
A Mentira do Câncer: O Preço da Traição
Capítulo 2
No dia do nosso aniversário de casamento, meu marido, Pedro, me presenteou com um processo de divórcio.
Ele o jogou na mesa de centro, o som seco ecoando pela sala de estar silenciosa.
"Assine," ele disse, sua voz desprovida de qualquer emoção. "Eu te dou o apartamento e o carro, mas a guarda do Leo não é negociável."
Meu olhar se moveu dos papéis para o rosto dele. Era o mesmo rosto que eu amava há cinco anos, mas agora parecia o de um estranho.
"Por quê?" minha voz saiu como um sussurro.
Pedro desviou o olhar, ajeitando o colarinho da camisa.
"Eva está doente, ela precisa de mim."
Eva. O nome soou familiar. Então me lembrei, era sua ex-namorada, a mulher com quem ele terminou antes de nos conhecermos.
"Doente?" perguntei, sentindo um nó se formar na minha garganta. "Que tipo de doença exige que você se divorcie da sua esposa?"
"Câncer," ele disse sem rodeios. "Estágio avançado. Os médicos dizem que ela não tem muito tempo."
Senti o chão sumir sob meus pés. Câncer. Era uma palavra pesada, uma sentença.
Mas mesmo assim, algo não se encaixava.
"E isso significa que você tem que voltar para ela? O que eu e o Leo significamos para você?"
"Sofia, não complique as coisas," ele disse, sua impaciência começando a transparecer. "É o último desejo dela. Ela quer passar seus últimos dias comigo. Eu prometi a ela."
Uma promessa. Ele fez uma promessa à sua ex-namorada, e para cumpri-la, ele estava disposto a destruir nossa família.
Nesse momento, nosso filho de quatro anos, Leo, entrou correndo na sala, segurando um desenho.
"Mamãe, papai, olhem! Eu desenhei nossa família!"
Ele nos mostrou o papel com orgulho. Três figuras de palito, sorrindo sob um sol amarelo brilhante. Uma família feliz.
A visão do desenho partiu meu coração.
Pedro nem sequer olhou para o desenho. Ele apenas deu um tapinha na cabeça de Leo.
"Leo, vá para o seu quarto. O papai e a mamãe precisam conversar."
Leo olhou de mim para ele, sua expressão feliz murchando em confusão.
"Mas papai…"
"Agora, Leo!" A voz de Pedro era dura, um tom que ele raramente usava com nosso filho.
Leo se encolheu, seus olhos se encheram de lágrimas antes de ele correr para o quarto, o desenho esquecido no chão.
Peguei o papel, meus dedos tremendo.
"Você não pode fazer isso conosco, Pedro," eu disse, a voz embargada. "Pense no Leo."
"Eu estou pensando nele," ele respondeu friamente. "É melhor para ele ter pais separados do que viver em uma casa onde a mãe é egoísta e insensível."
Suas palavras me atingiram com força. Egoísta? Insensível?
"Eu sou egoísta por querer manter minha família unida?"
"Você é egoísta por não entender a situação da Eva!" ele explodiu. "Ela está morrendo, Sofia! Morrendo! Você tem alguma compaixão?"
Ele pegou as chaves do carro na mesa.
"Eu vou ficar com a Eva esta noite. Pense no que eu disse. Assine os papéis. É melhor para todos."
E com isso, ele se virou e saiu, batendo a porta atrás de si.
Fiquei sozinha na sala silenciosa, o processo de divórcio na mesa e o desenho do meu filho nas minhas mãos.
As lágrimas que eu estava segurando finalmente rolaram pelo meu rosto.
Eu não conseguia entender. Como o homem que jurou me amar para sempre poderia me abandonar assim? Por uma mulher do seu passado?
Uma parte de mim queria acreditar nele, sentir pena da Eva.
Mas outra parte, uma parte mais sombria e cética, me dizia que havia algo mais nesta história.
E eu estava determinada a descobrir o que era.
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