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Capa do romance A luna Rejeitada

A luna Rejeitada

Lyra, uma ômega, vive o pesadelo de ser rejeitada por Kael, o cruel Alfa Supremo, logo no primeiro encontro. Humilhada por ele, ela foge para se reconstruir longe de sua alcateia. Quando uma guerra devastadora surge, Kael precisa de uma guerreira lendária para sobreviver. Lyra retorna transformada na poderosa Rainha da Tempestade, provando que não é mais a loba frágil de antes. Agora, o Alfa enfrentará uma mulher cujo coração não está disposto a perdoar.
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Capítulo 3

O tempo, sob o domínio de Fenrir, deixou de ser uma medida e se tornou uma tortura cíclica. Lyra não soube se passaram meses ou anos. Só sabia que o ciclo de agonia se repetia: a dor da extração, a manifestação da raiva, e a lenta e gélida canalização de seu novo poder.

O local da forja era uma caverna nas profundezas das Montanhas do Lamento, um território neutro que cheirava a minerais e morte. A escuridão era quase absoluta, e a única luz vinha da estranha geada prateada que emanava de Lyra durante suas sessões de treinamento.

- A rejeição de Kael - sibilava Fenrir certa noite, enquanto Lyra se contorcia, atada pelas raízes negras - não foi apenas um rompimento do laço. Foi uma tentativa do seu Alfa de sufocar sua verdadeira forma. Ele sentiu a antiguidade no seu sangue.

- Antiguidade? - Lyra ofegou. Toda vez que tentava falar, a dor a consumia.

- O sangue Blackwood, o de Kael, é poderoso, mas sua linhagem se diluiu com o dever e a política. Seu sangue, Luna Quebrada, é diferente. É a semente dos Lobos do Crepúsculo, aqueles que canalizavam a energia lunar sem a bênção da Deusa. Um poder que não morre, mas se transforma. A rejeição o despertou, mas está te matando porque você não sabe como contê-lo.

Fenrir se movia como uma sombra. Nunca a tocava, exceto para infligir mais dor mágica. Seu bastão era a ferramenta de seu ofício, golpeando a terra para convocar as raízes ou canalizando o ar gelado da caverna.

- O fogo da sua raiva deve se tornar gelo. O caos deve ser estrutura. Lyra, concentre-se. Não na dor, mas na crueldade daquele homem. Você vê o desprezo nos olhos dele? Você sente o vazio no seu peito? Converta isso em uma barreira.

Lyra se concentrou. Visualizou o Grande Salão, o eco da palavra "rejeição", a frieza na voz de Kael. A dor era uma faca. Lyra a tomou.

O grito de agonia que havia sido absorvido no Capítulo 2, agora se convertia em uma ressonância interna. O suor frio encharcava seu corpo. As raízes apertavam.

- Falhe! E a maldição vai te consumir! - rugiu Fenrir.

Lyra sentiu sua forma interna de lobo, que estava latente, se revolver. Não era mais um lobo. Era uma criatura feita de estilhaços de gelo, furiosa e letal. O frio que Lyra havia convocado se manifestou no exterior, fazendo com que a geada prateada de sua magia congelasse em cristais afiados ao redor das raízes.

Fenrir interrompeu seu canto. Seus olhos âmbar se abriram pela primeira vez com um assombro genuíno.

- Você conseguiu - sussurrou, com um tom quase reverente.

Lyra caiu no chão, liberta das raízes. Sua pele ardia, mas seu peito, onde o laço havia sido arrancado, se sentia estranhamente vazio e... forte. A geada prateada desapareceu.

- Este é o início da sua nova força. Nós a chamaremos de Marca da Tempestade. É a prova de que o laço se foi, substituído pela sua própria vontade. Agora você tem magia, Lyra, mas é apenas uma novata. Você tem que aprender a usá-la sem que ela te mate.

Os anos que se seguiram foram uma espiral ascendente de dor física, mental e mágica.

Fenrir a treinou como uma assassina. Lyra aprendeu a se transformar em um lobo silencioso, completamente negro, com a pelagem tão densa que absorvia a luz, mas com olhos que brilhavam com aquele prateado gelado. Seu lobo não era grande, mas era rápido, preciso e se movia com uma graça que desafiava os Alfas maiores.

Ela aprendeu combate corpo a corpo, não apenas com lobos, mas com caçadores, bruxas errantes e outras bestas míticas que Fenrir trazia ou que encontravam em suas viagens. Lyra não tinha força bruta; tinha eficiência. Cada golpe, cada chute, cada mordida era dirigida a um ponto vital, sem desperdiçar energia.

- Um lobo que luta com a força se cansa. Um lobo que luta com a raiva se torna previsível - ensinou Fenrir, golpeando-a com o bastão por qualquer erro. - Uma Tempestade luta com o frio. Congela o medo do inimigo e, depois, o destrói.

Mas o mais importante foi o treinamento mental. Lyra aprendeu a proteger sua mente da intrusão de outros lobos, a construir uma muralha de gelo tão perfeita que nem mesmo Kael, com sua autoridade de Alfa Supremo, conseguiria penetrá-la.

- A dor é sua arma, Lyra. A humilhação é seu escudo. Se Kael te olhar novamente e vir qualquer rastro da ômega que ele rejeitou, teremos falhado - Fenrir a lembrava constantemente.

Um Salto Temporal: Três Anos Depois

Três anos de inferno haviam deixado suas cicatrizes. Lyra era agora uma mulher esguia, com músculos tensos e definidos. Seu cabelo escuro caía sobre suas costas, e seus olhos, em seu estado normal, já não eram suaves e castanhos, mas um inquietante tom verde-acinzentado, sempre alertas.

Eles estavam na beira do Território do Norte, observando a cidade humana de Vesperia. Lyra vestia armadura de couro escuro e uma capa com capuz que ocultava quase todo o seu rosto. Seu aroma não era mais detectável como lobo; Fenrir a havia ensinado a mascará-lo com essências naturais. Ela era uma sombra.

- Chegou o momento - disse Fenrir, sua voz ecoando no ar da noite.

- A Legião do Norte? - perguntou Lyra. Sua voz era baixa e forte, sem rastro da ômega trêmula de três anos atrás.

- A Legião é um problema, mas não é a crise. A crise é o Sangue Negro. Uma praga que drena a vitalidade e a força dos lobos. Nos últimos seis meses, ela atingiu o Coração Negro. Os lobos de Kael estão adoecendo. O Forte Lunar está de joelhos.

Lyra sentiu uma pontada, uma satisfação fria. Não era prazer, mas a calma da vingança planejada.

- E o que isso tem a ver com Kael?

Fenrir se aproximou de Lyra, seus olhos âmbar brilhando com malícia.

- O Sangue Negro é imune à magia Alfa. É um veneno que ataca o laço da alcateia. Kael perdeu quase metade do seu exército. Sua aura de Alfa Supremo está se esvaindo. Ele está desesperado. Enviou emissários por todo o continente. Está buscando o único tipo de poder que pode curar o que ele desprezou.

- A magia dos Lobos do Crepúsculo - concluiu Lyra, sua voz um sussurro de gelo.

- Exato. A magia do Crepúsculo, que você forjou com a rejeição. É a cura, Lyra. Mas tem um preço. Kael terá que se humilhar perante você. Terá que implorar por sua ajuda.

Lyra apertou a mandíbula. A lembrança de sua humilhação pública era um combustível perfeito.

- Ele não vai implorar. Não é o estilo dele.

- Ele o fará, ou seu império cairá. Eu já lhe enviei uma mensagem anônima, Lyra. Dei-lhe a localização. Eu disse que a única pessoa que pode curar sua alcateia é uma guerreira misteriosa conhecida como Tempestade, e que ela só negocia em um terreno neutro, sem laços nem lealdades.

Lyra se virou para Fenrir, com uma pergunta que guardara por três anos.

- Por que você me ajuda? Qual é o seu interesse na queda de Kael?

Fenrir encolheu os ombros, sua expressão sombria e antiga.

- Os Alfas Supremos são uma praga. Mataram minha linhagem séculos atrás, Lyra. Kael é apenas o último de uma longa linha de arrogantes. Ao humilhá-lo, ao fazer com que a Tempestade o desmantele peça por peça, equilibramos a balança. Além disso... - Fenrir lhe deu um sorriso fugaz e cruel -... seu poder é lindo de se observar.

- E se ele me reconhecer?

- Ele não o fará. A ômega Lyra está morta, consumida pelo veneno da rejeição. Só resta a Tempestade. Quando ele te vir, só verá a salvação dele. E o que é mais importante, ele sentirá que o laço desapareceu. Era isso que ele queria, não era?

Lyra assentiu. Fenrir havia usado a própria magia da rejeição para ocultar completamente o Laço de Companheiros. Para Kael, Lyra não significaria nada; seria apenas uma poderosa desconhecida.

- Iremos para a Cidade dos Pactos. Um lugar onde a magia neutra prevalece e nenhum Alfa pode invocar seu direito de território. Kael virá. E você colocará as regras - disse Fenrir.

Lyra olhou para o sul, para onde ficava o Forte Lunar, envolto na escuridão do seu desespero. Três anos de dor se condensaram em uma frieza glacial.

- Então, que ele se prepare. A Tempestade voltou para casa.

Lyra colocou o capuz. O plano estava em curso. Ela não ia destruir o império de Kael com espadas, mas com a humilhação, a mesma arma que ele havia usado contra ela. Iria obrigá-lo a se arrepender de ter rompido o laço da única maneira que um Alfa Supremo podia entender: destruindo seu orgulho.

O jogo da Tempestade havia começado.

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