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A Memória do CEO

Na infância, o humilde Evandro saltava muros para visitar Paola, uma menina com leucemia. Após um acidente grave, eles perderam o contato. Anos depois, ele ressurge como Evan, um poderoso CEO bilionário que fundou um hospital oncológico em memória dela. Lá, ele reencontra Paola como médica residente, mas ela não se lembra do passado e ama o Dr. Alessandro, amigo de Evan. Agora, o empresário fará de tudo para reconquistar o coração da mulher que nunca esqueceu.
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Capítulo 1

Evan

Hoje, no Dia das Crianças, vim ao Hospital Memorial Pequena Paola para entregar presentes para as crianças com câncer. Os jornalistas tiram fotos enquanto entrego os presentes para elas em cada leito do hospital.

Bato na porta do quarto onde está a Pequena Maria.

— Pode entrar. — Não reconheço essa voz, mas é de uma mulher.

Escondo o presente atrás das costas e abro a porta do quarto. 

— Com licença. — Sorrio ao ver a Maria dormir ao lado do seu urso de pelúcia favorito. Peço que os repórteres se retirem para que não incomodem ela e fecho a porta.

A médica que está com a Maria regula o soro da pequena e diz baixinho me dando um sorriso:

— Bom dia, senhor Carvalho. A Maria acabou de dormir. Não estava muito bem de madrugada.

— Entendo. Deixarei o presente aqui. — Coloco o embrulho em cima da mesa e pego um bloco de notas no meu bolso da calça. Procuro pela minha caneta nos bolsos da minha roupa, mas não acho. — Pode me emprestar sua caneta?

Ela estende a mão com a caneta, pego-a e escrevo um bilhete para a Maria, deixo em cima do presente e devolvo a caneta para a… médica mais bonita que eu já vi em toda a minha vida. Não havia reparado antes, mas agora me falta até ar para falar.

Olho para o seu jaleco, está escrito Paola S., um belo nome.

— Não te conheço. — Coloco as mãos nos bolsos.

— Perdão. Meu nome é Paola Silveira, eu sou residente.

— É um prazer, Paola! — Estendo a mão e ela a toca. Sua mão é macia e pequena. — Sua mãe está de parabéns por ter te dado esse nome.

Ela dá um risinho e ajeita o coque do seu cabelo cacheado.

— Sim, claro, o nome do hospital…

Alguém abre a porta. É o Alessandro, meu melhor amigo e médico pediatra.

— Já acabou de dar os presentes, Evan? — Ele dá dois tapinhas nas minhas costas.

— Já. Só estava batendo um papo com sua residente.

— Não dá muita corda que ela é tagarela. — Ele dá um riso olhando para ela. As bochechas dela ficam vermelhas. 

Alê pega o prontuário da Maria e começa a informar algumas coisas para a residente. Seus cabelos me lembram da Pequena Paola, ela tinha um cabelo lindo, mas me irritava porque sempre tinha um fio do cabelo nas comidas que ela me dava.

Sorrio ao lembrar do dia que esfreguei uma manga mole no seu rosto como forma de vingança…

À noite, voltei ao hospital para obrigar Alessandro a sair comigo para uma noitada.

Ele está conversando com a residente na frente do hospital. Ele ri de algo que ela contou. Aproximo-me dos dois e os cumprimento.

— O que está fazendo aqui? — Alessandro acende um cigarro.

— Vim te chamar para sair, mas parece que já está acompanhado. — Olho para a moça e ela abaixa a cabeça.

— Só estamos batendo um papo enquanto a mãe dela não chega.

Seguro o riso e estreito os olhos. Ela tem quantos anos? Nove?

— É que eu tenho medo de dirigir e ela tem medo que alguém roube meus órgãos no caminho para casa. — Ela encolhe os ombros. — É um saco, mas pelo menos vou continuar com meus órgãos. — Ela dá um risinho.

Viro o rosto para o lado, tentando manter a postura. As duas ainda estão ligadas pelo cordão umbilical?

— Boa noite, doutor Alessandro! — Essa voz me parece familiar. Olho para a mulher que dá um beijo no rosto do Alê e meu peito quase pula para fora. É ela, é a mãe da Paola, mas com cabelos grisalhos. É a mãe da minha amiga.

Dona Janaína me cumprimenta como se não me conhecesse, Paola se despede de mim e do Alessandro e, de mãos dadas com a mãe, ela vai em direção ao carro. Esse é o mesmo sentimento que senti da última vez vendo ela ir embora.

— Evan? Cara…

Dói igualmente.

— Evandro?

Corro até o carro o vendo ir embora enquanto grito para que o pare. Dona Janaína freia abruptamente quando me coloco na frente dele e caio no chão pelo susto da proximidade.

Paola corre até mim e se ajoelha.

— Senhor Carvalho, o que foi isso? — Ela arregala os olhos.

Toco no seu rosto e a abraço. Fecho os olhos e sinto um alívio imenso, até que uma forte dor na cabeça me faz desmaiar…

21 anos atrás:

Minha boca saliva olhando para as mangas da vizinha. Pego uma cadeira da minha casa e coloco próxima ao muro, pego mais dois tijolos e coloco um em cima do outro na cadeira. Subo em cima de tudo e com muito esforço sento no muro. Fico de pé e ando até um tronco grosso do pé de manga, sento em cima dele com uma perna de cada lado e pego uma manga. Mordo e a como com a casca sem nem ver se tem bichinho.

— Ei!

Olho para baixo, uma menina vestida de princesa coloca uma escada perto da árvore.

— Agora você consegue descer.

— Para quê? Oxi. — Pego mais uma manga.

— Não tá preso aí? — Ela coloca as mãos na cintura.

— Não!

A menina sobe na escada quase conseguindo chegar perto de mim e olha para a minha manga.

— Quer? 

Ela balança a cabeça querendo.

— Pega para você então.

— Mamãe não deixa eu subir na árvore.

Suspiro. Não tenho paz nesse mundo nem para comer! Só não jogo a manga na cara dela porque minha mãe disse que eu levaria uma vassourada na bunda se não parasse de jogar fruta nas meninas do bairro.

Dou uma manga para menina, ela sorri e pergunta:

— Quer brincar comigo?

— Não! Eu quero comer manga em paz.

— Minha mãe fez goiabada. Posso pegar escondido.

— Eu quero brincar com você!

Ela desce da escada e entra na casa. Também desço e sento no chão de baixo da árvore. A menina volta com um pote de goiabada, queijo e uma colher.

— Só faz silêncio que minha mãe tá cochilando e vendo novela mexicana. — Ela se senta do meu lado.

— Não dá para ver novela e dormir ao mesmo tempo. — Pego o pote, a colher e enfio um monte de goiabada na boca. Que delícia!

— Dá, sim. Minha mãe disse que dá. 

Não falo nada, porque gente ignorante não muda de opinião nunca…

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