
A Mentira do Câncer: O Preço da Traição
Capítulo 3
Passei a noite em claro, o silêncio da casa era ensurdecedor.
Cada rangido do chão me fazia pular, esperando que fosse Pedro voltando, dizendo que tudo tinha sido um erro terrível.
Mas ele não voltou.
Na manhã seguinte, meus olhos estavam inchados e vermelhos. Olhei para o meu reflexo no espelho e mal me reconheci.
Leo saiu do quarto, seus olhos ainda sonolentos.
"Mamãe, o papai já voltou?"
Ajoelhei-me e o abracei com força.
"Ainda não, meu amor. O papai teve que ajudar uma amiga."
Ele enterrou o rosto no meu ombro.
"Eu não gosto quando o papai grita."
"Eu também não, querido. Eu também não."
Depois de deixar Leo na pré-escola, tomei uma decisão. Eu não ia simplesmente sentar e esperar que meu casamento desmoronasse.
Liguei para a minha melhor amiga, Clara.
"Sofia? O que aconteceu? Sua voz está horrível."
Contei a ela tudo, as palavras saindo em uma torrente confusa de dor e raiva.
Clara ouviu pacientemente. Quando terminei, houve um longo silêncio do outro lado da linha.
"Aquele desgraçado," ela finalmente disse, sua voz cheia de fúria. "Câncer em estágio avançado? Sofia, isso não faz sentido."
"Eu sei," eu disse, enxugando uma lágrima. "Mas ele parecia tão sério."
"Homens sérios mentem o tempo todo," Clara retrucou. "Precisamos descobrir a verdade. Você sabe onde essa Eva mora?"
Eu hesitei. Eu tinha uma vaga lembrança de Pedro mencionando o nome do bairro dela anos atrás.
"Acho que sim. É no bairro da Colina."
"Ótimo. Encontre-me em uma hora. Vamos fazer uma pequena visita."
Uma hora depois, eu estava no carro de Clara, dirigindo em direção ao bairro da Colina.
Meu coração batia forte no peito. O que eu esperava encontrar? Pedro ao lado da cama de uma mulher moribunda?
Ou algo completamente diferente?
Encontramos o endereço em um antigo e-mail que Pedro havia me encaminhado anos atrás, um convite para uma festa de um amigo em comum que morava na mesma rua que Eva.
Era uma casa modesta, com um pequeno jardim na frente.
O carro de Pedro estava estacionado na entrada.
Meu estômago se revirou. Ele estava aqui. Ele passou a noite aqui.
"O que fazemos agora?" perguntei a Clara, minha voz tremendo.
"Nós esperamos," ela disse, seus olhos fixos na porta da frente. "Vamos ver o que acontece."
Não tivemos que esperar muito.
Cerca de vinte minutos depois, a porta da frente se abriu.
Pedro saiu, rindo de algo que alguém disse lá dentro.
Ele não parecia um homem de luto, cuidando de uma amante moribunda. Ele parecia feliz. Relaxado.
Então, Eva apareceu na porta.
Ela não parecia doente. Longe disso.
Ela estava vestindo uma calça de ioga e um top esportivo, seu cabelo preso em um rabo de cavalo. Ela parecia saudável, vibrante.
Ela se inclinou e deu um beijo em Pedro. Não um beijo de despedida, mas um beijo íntimo, demorado.
Senti o ar sair dos meus pulmões.
Era tudo uma mentira.
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