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Capa do romance A Mentira que Destruiu Tudo

A Mentira que Destruiu Tudo

Após oito anos, Ana Paula revela estar grávida de seu assistente, Ricardo. Sob humilhação constante, sou forçado a aceitar o amante em meu lar. Vítima de um golpe médico que roubou meu rim e de um sequestro forjado, fui deixado para morrer em um incêndio criminoso. Sobrevivi à traição extrema e ao cárcere privado em minha própria casa. Agora, busco o apoio de Laura para desmascarar os culpados, recuperar minha liberdade e obter a justiça que mereço.
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Capítulo 2

"José Carlos, meu amor, tenho uma ótima notícia para te dar."

Ana Paula, minha esposa há oito anos, sorria para mim, um sorriso que não alcançava seus olhos.

Eu me aproximei, meu coração acelerando um pouco.

"O que foi, Ana? Você conseguiu aquele contrato?"

Ela balançou a cabeça, seu sorriso se alargando.

"Melhor que isso. Estou grávida."

Senti o ar fugir dos meus pulmões. Um filho. Nós tentamos por tanto tempo.

"Grávida? Meu Deus, Ana Paula, isso é maravilhoso!"

Eu a abracei, mas ela me afastou gentilmente. Sua expressão mudou, tornando-se séria.

"Sim, é. Mas, José Carlos, preciso que você entenda uma coisa."

Ela fez uma pausa, e o assistente dela, Ricardo, que estava parado silenciosamente no canto da sala, deu um passo à frente.

"O filho não é seu. É do Ricardo."

O mundo parou. As palavras dela ecoaram na minha cabeça, mas não faziam sentido. Eu olhei de Ana Paula para Ricardo, e de volta para ela. O sorriso presunçoso no rosto de Ricardo era como um soco no estômago.

"O quê?"

Minha voz era um sussurro.

Ana Paula suspirou, como se estivesse lidando com uma criança teimosa.

"É isso mesmo que você ouviu. Agora, vamos ser práticos. Ricardo vai se mudar para cá. Ele precisa estar perto de mim e do nosso filho."

Ela apontou para o quarto de hóspedes.

"Você vai arrumar o quarto para ele. E a partir de hoje, você vai garantir que ele tenha tudo o que precisa. Ele é o pai do meu filho, afinal."

Ela falava com a naturalidade de quem pede um copo d'água. Cada palavra era uma facada.

"Você... você quer que eu... cuide do seu amante? Na nossa casa?"

"Não seja dramático, José Carlos. É o melhor para todos."

Ela continuou, ignorando minha expressão de choque.

"Ricardo gosta de suco de laranja fresco pela manhã. E o café dele é forte, sem açúcar. Certifique-se de que a empregada saiba disso. Ele também precisa de um carro novo. Use o seu cartão de crédito para comprar um para ele amanhã."

Eu fiquei ali, paralisado, enquanto ela ditava as regras da minha própria humilhação.

"Além disso, a partir de agora, você dorme no quarto de hóspedes do outro lado da casa. Ricardo e eu precisamos de privacidade."

Ela caminhou até sua bolsa, tirou uma pequena caixa e a jogou em cima da mesa na minha frente.

"Aqui. Um presente para você. Para mostrar que ainda me importo."

Abri a caixa com as mãos trêmulas. Dentro, havia um relógio. Era um bom relógio, mas significativamente mais barato que os presentes que ela costumava me dar.

"Obrigado" , murmurei, sentindo-me completamente vazio.

Essa era a rotina. Ela me traía, me humilhava, e depois me dava um presente, como se isso pudesse apagar a dor. No primeiro ano de casamento, quando descobri sua primeira traição, ganhei um carro esportivo de luxo. No terceiro ano, um iate. No quinto, um apartamento na praia. Os presentes eram cada vez menos valiosos, assim como eu aos olhos dela.

Uma vez, no início, eu tentei lutar.

"Ana Paula, eu não posso aceitar isso! Eu te amo. Nós podemos consertar nosso casamento."

Ela riu na minha cara.

"Consertar? José Carlos, não seja ingênuo. Nosso casamento foi um arranjo de negócios entre nossas famílias. Eu nunca te amei. Achei que você já tivesse entendido isso."

Ela se aproximou, o olhar frio e calculista.

"Você tem uma vida confortável, não tem? Roupas de grife, viagens, um status que nunca teria sozinho. Tudo isso porque você é meu marido. Não estrague tudo com esse seu sentimentalismo ridículo."

Suas palavras me calaram. Ela tinha razão. Eu era dependente dela, do dinheiro da família dela.

Mas hoje, algo quebrou dentro de mim. Olhei para o relógio na minha mão, para Ricardo sorrindo arrogantemente ao lado dela. Senti uma risada amarga subir pela minha garganta.

Chega.

"Eu quero o divórcio."

As palavras saíram antes que eu pudesse pensar.

Ana Paula parou de sorrir. Ela me olhou, surpresa pela primeira vez em anos.

"O que você disse?"

"Eu disse que quero o divórcio, Ana Paula. Acabou. Eu não vou mais viver assim."

Ela recuperou a compostura rapidamente, um sorriso de escárnio surgindo em seus lábios.

"Divórcio? Você? E para onde você iria, José Carlos? Você não tem nada. Tudo o que você tem, fui eu que te dei."

Ela gesticulou ao redor da mansão.

"Você não sobreviveria uma semana sem mim."

"Eu prefiro viver na rua a passar mais um dia sendo seu capacho."

Eu me virei e fui em direção ao nosso quarto, o quarto que agora seria dela e de Ricardo.

"Eu vou pegar minhas coisas e sair."

Comecei a jogar minhas roupas numa mala, sem cuidado. Eu não queria mais nada daquela casa, daquela vida. Peguei um porta-retratos na mesa de cabeceira. Uma foto nossa, do nosso casamento. Eu parecia tão feliz, tão cheio de esperança.

Com um soluço seco, joguei o porta-retratos no lixo.

Peguei meu celular e disquei um número que não ligava há muito tempo.

"Laura?"

A voz do outro lado era calorosa e familiar.

"José Carlos? Aconteceu alguma coisa?"

"Eu estou saindo, Laura. Estou saindo dela."

Houve um silêncio do outro lado, e então, a voz dela, cheia de uma emoção que eu não conseguia decifrar.

"Eu estou esperando por você. Sempre estive."

Desliguei o telefone, sentindo uma faísca de esperança pela primeira vez em anos. Terminei de arrumar a mala, pegando apenas o essencial. Roupas, alguns livros, meus documentos.

Quando desci as escadas, Ana Paula estava me esperando no hall de entrada, de braços cruzados.

"Você realmente acha que vai a algum lugar?"

Seu tom era zombeteiro.

"Já disse, Ana Paula. Acabou."

Tentei passar por ela, mas ela bloqueou meu caminho.

"Você não vai levar nada que eu te dei."

"Eu não quero nada seu."

"Vamos ver."

Ela estalou os dedos, e dois seguranças apareceram, bloqueando a porta.

"Abram a mala dele. Quero ver o que esse ingrato está tentando roubar de mim."

Senti a humilhação queimar meu rosto, mas mantive a calma.

"Pode olhar. Não há nada aí que seja seu."

Um dos seguranças abriu minha mala, espalhando minhas poucas posses no chão. Eram apenas roupas baratas que comprei com meu próprio dinheiro, livros velhos e meus documentos.

Ricardo se aproximou, olhando os itens com desdém. De repente, ele se abaixou e pegou algo.

"O que é isso?"

Era um pequeno relógio de bolso, de prata, antigo e desgastado.

"Não toque nisso!"

Gritei, meu autocontrole se quebrando. Avancei, mas os seguranças me seguraram.

"É só um relógio velho, José Carlos. Por que tanto barulho?" Ana Paula disse, entediada.

"Não é da sua conta. Me devolva."

Ricardo sorriu, balançando o relógio na frente do meu rosto.

"Eu gostei. Acho que vou ficar com ele."

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