Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance A matilha perdida

A matilha perdida

Há seis anos, ele sumiu após nossa entrega total, deixando-me grávida e sozinha. Enfrentei o luto pelos meus pais e criei meu filho e minha irmã com sacrifício. Após a traição do meu marido, busquei recomeçar em uma cidade montanhosa para salvar meu filho rebelde, Jaxon. Lá, descobri que o alfa da matilha local é o homem que me abandonou. Ele nem imagina que sou mãe de seu herdeiro. Esta obra de harém reverso explora segredos perigosos e intensas relações BxB.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 2

Ponto de vista de Paige:

"Eu sei exatamente o que você tem feito, Greg", declarei assim que desci as escadas na manhã seguinte e o encontrei sentado à mesa, comendo cereal.

Mal terminei de falar, e ele já fechou o rosto numa expressão amarga e levantou os olhos na minha direção, a colher ainda suspensa no ar.

"O que você acha que eu tenho feito?", ele rebateu com ironia.

Sem dizer nada, joguei meu celular sobre a mesa diante dele. A tela iluminou, revelando mais mensagens — o nome "Leanne", a foto dela, as conversas…

"Bom dia, meu lindo. Sinto falta do seu toque. Hoje à noite, depois que ela dormir? Você me faz sentir viva novamente. Viva de novo!"

Enquanto ele reacendia outra vida nos braços de alguém, eu estava murchando aos poucos.

"Você ama ela?", perguntei, com a voz vacilante. E isso me irritou, pois detestei parecer tão vulnerável diante dele.

Greg encarava o celular como se tivesse uma arma à sua frente, e talvez fosse mesmo, já que eu estava exausta de fingir ser a esposa compreensiva que ignorava o abandono e recolhia os cacos.

"Ela não significa nada. Foi só uma situação complicada", disse ele, soltando um suspiro.

"Na verdade, não tem nada de complicado. É bem simples. Você transou com ela enquanto eu estava com Jaxon, me desdobrando para manter esta casa e ainda tentando acreditar que havia salvação para o nosso casamento", rebati, recuando um passo e cruzando os braços, resistindo à vontade de atirar a tigela nele.

Um silêncio tenso se instalou.

"Eu precisava de algo só meu, Paige. Você tem estado tão... distante. Desde o começo, você nunca se entregou de verdade. Sempre ficou presa ao passado, esperando que seu querido Ryder voltasse para você."

Abri a boca para rebater, mas a fechei logo em seguida. Será que ele tinha razão? Será que a culpa era minha?

"Talvez você esteja certo. Talvez eu tenha me agarrado à antiga versão de mim mesma, aos pedaços quebrados que tentei colar, à ilusão de que você poderia me amar como sou. Mas eu nunca serei a mulher que você tenta me transformar. E o meu filho também não será", concluí, respirando fundo.

"Mamãe", chamou Jaxon, sua voz fraca vindo do andar de cima, me fazendo virar para sair.

"Onde você vai?", perguntou Greg, arrastando a cadeira ao se levantar.

"Para bem longe. Para um lugar onde eu e Jax possamos respirar. Longe de você e dessa farsa. Quero o divórcio."

Com essas palavras, subi as escadas e preparei duas malas, uma minha e outra de Jaxon.

Greg não disse uma só palavra para impedir, nem tentou se desculpar quando saímos pela porta, deixando para trás o que um dia chamei de lar.

Jaxon ficou em silêncio durante o trajeto, e eu o observava pelo espelho retrovisor. Seus olhos estavam inquietos enquanto abraçava seu ursinho de pelúcia cinza com força. Ele sabia que algo estava errado, e me partia o coração saber que ele também sofreria por causa das escolhas de Greg.

"O que acha de passarmos na cafeteria para tomar café da manhã com panquecas?", sugeri.

"Greg vai também?"

"Não, querido. Agora somos só nós dois. Vai ser uma aventura", respondi, tentando soar animada.

"Para onde vamos?"

"Vamos morar perto da tia Poppy", sorri, mas os olhos de Jaxon se encheram de lágrimas com minha resposta.

"Vai ficar tudo bem, meu amorzinho, eu prometo", falei, tentando acalmá-lo.

"E meus amigos? E a vovó e o vovô?", ele perguntou baixinho.

"Você vai fazer muitos amigos novos. E a vovó e o vovô estarão sempre conosco em espírito, te protegendo de onde estiverem."

Enquanto Jaxon saboreava as panquecas, aproveitei para fazer algumas ligações.

O proprietário da casa que Poppy me indicou foi muito compreensivo e, após checar alguns dados, permitiu que nos mudássemos ainda hoje.

Eu só havia visto as fotos da casa no link que Poppy mandou, mas confiei quando ela disse que era exatamente como aparecia. E ela estava certa, pois a casa era encantadora e, ainda que fosse menor do que nossa antiga casa, era perfeita para mim e Jax.

Não consegui encontrar muitas informações sobre a cidade, mas a escola parecia excelente e, depois de conversar por telefone com a diretora, tive a impressão de que Jaxon se adaptaria com facilidade. Por isso, agendei uma visita ao colégio para o dia seguinte, no período da tarde.

Após o café da manhã, passamos por uma floricultura próxima, e deixei que Jax escolhesse suas flores favoritas, enquanto eu optava por algumas lavandas e rosas azuis para compor o arranjo que deixaria no túmulo dos meus pais.

Ao me aproximar do caixa, notei algumas rosas pretas e resolvi pegar uma para incluir na compra. Nesse momento, invadiu minha mente uma lembrança de Ryder, que sempre me presenteava com uma rosa solitária e explicava o significado de cada cor.

"Deseja que eu coloque essa no arranjo?", perguntou a florista.

"Não, obrigada. Separe essa, por favor."

Assim que chegamos ao cemitério, Jax depositou as flores sobre a lápide dos meus pais. No dia em que eles faleceram em um trágico acidente de carro, eu ainda estava internada após o parto e ele tinha apenas um dia de vida, mas eu sempre fiz questão de que ele conhecesse a história deles.

Até aquele momento, eu acreditava que perder Ryder tinha sido o pior acontecimento da minha vida. Meus pais foram os melhores que alguém poderia ter, permanecendo ao meu lado durante toda a gestação e também nos momentos em que chorei por Ryder. Eu ainda carregava uma dor profunda por eles e pelo meu filho — eles teriam amado conhecer Jaxon, e me machucava saber que nunca tiveram essa chance.

Agora, senti uma saudade imensa da minha mãe, ciente de que, se ela estivesse aqui, teria as palavras certas para me encorajar a seguir em frente.

Depois de um tempo, voltamos para o carro, prontos para deixar essa cidade e iniciar um novo capítulo, mas ainda havia um último lugar onde eu precisava ir.

Estacionei diante de um bangalô isolado, a antiga casa de Ryder, e fui tomada pelas memórias. Desde que comecei meu relacionamento com Greg, eu não pisava ali, pois visitar esse lugar pareceria uma traição. Contudo, no fundo, a entrega dele jamais se igualou à minha.

O jardim, que antes era bem cuidado, agora estava coberto de ervas daninhas, e a pintura do pequeno portão de ferro já descascava. Mesmo assim, havia algo preservado na estrutura da casa.

"Quem morava aqui, mamãe?", Jax perguntou curioso.

"Esse era o lar do seu pai antes de ele desaparecer", expliquei com suavidade.

Apesar de ainda ser muito novo para entender por completo, nunca escondi a verdade de Jaxon, porque jamais queria que ele crescesse acreditando que foi rejeitado pelo próprio pai.

"Você acha que ele pode estar se escondendo aí dentro? Podíamos tentar encontrá-lo. Talvez ele esteja escondido debaixo da cama. Eu me escondo lá quando fico com medo", disse Jax, e eu sorri diante da sua inocência.

"Não, meu amor, ele não está ali", respondi com um suspiro, soltando meu cinto de segurança.

"Posso sair?", Jaxon perguntou ao me ver sair do carro.

"Claro que sim", respondi, abrindo sua porta, ajudando-o a sair da cadeirinha e pegando a rosa preta que estava no banco do passageiro.

O portão de ferro soltou um rangido agudo enquanto eu forçava as dobradiças enferrujadas para abri-lo, mais uma evidência de que ninguém havia pisado ali por muito tempo. Eu imaginava que a casa já estaria colocada à venda, o que tornava ainda mais intrigante o fato de ela continuar desocupada.

De mãos entrelaçadas com Jax, seguimos até a porta principal. O frio na barriga era o mesmo que senti da primeira vez que percorri este caminho para nosso encontro inicial.

Os pais de Ryder haviam saído naquela noite, e ele me chamou para assistir a um filme juntos. Ainda me lembrava perfeitamente da sensação de prender a respiração quando ele abriu a porta e seus olhos azuis intensos se encontraram com os meus.

Começamos sentados com certa timidez, cada um numa extremidade do sofá, dividindo um pacote de pipoca. Conforme o filme avançava, nossas mãos foram se aproximando até que nossos dedos mindinhos se tocaram. Aquele leve toque fez meu coração acelerar, e naquele instante soube que Ryder marcaria minha vida para sempre.

Nunca experimentei com ninguém aquilo que sentia ao lado dele. Cada gesto seu era como um remédio delicado para minha alma. Seus beijos tinham o poder de reviver tudo dentro de mim, e seus abraços pareciam barreiras contra o mundo, fazendo-me sentir completamente protegida...

Jaxon apertou minha mão, me puxando de volta à realidade e quebrando o ciclo da lembrança, então subiu no degrau da entrada, encostou a palma da mão na porta e fechou os olhos.

"Ele não está aqui", murmurou, recuando para me dar a mão novamente.

Ajoelhei-me e deixei a rosa preta sobre a soleira da porta.

"O que essa preta quer dizer?", Jax perguntou com curiosidade.

"Ela simboliza força, resistência e esperança. Também pode representar empatia... ou o encerramento de um ciclo", respondi, feliz por dividir um pouco da visão do pai com ele.

Lancei um último olhar à fachada da casa, me virei e comecei a caminhar de volta. Era o fim de um capítulo importante na minha história, o momento de me libertar do passado e deixar os fantasmas onde pertencem. Agora que poderíamos viver com foco no que ainda estava por vir, eu só torcia para que o futuro fosse mais gentil do que tudo que havíamos deixado para trás.

Quando ultrapassamos os limites da cidade, olhei pelo retrovisor mais uma vez. Fomos felizes ali, mesmo que por pouco tempo, mas agora aquele lugar carregava mágoas e decepções, e chegava a hora de criar novas histórias... em um novo lar.

Você pode gostar

Capa do romance Amor ou vingança
9.1
Sarah, herdeira poderosa de Sheron e Noah, teve sua infância feliz destruída por uma visão trágica. Após onze anos sem memórias, vivendo sob os cuidados da leal Karol, ela descobre a verdade sobre sua linhagem. O despertar de suas lembranças acende um desejo de vingança, mas a bruxa que a perseguia retorna e mata sua mãe adotiva. Diante da repetição do trauma, Sarah enfrentará um dilema: sucumbir ao ódio ou permitir que um novo amor cure suas feridas profundas.
Capa do romance Aprisionada nas Arábias
8.9
Ashilley lutou bravamente contra suas captoras, mas acabou vestida com trajes de odalisca que realçavam sua silhueta. Levada a um tablado improvisado, ela percebeu com horror que seria leiloada para nômades no deserto. O pânico tomou conta, até que um silêncio repentino anunciou a chegada de um estranho imponente. Sem pronunciar uma palavra, o misterioso visitante a resgatou, levando-a em seu cavalo rumo à imensidão das areias escaldantes.
Capa do romance Cavaleiro Sombrio
8.5
Em um reino totalmente consumido pelas trevas, um guerreiro solitário vaga sem aliados ou um povo para defender. Desprovido de vínculos, este cavaleiro decide mergulhar nos abismos mais profundos da escuridão para enfrentar o mal absoluto. Sua missão é combater as forças sinistras que assolam a terra, lutando sozinho para restaurar a ordem e resgatar o mundo do caos total. Uma jornada épica de coragem onde a última esperança reside em sua lâmina.
Capa do romance Filhas de Hécate: sangue Impuro.
8.1
Rejeitada por ser uma híbrida de bruxa e lobisomem, ela suportou anos de humilhação em sua alcateia. Chamada de impura, sua única força vinha da crença de ser única, não fraca. Contudo, sonhos com uma entidade sombria e gélida passam a atormentá-la. Apesar do medo, os olhos tristes desse ser evocam uma conexão profunda e inexplicável. Seria ele o companheiro destinado que todos diziam que ela nunca teria? Ela precisa desvendar esse mistério milenar.
Capa do romance Golpes Que o Destimo Preparou
8.1
Hanna Foller, viúva do mafioso Lama Negra, viveu anos de servidão letal após ser traída por um amante da CIA. Punida pela organização, ela se tornou uma peça perigosa em negócios sombrios. Seu caminho cruza com o de Ethan Sthein, um delegado frio e autoritário especializado em caçar criminosos. Entre o trauma do passado e o dever da justiça, os dois enfrentam uma paixão explosiva, onde o desejo de amar disputa espaço com a sede de vingança e a luta pela sobrevivência.
Capa do romance Luna se apaixonou por outro Alfa depois que seu companheiro a traiu
8.8
Era o aniversário do Alfa Marc Dale naquele dia, e ele trouxera de volta uma ex-parceira, Lucy Burton. Ela fora sua parceira antes e o havia abandonado completamente. Marc então me deu tudo o que eu queria enquanto a torturava sem piedade. Ele até a jogou em um porão. No entanto, no nosso aniversário, eu o vi no quarto, e ele estava segurando Lucy e marcando-a como sua. "Você não esperava se apaixonar por mim novamente, esperava? E se sua Luna descobrir?", ela disse. Marc respondeu: "Estou fazendo isso para te punir." Lucy riu suavemente e virou-se para me olhar do lado de fora da porta. "Como é ver seu próprio Alfa na minha cama?", ela articulou silenciosamente para mim. Ela até levantou a mão com desdém. Ela usava um anel de casamento igual ao meu. Naquele instante, minha loba uivou em agonia novamente, e a dor se espalhou pelo meu corpo. "Lucy, com quem você está falando?"