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Capa do romance A Mentira Que Ele Chamava de Amor

A Mentira Que Ele Chamava de Amor

Lucas sumiu antes do altar, prometendo retornar em três anos. Esperei fielmente, mas descobri que ele sustentava a amiga Bruna com mentiras. Após perder minha mãe e recomeçar a vida com Davi Sampaio, reencontrei o ex. Em um confronto cruel, Lucas me agrediu, ignorando meu sangramento e a gravidez enquanto Bruna zombava da situação. No auge do desespero, meu marido surgiu para me resgatar, revelando ser o poderoso chefe do homem que me traiu.
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Capítulo 1

Meu noivo, Lucas, desapareceu uma semana antes do nosso casamento para um projeto ultrassecreto. Ele prometeu voltar em três anos e, como uma idiota, eu esperei, acreditando que nosso futuro estava apenas em pausa.

Mas quando minha mãe estava morrendo, descobri a verdade. Todas as suas ligações e todo o seu adicional de periculosidade foram desviados para sua amiga de infância, Bruna, para o "apoio emocional" dela.

Após a morte da minha mãe, reconstruí minha vida e me casei com um homem maravilhoso. Mas um encontro casual no túmulo dela se tornou violento. Lucas me empurrou, e eu caí, sangrando, apavorada por estar perdendo o bebê que carregava.

Eu implorei por ajuda, mas ele e Bruna apenas assistiram, apostando friamente se eu estava fingindo ou não.

Ele ainda me encarava enquanto eu sangrava até que uma sombra caiu sobre mim. Era meu marido, Davi Sampaio. O homem que também era o chefe de Lucas.

Capítulo 1

Meu vestido de noiva pendia intocado no armário, um fantasma branco e cruel de um futuro que Lucas Rodrigues havia prometido apenas uma semana antes de desaparecer em um projeto ultrassecreto do governo, me deixando com nada além de palavras vazias e um calendário de três anos para marcar.

Era uma época diferente, menos conectada, mas onde os sentimentos eram mais profundos, onde as promessas ainda carregavam o peso da eternidade. Lucas e eu tínhamos construído nossas vidas um ao redor do outro desde a faculdade. Ele era brilhante, um engenheiro de software com olhos que brilhavam de ambição, e eu, Alana Costa, estava pronta para ser sua esposa. Tínhamos escolhido as alianças, provado o bolo, até discutido de brincadeira sobre a playlist da festa. Nosso apartamento em São Paulo vibrava com o som dos nossos sonhos compartilhados.

Então, uma semana antes do nosso casamento, um carro preto parou em frente ao prédio dele. Homens de terno escuro, conversas sussurradas e, de repente, Lucas se foi. Ele disse que era patriotismo, uma chance única na vida, um projeto ultrassecreto de cibersegurança para o governo. Três anos. Apenas três anos, Alana.

Suas palavras foram apressadas, seu abraço apertado, mas fugaz.

"Me espera, Alana. Quando eu voltar, vamos continuar exatamente de onde paramos. Eu prometo. Nosso futuro está nos esperando."

Ele me deixou na varanda, agarrando um buquê murcho que eu tinha comprado para um teste de madrinha, o cheiro de rosas morrendo preenchendo o ar.

E eu esperei. Por três anos, cada dia era um risco no calendário, cada noite uma oração silenciosa por seu retorno seguro. Eu acreditei nele. Dediquei toda a minha energia para ser a futura esposa perfeita, pronta para o momento em que ele voltaria por aquela porta.

Suas ligações eram raras, criptografadas e sempre breves. Todo mês, eu esperava, com o coração batendo forte, pelos meus quinze minutos permitidos. Mas na maioria das vezes, a linha clicava e uma voz monótona dizia: "O tempo pessoal de Lucas Rodrigues já foi utilizado este mês." Aconteceu de novo e de novo. Um nó de pavor se apertava no meu estômago a cada conexão perdida.

Então, mamãe ficou doente. Não um resfriado ou uma gripe, mas algo insidioso, algo que consumia sua força, nossas economias, minha esperança. As contas do hospital se acumulavam como lápides, cada uma um lembrete cruel de como a vida pode se desfazer rapidamente.

Eu precisava do Lucas. Precisava do seu conforto, do seu conselho, da sua... presença. E mais do que tudo, eu precisava do seu adicional de periculosidade, o dinheiro que ele certamente estava ganhando. Liguei para a linha segura, minha voz rouca, implorando por apenas um momento para falar com ele.

A mesma voz fria e robótica respondeu.

"O tempo pessoal de Lucas Rodrigues já foi utilizado."

Meu sangue gelou. Utilizado? De novo? Enquanto minha mãe lutava pela vida? Eu ouvi as palavras, mas elas não faziam sentido. Todo o seu tempo de ligação. Cada minuto, desviado. Foi como um soco no estômago, uma traição muito mais profunda do que uma simples ligação perdida.

Senti uma onda de náusea, uma mistura vertiginosa de desespero e fúria. Virei-me da cabine telefônica, as luzes fluorescentes da instalação zumbindo asperamente, pronta para simplesmente ir embora. O que eu estava fazendo ali?

Naquele momento, uma risada familiar ecoou pelo corredor. Bruna. A amiga de infância de Lucas, sua "irmãzinha", com o rosto brilhante e despreocupado. Ela praticamente saltitou passando por mim, um segurança sorrindo calorosamente para ela, acenando para que ela passasse por uma porta restrita que eu não podia nem me aproximar. O sorriso do guarda desapareceu quando viu meu rosto.

"Ah, Alana. A Bruna acabou de conseguir a autorização especial. O Lucas a colocou na lista de prioridades."

Lista de prioridades. Para a Bruna. Enquanto minha mãe estava morrendo.

Ouvi a voz de Lucas então, abafada, mas distinta, através da porta.

"Ela está bem? Bruna, querida, você ainda está chateada com o término? Eu te disse para não se preocupar."

Chateada com o término dela. Enquanto minha mãe estava perdendo a vida. Uma onda de energia desesperada pulsou através de mim. Fui em direção à porta, um grito primitivo se formando na minha garganta. Eu precisava vê-lo. Precisava que ele me visse, que visse o que estava acontecendo.

O guarda, com o rosto agora sombrio, colocou a mão no meu peito.

"Senhora, você não pode entrar. Você não tem autorização."

Sua mão parecia uma barra de aço, me prendendo no lugar, uma parede invisível entre mim e o homem que deveria ser meu futuro. Ele deve ter visto a devastação total em meus olhos, a forma como meus ombros caíram. Ele se inclinou, sua voz baixa, um lampejo de pena em seu olhar.

"Ele tem mandado todo o adicional de periculosidade para ela também, Alana. Para o 'fundo de apoio emocional' dela. Você não sabia?"

O mundo girou. Adicional de periculosidade. Para apoio emocional. Minha mãe, definhando, e o dinheiro de Lucas, nosso dinheiro, financiando a terapia pós-término da Bruna.

Dias depois, mamãe se foi. Sem cuidados paliativos adequados, sem um último esforço desesperado, apenas um desvanecimento lento e doloroso. Ela morreu em meus braços, seu último suspiro um sussurro do meu nome, as contas médicas um peso silencioso e esmagador em meu coração. Eu me culpei. Se eu tivesse sido mais forte, mais inteligente, mais engenhosa. Se eu não tivesse esperado, não tivesse acreditado. Os "e se" se tornaram um mantra cruel na minha cabeça, cada um uma nova chicotada de autoflagelação.

Naquele dia, de pé ao lado de seu túmulo recém-cavado, sob um céu tão cinzento e sem vida quanto meu coração, eu fiz uma escolha. Chega de esperar. Chega de Alana, a noiva paciente e devotada. Lucas Rodrigues era um fantasma, e eu estava farta de me assombrar.

Anos se passaram. A dor diminuiu, as feridas se transformaram em cicatrizes. Eu me reconstruí, tijolo por tijolo doloroso. Encontrei um tipo diferente de amor, um amor firme e inabalável. Davi Sampaio. Meu marido. E agora, estávamos tentando ter um bebê, uma nova vida florescendo das cinzas da minha antiga. Nossa jornada para a paternidade me levou de volta a uma cidade familiar, a uma especialista renomada em problemas de fertilidade: Dra. Evelyn Reed, localizada no mesmo complexo médico onde minha mãe uma vez lutou por sua vida. Uma ironia amarga, mas um passo necessário para o futuro que eu desejava.

Eu estava andando pelo saguão do hospital, perdida em pensamentos, quando o vi. Lucas. Mais velho, sim, mas inconfundivelmente ele, seu perfil emoldurado pela luz do sol que entrava pelas janelas em arco. Minha respiração ficou presa, um nó frio se formando no meu estômago. E ao lado dele, rindo, com a mão possessivamente enfiada em seu braço, estava Bruna Bastos. Ainda sua "irmãzinha", ao que parecia. Ainda prosperando com sua atenção. Eles pareciam... um casal. Um déjà vu doentio e distorcido.

Um grupo de executivos bem-vestidos se aproximou deles, parabenizando Lucas calorosamente.

"Rodrigues, seu trabalho no Projeto Quimera é verdadeiramente inovador! Um patrimônio nacional!", um homem bradou.

Lucas se envaideceu, um sorriso confiante e satisfeito no rosto. Ele não tinha apenas retornado; ele havia retornado um herói. O diretor do projeto, um homem distinto que eu vagamente reconheci das fotos antigas da empresa de Lucas, deu um tapa nas costas dele.

"E agora, com o projeto concluído, talvez finalmente ouçamos sinos de casamento para você e a Bruna, hein, jovem? Já estava na hora!"

Meu sangue gelou. Sinos de casamento. Para eles.

O sorriso confiante de Lucas vacilou. Seus olhos percorreram o saguão, examinando os rostos, um lampejo de inquietação em suas profundezas. Ele estava procurando por algo. Ou alguém. Seu olhar passou por mim, demorou por uma fração de segundo, mas eu me pressionei contra um grande vaso de plantas, desejando ser invisível. Ele não me viu, não de verdade, não a mulher que eu me tornei. Bruna, sentindo sua distração, se inclinou para ele, a cabeça apoiada em seu ombro.

"Ah, Davi, você está sempre brincando com a gente!", sua voz, doce como açúcar, irritou meus nervos. Ela deu uma risadinha, seus olhos maliciosamente olhando para a entrada. "Além do mais, quem sabe, talvez a Alana finalmente tenha encontrado alguém para se casar enquanto o Lucas estava fora. Ele sempre se preocupou que ela fosse fisgada!"

Suas palavras eram para provocar Lucas, mas me atingiram como um golpe físico, um lembrete da vida que eu construí, separada de sua existência venenosa.

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