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Capa do romance A maldição dos Sales

A maldição dos Sales

Lucy Sales herda uma fortuna de sua falecida avó, mas deve se mudar para a antiga cidade de seu pai. Lá, ela conhece Cedrik e um sentimento intenso surge entre eles. Contudo, o romance é alvo de uma maldição ancestral que condena os amantes às chamas pelos erros do passado. Agora, os dois adolescentes correm contra o tempo para quebrar esse feitiço cruel. Eles têm apenas até a meia-noite para desafiar o destino e garantir que esse amor sobreviva.
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Capítulo 3

Lucy entra em sua casa, sua mãe estava no sofá, vendo TV.

— O que foi? —  Mary perguntou, estranhando o olhar da filha. —  Lucy respirou fundo, estava furiosa.

— Sóbria? Que novidade mamãe. — Ela ironiza.

—  Que tom é esse? Como ousa?

— Por que não me disse que eu tinha uma avó?! —  Lucy ver o rosto de sua mãe embranquecer, cada gota de sangue sumir.

—  Do que está falando? —  Mary recua.

— O que mais esconde? Quem mais eu tenho que esperar morrer, para saber que existe?

— Quem te contou?!

— Ia mentir para sempre?! —  Lucy ri, de maneira cansada e gozada. —  Ia me prender a você e usar meu dinheiro para seu vício para sempre?

— Eu ia te contar no momento, certo. — Mary se levanta, e tenta chegar perto de Lucy, e que se afasta.

— E quando seria? —  Ela diz quase injada. —  Quando iria se portar como uma mãe para variar?

— Você não entende. —  Mary começa a chorar.

— O que? Quer você é muito egoísta. —  Ela vira de costas, não queria ver o teatro de sua mãe. —  Já passou pela sua cabeça, que eu quisesse uma avó? Alguém que realmente cuidasse de mim?

— Acredite, foi melhor não conhecê-la, ela pediu que eu partisse com você.

— E por que deixou sua herança para mim? Porque ela pagou a pensão por anos, não parece algo que alguém que me odiasse faria.

— Por que você é a última descendente dos Sales, para quem mais ela deixaria? — Mary respira fundo, não queria discutir. —  Ela não tinha escolha.

— O advogado vem amanhã, porque não me disse? — Mary enfim desiste, ela sabia que não tinha como fugir daquela conversa.

— Não queria que soubesse de sua avó, não queria que tivesse que voltar.

— Voltar, voltar para onde?

— Pra lá, para aquela maldita cidade! — Mary diz, meio confusa.

— Onde ele morreu?! — Lucy fica confusa, não sabia como seu pai tinha morrido, sua mãe jamais disse algo sobre ele.

— Onde tudo acaba, não vamos voltar, está me ouvindo, não importa o quanto o advogado insista, você nunca vai voltar.

— Mãe, por favor, não me trate como criança, me explique o que está acontecendo?

— Não posso, não é como se eu não quisesse, eu só não posso.

— Por que não?

— Eu não sei, mas não posso. — Mary parece está perdida por um momento. — Só sei que não deve voltar.

— Me poupe dessas mentiras.

— Me respeite! — Mary grita, ela sentia aquela sensação de novo, como se existisse algo que ela precisava lembrar, mas ela não sabia o que.

— Então se dê ao respeito! — Mary, dá um tapa em Lucy que a olha furiosa.

— Ontem eu quase me matei porque não aguento mais! — Lucy mostra os pulsos com um pequeno arranhão.

Mary olha para filha sem acreditar, seus olhos se enchem de lágrimas, ela sabe que é um fracasso de mãe, que Lucy tem sido muito paciente, mas nunca pensou que Lucy poderia pensar em ser matar.

— Filha eu...

— Não venha dizer coisas doces, minha vida é um inferno! Eu vivo por você, e você nem liga.

— Você acha que eu não sei? Eu queria ser forte, mas não sou.

— Então eu tenho que ser forte por nós duas?!

— Vá pro seu quarto! — Mary diz brava, Lucy nunca a enfrentou dessa maneira.

— Não suporta ouvir verdades. —Lucy diz indo pro quarto.

Mary olha para garrafa, em cima de uma mesinha e pensa em tomá-lo, quando a garrafa voa e se espatifa na parede.

— Não há quero nisso, ela não é forte o bastante! — Mary diz olhando para o local em que a garrafa foi jogada.

Lucy chora em seu quarto, não acreditava no que sua mãe foi capaz, e se sente culpada por ter falado tudo que sentia para mãe, mas ela realmente se sentia cansada de tomar conta dela.

Pela manhã Verônica liga para a amiga.

—Tem certeza que não irá? — Verônica diz triste.

— Eu preciso saber mais sobre essa avó que não conheci, e sei que minha mãe não vai me contar.

— Tá bom, mas me ligar para falar o que aconteceu.

— Tá bom.

— Beijos baranga! — Lucy sorrir.

— Beijos coisa!

Lucy desliga o telefone olha para o relógio, iria dá nove horas, ela se levanta logo o advogado chegaria. Um carro preto para de frente a uma casa, de cor azul um tanto desbotada, o senhor Kinderman fica surpreso de uma Sales morasse ali, mas decidiu bater na porta.

Mary abre aporta, ele fica impressionado com a beleza da mulher, mesmo, Mary estando muito magra para uma mulher de sua idade, ela era incrivelmente linda.

— Aqui que mora a senhora Sales, viúva de Dick Sales? — Mary olha para o lindo rapaz de cabelos loiros e olhos negros.

— Sim, sou eu.

— Kinderman advogado da senhora Bethany Sales.

— O senhor poderia entrar? — Mary abre mais a porta.

— Sim. — Lucy desce as escadas e fica surpresa  ao ver a mãe, bem vestida e de cabelos presos.

— Bom dia! — Lucy diz olhando ainda admirada para mãe.

— Deve ser Lucy Sales? Herdeira de Bethany Sales.

— É acho que sim. — Lucy diz tímida

— Vamos acabar com isso, tenho que voltar ainda hoje.

— Sente-se! — Mary diz se sentando, Lucy se senta também.

— Bom a Senhora Sales deixou uma pequena fortuna, no seu nome, porém a uma condição para poder ter essa fortuna.

— Qual seria? — Mary diz desconfiada imaginando qual seria a condição.

— Lucy terá que morar na cidade de Cameron.

— Não! — Mary diz assustada com a possibilidade de sua filha ir para aquela cidade.

— E se eu não quiser ir? – Lucy pergunta, ela também está assustada com a possibilidade de ir embora.

— Sua herança será doada para uma casa de órfãos.

— Não há outro jeito? — Lucy diz preocupada, ela não trabalha, ainda não terminou os estudos.

— Lamento que sua avó foi bem específica, ela até escolheu a escola que deveria estudar quando for se mudar. — Lucy estava sem chão, o que ela faria?

— Ela não vai! — Mary fala, agressivamente para o homem.

— E do que acha que vamos viver? — Lucy diz com raiva, ela queria ficar, mas ela não tinha emprego, sua mãe não trabalhava, era impossível para ela sobreviver sem a pensão pelo menos até ela arrumar um emprego.

— Damos um jeito!

— "A é claro que damos". – Lucy fala sem paciência.

— Então o que decidem?— O homem diz olhando para Lucy.

— Iremos!

— Não vou! — Mary grita.

— Então fique porque eu vou. — Lucy sabia que as coisas iam ser diferentes, mas não havia alternativa.

— Mandarei buscá-las amanhã à noite. — Lucy se surpreendeu com a rapidez.

— Por que tão rápido?

— Por que sua avó deu um mês, e como só consegui encontrá-las essa semana, preciso de você segunda de manhã na escola de Cameron ou pelo menos na cidade, para assinar o acordo.

— É muito...

Lucy não sabia o que dizer tudo tão rápido tão confuso.

— Não vamos! Eu sou a mãe aqui! — Mary diz com raiva.

— Então se porte como uma, e se preocupe com o meu futuro. Porque você não pode pagar uma faculdade. — Lucy estava brava com a mãe, parecia que não entendia como as coisas estavam difíceis, e poderia piorar.

— Você não pode ir!

— Engraçado, eu não ligo. — Lucy pensou como seria bom se ela tivesse uma nova vida, e talvez ela precise se mudar para isso acontecer.

Kinderman ficou olhando aquela briga e percebeu que a chegada de Lucy, seria bem mais turbulenta do que ele pensava, mas ele apenas ouvia boatos de fato nunca tinha pisado na pequena cidade.

— E como ela era? — Lucy perguntou para o homem, que levou alguns segundos para compreender sua pergunta.

— Nunca vi sua avó pessoalmente, mas por telefone ela sempre foi muito gentil.

— Sabe porque ela nunca me procurou? — E então o homem encarou aqueles lindos olhos brilhantes e se esqueceu do que estava fazendo ali.

— Preciso ir, não posso ficar mais aqui. — Ele simplesmente se levantou e se foi.

Lucy achou estranho a maneira que o homem ágil, porém preferiu não discutir.

— Então nos vemos amanhã.

Após se despedir, Kindermann marcou as passagens de avião para uma cidade próxima a Cameron e pagou um táxi para buscá-las no outro dia.

— Ele sabia que não devia voltar a vê-las, havia um certeza de que nunca mais ele deveria ver Lucy Sales.

Lucy ligou para Verônica desesperada, ela nem sabia como começar aquela conversa, mas decidiu ser o mais prática possível.

— Eu vou embora! — Ela disse antes mesmo de Verônica dizer "alô "

— Calma o que aconteceu? — Verônica diz se ajeitando na cama, pois ainda estava deitada.

— Eu vou embora amanhã! — Lucy diz como se para si mesmo, como se precisasse acreditar em suas palavras.

— Como assim, explica direito?

— Minha avó deixou em testamento que eu devo voltar, é a única maneira da minha herança ser entregue a mim.

— E você vai?

— Claro , como vou sustentar minha casa?

— Mas tão rápido? — Verônica não queria acreditar.

— É complicado, mas eu tenho que estar lá amanhã.

— Vou ir agora.

— Mas não devia estar na praia? — Lucy pergunta confusa.

— Não, meu pai teve uma emergência de madrugada.

Verônica chega uma hora depois, seu cabelo estava preso em coque, e ela usava óculos escuros.

— O que está acontecendo, estão enlouquecendo ou o que?

— Minha vó quer que eu more lá.

— Lá a onde? — E de repente Lucy percebeu que não lembrava o nome da sua nova cidade.

— Sei lá, isso não importa.

— E sua mãe?

— Não quer ir.

— Então, é melhor que não vá, posso ligar para o meu tio, ele é advogado, consegue pegar seu dinheiro, fique tranquila.

— Mas acho que minha vó, queria que eu conhecesse a cidade onde meu pai nasceu, acho que já fez isso, para que eu tenha um pouco dele comigo, e de certa forma acho que isso me fará bem.

— Mora com um monte de chucros? — Verônica não imaginava nada pior.

— Eu tenho que ir, o que posso fazer? — Lucy sabia que não seria fácil, mas era melhor do que passar a vida sem entender sua história.

— Mas assim do nada?

— É o jeito.

— Eu não quero que vá. — Verônica abraça a amiga.

— Eu não quero ir, mas preciso, e pelo que entendi é uma pequena fortuna, posso fazer muita coisa com isso.

— Deve ter outro jeito de conseguir esse dinheiro sem partir

— Não tem, nada que não passasse do prazo que me foi dado.

— Mas o que eu vou fazer sem você?

— Vai ser a mesma de sempre, forte e determinada. – Lucy diz secando as lágrimas da amiga.

— Eu sou uma vaca!

— Uma vaca forte e determinada, nunca vi você se deter a ficar com alguém só porque ele tem uma aliança no dedo. Tem que ter força de vontade para isso.

— Verdade! — Verônica sorri.

— Então que as mulheres cuidem de seus maridos, porque Verônica não tem mais uma amiga para lhe dar um pouco de consciência. — Lucy diz brincando.

— Verdade, sem o meu grilo falante sou um ser perdido, e vou pegar o marido da professora Cindy.

— Não faça isso, ela é uma ótima professora.— Verônica tinha fascínio pelo proibido.

— O marido dela é tudo de bom! — Lucy revirou os olhos, ela não concordava com essa loucura de Verônica.

— Quem vai cuida de você? — Lucy diz chorando, ela realmente temia que Verônica fizesse alguma idiotice antes de terminar os estudos.

— Minha casa tem quartos vazios! — Verônica pisca.

—Não posso ficar na sua casa.

— Porquê?!

— Por favor, não faz ser mais difícil!

— Tá bom, mas como perdemos a virgindade no mesmo dia, se você estiver longe?

— Quantas vezes tenho que te dizer?  “VOCÊ NÃO É MAIS VIRGEM!"

— Magoou, saber como perdi minha virgindade e não foi legal.

— Você bebeu todas, e dormiu com um o cara gato.

— Eu sempre quis perder com um homem casado. — Lucy sempre achou que esse fetiche que Verônica tem iria arrumar muitos problemas.

— Preciso arrumar minhas coisas V.

— Que nada vamos organizar uma festa de despedida.

Verônica teve a grande ideia de se despedir de Lucy em uma festa com todos os seus amigos.

—Oi Lucy! —O garoto ruivo fala tímido.

— Oi!

— Eu queria que soubesse que nunca vou te esquecer. — Lucy queria saber o que dizer, mas apenas abraça o garoto.

— Ei! — Uma menina a puxa. — Nova escola, novos gatos, em. – A garota que parecia ter bebido demais começa a chorar.

— Não fique assim Alice. — Lucy a abraça. —Eu vou voltar.

— O que será da doida sem você? — Ela a ponta para Verônica que estava linda e bela dançando de mini saia provocando um garoto.

— Conto com você. —  A menina olha bem a Lucy e depois para Verônica.

— Acho que em menos de uma semana, ela estará em um internato.

— Não seja má. — A garota ri.

— Os pais dela só a aguentam por sua causa, eles tinham esperança que você a salvasse.

—  Ela é uma pessoa maravilhosa, só é muito sozinha, precisa ficar por perto.

—  Ela nunca mais terá uma amiga como você, se eu fosse ela entraria naquele avião junto com você.

—  Bem que eu gostaria. —  Lucy imaginou como seria maravilhoso ter sua amiga nessa sua nova aventura.

Lucy passou a festa toda chorando, toda vez que alguém a abraçava, ela se sentia menos feliz com a viagem, "e se tudo desse errado? E se ela não tivesse amigos? Tudo era tão rápido tão assustador", após uma despedida digna, Lucy foi para casa, havia tantas coisas para ajeitar.

Lucy se despediu de Verônica, arrumou as malas e se preparou para ir embora, sua mãe não dizia nada, mas também arrumou as coisas para que elas pudessem ir. A mãe de Veronica disse que cuidaria da casa até que elas pudessem voltar. Lucy desceu do avião com um friozinho no estômago, ela sabia que agora tudo mudaria.

Ela não tinha ideia de como mudaria.

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