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Capa do romance A mais doce vingança da esposa do Don

A mais doce vingança da esposa do Don

Isabella foi a esposa exemplar do Don de São Paulo por quinze anos, até descobrir a traição dele com a assistente, Sofia, que está grávida. Humilhada por provocações e vídeos da amante, ela decide quebrar a regra do silêncio mafioso. Após ser subestimada pelo marido, Bella aproveita uma viagem dele para liquidar bens e esvaziar a mansão. Ela desaparece, deixando apenas os papéis do divórcio e sua aliança derretida como prova de sua vingança implacável.
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Capítulo 1

Por quinze anos, eu fui Isabella Moretti, a esposa perfeita do Don mais poderoso de São Paulo. Éramos um casal poderoso, uma obra-prima cuidadosamente esculpida de influência e afeto. Nossa vida era impecável.

Essa obra-prima se estilhaçou no nosso aniversário, quando um celular descartável se acendeu com a foto da mão da assistente dele na coxa do meu marido.

Logo, encontrei o segundo celular dele e descobri a dimensão completa de sua traição. Sua amante, Sofia, estava grávida. Ele mentia na minha cara sobre "emergências de trabalho" enquanto ela iniciava uma campanha de terror, me enviando fotos deles juntos, um ultrassom de imagem granulada e um vídeo dela desfilando com meu robe de seda, se gabando de que se tornaria a nova Sra. Moretti.

Eu deveria suportar tudo em silêncio. Essa é a regra para a esposa de um Don. Mas toda a dor me esvaziou, deixando para trás apenas uma certeza fria e arrepiante.

Ele realmente acreditava que eu não era nada sem ele. "Para onde você iria, Bella?", ele riu uma vez, a voz escorrendo desprezo. "Tudo o que você tem, tudo o que você é, é por minha causa. Você não duraria uma semana."

Ele achou que era um jogo.

"Eu aceito essa aposta", ele havia dito.

Então, enquanto ele estava fora em uma última "viagem de negócios" com ela, eu fiz minha jogada. Liquidei nossos bens e contratei uma empresa de mudanças para esvaziar nossa mansão, apagando cada vestígio da minha existência. Eu saí para sempre, mas não antes de deixar dois presentes no colchão vazio onde um dia dormimos: os papéis do divórcio assinados e a massa de ouro derretida e grotesca que costumava ser minha aliança de casamento.

Capítulo 1

Ponto de Vista: Isabella

No meu décimo quinto aniversário de casamento, um celular descartável que não era meu se acendeu com a foto da mão de outra mulher na coxa do meu marido.

Por um momento, eu apenas encarei a imagem. Era granulada, tirada na luz fraca do interior de um carro. Mas não havia como confundir aquela coxa. Eu conhecia o jeito que o tecido de suas calças de alfaiataria se esticava sobre o músculo. Eu conhecia o relógio caro em seu pulso, aquele que eu dei de presente no seu aniversário de quarenta anos, com o mostrador captando o brilho fraco do painel.

Nós éramos Giovanni e Isabella Moretti. O Don e sua esposa. Um casal poderoso que estampava as capas de revistas de negócios. Ele era o chefe brilhante e impiedoso da Família Moretti, um homem que comandava corporações legítimas e o submundo da cidade com a mesma autoridade arrepiante. Eu era sua âncora, sua esposa linda e serena. A anfitriã perfeita. A sócia silenciosa. Por quinze anos, nossa vida tinha sido uma obra-prima cuidadosamente esculpida de poder e afeto.

Eu dei zoom na foto. As unhas da mulher eram compridas, pintadas com um vermelho vulgar e barato. Mas foi a pulseira que me fez prender a respiração. Um simples cordão de couro com um único e distinto dente de tubarão.

Sofia Marchetti.

A assistente administrativa de Gio.

Uma onda de frio me percorreu, tão intensa que parecia que eu tinha sido mergulhada em um lago congelado. Meu coração martelava contra as costelas, um pássaro frenético e aprisionado. Eu queria gritar. Eu queria espatifar o celular contra a parede, quebrar a imagem em mil pedaços.

Mas eu não fiz.

A esposa de um Moretti não grita. Ela não joga coisas. Ela suporta. Essa era a primeira regra da *Omertà*, o código de silêncio, aplicado não apenas aos negócios, mas ao lar. Você não vê nada, não ouve nada, não diz nada.

Tudo foi uma mentira? Os últimos quinze anos? Cada "eu te amo", cada sorriso compartilhado em uma sala lotada, cada vez que ele me chamou de sua âncora neste mundo caótico que ele comandava?

Eu me levantei, meus movimentos rígidos, robóticos. Saí do quarto e desci o corredor até meu pequeno escritório em casa, o único espaço nesta mansão opulenta que era verdadeiramente meu. Sentei-me à minha mesa e tirei uma única folha de papel da gaveta inferior trancada.

Uma petição para alteração de nome.

Eu a preenchi com a mão firme.

Nome Atual: Isabella Moretti.

Nome Proposto: Isabella Rossi.

Meu nome de solteira. Um nome que era meu antes de ser engolido pelo dele.

O funcionário do cartório de registro civil me olhou com olhos entediados na manhã seguinte. "Motivo da alteração?"

"Motivos pessoais", eu disse, minha voz neutra.

Levaria de seis a oito semanas para a mudança ser legalmente finalizada. Seis a oito semanas para apagar o nome Moretti da minha identidade. Seis a oito semanas para preparar minha verdadeira resposta. Isso não era apenas sobre um divórcio. Isso era uma *vingança*. Uma guerra silenciosa e calculada.

Naquela noite, Gio chegou tarde em casa. Ele era a imagem do poder e do sucesso, seu terno escuro impecável, seu sorriso devastador. Ele segurava uma caixa de veludo na mão.

"Feliz aniversário, meu amor", ele disse, sua voz um ronronar baixo que costumava fazer minha pele arrepiar.

Agora, parecia uma mentira arranhando meus ouvidos. As palavras eram ocas, uma performance para uma plateia de uma pessoa só.

Eu abri a caixa. Dentro havia um colar de diamantes, frio e pesado. O resgate de um rei. Um pagamento.

Eu o deixei de lado e fui para o pequeno forno que eu usava para o meu hobby de joalheria no porão. Tirei minha aliança de casamento, o pesado símbolo de ouro da nossa união, da aliança entre as famílias Rossi e Moretti. Eu a joguei no cadinho.

O calor era intenso. Eu observei enquanto o círculo perfeito, o símbolo do para sempre, começava a se deformar. Ele amoleceu, perdeu a forma e derreteu em uma poça de ouro borbulhante e sem forma.

Quando esfriou, não era mais um anel. Era uma lesma grotesca e disforme. Um monumento feio para uma bela mentira.

Eu guardei a lesma de ouro em uma pequena bolsa de seda e a coloquei na minha bolsa. Meu presente para ele.

Ele entrou no quarto mais tarde, cheirando a colônia cara e a outra coisa. Algo barato e floral. O perfume dela. Agarrou-se ao colarinho da camisa dele como uma mancha.

"Você parece quieta esta noite", ele murmurou, sua mão alcançando minha cintura. Um arranhão fino e vermelho percorria as costas de sua mão. As unhas dela.

Meu estômago se revirou. A repulsa era tão forte, tão visceral, que parecia veneno em minhas veias. O toque dele parecia uma violação.

Eu me afastei. "Acho que comi frutos do mar estragados no almoço. Não estou me sentindo bem."

Ele franziu a testa, sua preocupação uma máscara perfeita. "Frutos do mar? Mas você adora ostras."

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