Ele arrancou o braço do meu aperto, me empurrando com uma força que me fez tropeçar, seu foco inteiramente em pegar Bruna antes que ela caísse.
"Bruna, cuidado!", ele gritou, puxando-a para seus braços.
O pote de barro se espatifou no chão, exatamente onde eu estava. O líquido escuro e quente espirrou, uma dor lancinante florescendo no meu tornozelo e pé. Meu grito foi cru, involuntário. O líquido escaldante queimou minha pele, um eco doloroso da raiva ardente em meu coração.
"Alana! Meu Deus, Alana, me desculpe!", Lucas gritou, finalmente olhando para mim, seus olhos arregalados com um horror fugaz. Mas ele não se moveu. Ele não ofereceu uma mão. Ele apenas ficou lá, segurando Bruna, enquanto eu pulava para trás, agarrando o balcão para me apoiar, minha perna em chamas.
Inspirei bruscamente contra a agonia, mas não o reconheci. Não olhei para ele. Virei-me, cerrando os dentes, e manquei em direção à pia mais próxima, ligando a água fria para encharcar minha pele em chamas. Uma enfermeira que passava, vendo meu sofrimento, correu e me ajudou a ir para uma sala privada, chamando um médico imediatamente. Sentei-me na mesa de exame, com a mandíbula cerrada, enquanto o médico limpava e enfaixava cuidadosamente as queimaduras vermelhas e irritadas no meu pé. Ele falou sobre primeiro grau, talvez segundo, sobre tempo de cicatrização, sobre evitar infecção.
"Você tem certeza que está bem, Alana?", o médico perguntou, a testa franzida de preocupação. "Você parece um pouco... pálida. E você mencionou concepção mais cedo? Só para ter certeza, provavelmente deveríamos fazer mais alguns exames."
Meu coração martelava contra minhas costelas, um novo medo eclipsando a dor no meu pé.
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