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Capa do romance A luna Rejeitada

A luna Rejeitada

Lyra, uma ômega, vive o pesadelo de ser rejeitada por Kael, o cruel Alfa Supremo, logo no primeiro encontro. Humilhada por ele, ela foge para se reconstruir longe de sua alcateia. Quando uma guerra devastadora surge, Kael precisa de uma guerreira lendária para sobreviver. Lyra retorna transformada na poderosa Rainha da Tempestade, provando que não é mais a loba frágil de antes. Agora, o Alfa enfrentará uma mulher cujo coração não está disposto a perdoar.
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Capítulo 2

O rejeição não era apenas uma palavra, era uma sentença de morte. O Alfa Supremo Kael não só havia rompido o laço de companheirismo, como usara o poder primordial de sua linhagem para tentar varrer Lyra da face da terra. Sua magia latente, aquela explosão prateada que havia assustado Kael, era agora a única coisa que a mantinha viva, lutando desesperadamente contra a aniquilação imposta pelo Alfa.

Ela corria. Não em sua forma de loba; a fera interior estava mutilada demais pela dor da rejeição para se manifestar. Lyra corria em sua forma humana, sem fôlego e com o coração transformado em uma massa pulsante de gelo e fogo. Cada passo para fora do Forte Lunar era uma facada. O laço rompido gritava através de seus nervos como um arame farpado invisível que se retirava lentamente.

A floresta, que sempre fora seu refúgio, agora era um labirinto hostil. As árvores pareciam se inclinar, julgando-a. Ela sentia a presença dos lobos da Alcateia da Sombra, rastreadores silenciosos que não ousavam se aproximar por causa do poder residual que ainda a cercava, mas que observavam a mancha ômega fugir. Não a perseguiam para matá-la; perseguiam-na para garantir que ela cumprisse a ordem: ir embora e não voltar.

Lyra caiu. O joelho raspou contra uma rocha, mas ela não sentiu a dor do ferimento superficial, apenas a tortura em seu interior. Teve que se arrastar. Arrastou-se para debaixo de um carvalho centenário que marcava, ela sabia, o limite ocidental da Alcateia da Sombra. Se cruzasse aquela fronteira, a magia de Kael não conseguiria rastreá-la tão facilmente.

- Não. Não vou parar - sibilou Lyra, falando pela primeira vez desde que proferiu aquele fatídico "Aceito". A voz estava rouca, quase irreconhecível.

A rejeição vinha com uma maldição implícita: a perda total da força vital do rejeitado. Sem o laço, a magia interna de um lobo se deteriorava até a morte. Mas Kael não havia contado com a força da fúria de Lyra. A lágrima de fogo que ela havia sentido não era uma metáfora; era a ativação de um poder ancestral, selvagem e não regulado, que agora estava em guerra com o veneno da rejeição.

Ela deslizou para além do carvalho. Caiu no chão, tremendo incontrolavelmente. O ar parecia denso e o cheiro de pinho dava lugar a um aroma salgado e metálico, de sangue velho e terra úmida. Ela sentia que estava morrendo, e a parte mais racional de sua mente gritava para que ela se rendesse ao sono eterno.

Então, ela notou que a terra debaixo dela não era como a da Alcateia. Estava fria, mais fria do que o normal, e vibrava com uma energia distinta, uma que não era o calor da Deusa Lunar, mas algo mais primordial, mais antigo.

Lyra tentou se levantar, mas seu corpo a traiu. Caiu em uma poça de terra, e apenas a luz prateada de seus olhos, que acendia e apagava a cada batida errática de seu coração, demonstrava que ainda havia vida.

Foi então que ela o viu.

Não era um lobo, nem um humano.

Uma silhueta alta se destacava contra a pouca luz das estrelas. Não caminhava, mas parecia fluir sobre o chão. Não tinha o aroma de pinho da Alcateia; seu cheiro era de pedra molhada, ferro forjado e algo indefinidamente antigo, como o interior de uma caverna. Ele usava uma capa de peles escuras e um bastão nodoso, mais parecido com um galho de osso.

- Uma Luna Quebrada - a voz do estranho era um sussurro gutural, como o estalo da neve sob as botas. Não demonstrava surpresa, apenas uma profunda e sombria satisfação.

Lyra tentou uivar, tentou se transformar, tentou qualquer coisa, mas apenas conseguiu um arquejo.

O estranho se aproximou, sem medo da aura instável de Lyra. Seus olhos não eram os de um lobo; eram de uma profunda cor âmbar, antigos e penetrantes, com um conhecimento que parecia abranger séculos.

- A rejeição de um Alfa Supremo é um veneno lento. Vai te matar em menos de três dias.

- Quem... quem é você? - Lyra conseguiu arrastar.

O homem se inclinou, seu rosto sombrio e enrugado revelando cicatrizes geométricas. Ele tocou a testa de Lyra e ela sentiu a dor se intensificar, concentrando-se como ácido fervente. Lyra gritou, mas o som foi absorvido pela floresta.

- Eu me chamo Fenrir. Sou uma ponte entre os mundos, aquele que recolhe os que caem do laço e os que se rebelam contra a Deusa. E você, menina, você não é uma queda. Você é uma rebelião.

Fenrir retirou a mão e olhou para ela, avaliando-a.

- A fúria pela rejeição despertou seu sangue, um poder que a Deusa não esperava. É por isso que você ainda vive. Mas esse poder é uma arma de dois gumes. Vai te consumir se não for forjado. Você tem um dom que Kael Blackwood teme, mas lhe falta a vontade para usá-lo.

- Ele... ele me humilhou - disse Lyra, e a raiva tornou mais fácil falar do que a dor.

- O orgulho de um Alfa é a maior fraqueza. E Kael é o mais orgulhoso de todos. Ele te considerou inferior. Ele a despojou do seu destino. O que você fará a respeito? Vai morrer miseravelmente aqui, na poeira? Ou usará a cinza do seu laço rompido para incendiar o reino dele?

Lyra tossia, mas as palavras de Fenrir eram um salva-vidas, embora fosse feito de arame farpado. Morrer era fácil. Sobreviver e ver o arrependimento nos olhos de Kael... isso era vingança.

- Eu vou sobreviver - prometeu Lyra.

Fenrir sorriu, um gesto que não alcançava seus olhos.

- Sobreviver é para os ômegas. Você não vai sobreviver, Lyra. Você será forjada. Você será o fio da minha vingança, a tempestade que Kael conjurou sem saber. Eu te ofereço o caminho, a agonia para te converter no que o destino não te permitiu ser.

- O que... o que eu tenho que fazer?

- Esqueça a lua, a alcateia, a misericórdia - disse Fenrir. Sua voz ficou mais forte, quase um comando ritualístico. - Você renunciará a tudo o que você foi. Usaremos o veneno da rejeição como o combustível da sua nova magia. Mas será um tormento que fará a dor de Kael parecer o arranhão de um filhote. Se você falhar, se você se render à dor, você morrerá e sua alma será consumida pela própria alcateia. Você aceita o preço?

Lyra pensou em Kael, na frieza em seus olhos cinzentos, na humilhação diante do Conselho. A dor interna era uma promessa: se ela voltasse a ver aquele homem sem poder, morreria na hora.

- Eu aceito o tormento.

Fenrir assentiu com uma satisfação quase macabra. Ergueu seu bastão de osso e o cravou na terra ao lado de Lyra.

- Então, Luna Quebrada. Que comece a forja.

Fenrir começou a cantar. Não era uma melodia, mas uma série de estalidos, assobios e rosnados em uma língua que Lyra nunca tinha ouvido. O ar esfriou drasticamente. O cheiro de ferro tornou-se esmagador.

Da terra, onde o bastão havia sido cravado, brotaram raízes negras e retorcidas, envoltas em uma geada violenta. Essas raízes rastejaram, buscando o corpo de Lyra. Fenrir não a ajudou; apenas observou com os olhos âmbar fixos.

As raízes se enrolaram ao redor dos pulsos e tornozelos de Lyra, e depois ao redor de seu torso. Não a seguraram com força bruta, mas com uma magia de confinamento. Seu corpo se levantou levemente do chão.

- O veneno deve ser extraído - explicou Fenrir sem parar de cantar. - Sua alma está contaminada com a maldição do Alfa. Mas sua nova magia é forte, Lyra. Nós a usaremos para queimar essa maldição.

Uma das raízes, mais fina e afiada, deslizou em direção ao seu peito. Lyra sentiu um terror instintivo.

- Isso vai doer mais do que a rejeição - prometeu Fenrir.

A raiz se cravou bem onde o laço de companheirismo havia sido arrancado, em seu coração.

Um grito silencioso de agonia escapou de Lyra. Ela não conseguiu emitir som; a dor era tão absoluta que engoliu o ar e a voz. O frio prateado de sua própria magia se acendeu, e ela se viu lutando não só contra a dor, mas contra a força primordial das raízes de Fenrir.

Fenrir sorriu novamente, enquanto a luz prateada e a escuridão das raízes se confrontavam sobre o corpo de Lyra, em uma batalha por sua alma.

- É assim que a fraqueza se transforma em força. Lembre-se desta dor, Luna Quebrada. Faça-a sua. Converta a rejeição no fogo que consumirá o mundo de Kael. Se você sobreviver a esta noite, você será a Tempestade que ele não viu chegar.

A noite se fechou sobre Lyra, afogada no tormento e no primeiro juramento de vingança que fez o chão tremer sob a Alcateia da Sombra, a quilômetros de distância. Lyra já não era a ômega rejeitada. Era a forja.

A Luna Quebrada havia encontrado seu ferreiro.

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