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Capa do romance A Luna feita para o filho do Alfa

A Luna feita para o filho do Alfa

Adrian, herdeiro de um alfa, teme sua transformação aos dezoito anos. Luna, filha de um magnata, muda-se para sua cidade e descobre poderes de uma linhagem de bruxas malignas. Embora se odeiem, uma conexão de almas e um amor proibido surgem entre o lobo amaldiçoado e a feiticeira. Enquanto ele esconde um segredo perigoso, ela enfrenta seu destino. Juntos, precisam quebrar uma maldição sombria e lutar pela sobrevivência em meio a grandes perigos.
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Capítulo 2

Luna

Não foi bom vir para esta cidade. Não sou muito de reclamar de bobagens, como as outras garotas da minha idade. Muitos poderiam dizer que não tenho a idade que tenho, uma vez que sou bem mais maduro em diversos aspectos. No entanto, os meus 17 anos me mantêm dependente dos meus pais, o que me leva à North Walland.

Embora a cidade não seja tão tranquila quanto eu imaginava, há algo aqui que me deixa incomodada. Não sei como explicar. É como se a energia fluísse de mim e atravessasse o meu corpo. Um sussurro no meu ouvido causa sensação de calafrios.

No entanto, minhas preferências estão fora do plano que meus pais traçaram sem me informar. Chegamos há algumas semanas e hoje é meu primeiro dia de aula em uma das escolas mais bem-conceituadas no país. Pelo menos isso é uma coisa boa.

O problema é... bem... como posso dizer... só tem gente babaca. New West é, sim, renomada, contudo, é a escola dos ricaços. É onde os grã-finos estudam e, como todo filho mimado, são cheios de arrogância.

Claro, não sou boa peça. Eu também conheço um pouco de tudo, mas, pelo menos, não me esbarro em todos para obter o que quero ou manter uma aparência superior.

Neste instante, observo o edifício robusto e clássico, que lembra um castelo antigo, com todas suas características, porém muito bem cuidado e de alto custo.

É uma bela imagem. Transborda elegância, contudo, as pessoas que conversam, passam e, alguns, me encaram, não me agradam em nada.

É claro que eles se conhecem uns aos outros. Sou a única estranha aqui, portanto, serei alvo de atenção por um bom tempo. No entanto, graças a Deus, não sou tímida.

Agarrada aos meus cadernos de desenho, com minha bolsa nas costas, e um uniforme, no qual escolhi vestir a calça, ao invés da saia sugestiva, avanço entre eles.

Devo confessar que estou um pouco ansiosa. Ser novata é um saco, mas farei isso de cabeça erguida e sem vergonha. Mesmo que muitas das meninas, da minha idade, me olhem com desdém, ou inveja.

Antes mesmo de colocar meu pé no primeiro degrau, minha trilha sonora, em meu fone de ouvido, toca algo que me deixa mais relaxada, mesmo que meu estilo musical não seja o costumeiro dessa gente. Gosto de algo mais dark, melancólico e algumas vezes, mais festivo, que transita em uma sonoridade calma, no meio dela.

Respiro fundo e passo pela entrada, observando a parte de dentro da enorme escola, que já na entrada é bem diferente do lado de fora. Escadas enormes nos levam para os andares de cima, e calculo que tem uns cinco andares, que distribui as salas, deixando o térreo com o salão de festa.

Eu poderia dizer que essa seria a pior experiência de toda a minha vida. Vim para uma nova cidade, com pessoas estranhas, uma sensação estranha. Ainda mais em uma escola com tantas pessoas no qual se importam mais com a quantia que têm em suas contas, com a moral e os bons costumes. Bem, bons costumes para eles é aparentar ter uma vida feliz, correta, sendo que na realidade eles não suportam uns aos outros.

Eu deveria ter pena? Talvez. Mas, ao notar os olhares dos meus novos colegas de escola, logo esse pensamento se esvazia da minha cabeça.

Eu não me importo com nenhum deles. Posso parecer arrogante? Sim, prepotente, talvez.

Mas, não posso me julgar, ainda mais agora e aqui. Se eles podem ser, por que eu não?

Afinal, diferente deles, eu não os olho dos pés à cabeça e os julgo por uma roupa que usa, pela fofoca alheia sobre a vida dos seus outros colegas.

Eu não me importo com nada disso, a não ser com os meus estudos. Quero ingressar em Oxford e cursar letras. É algo que veio de berço, eu diria.

Bem, da parte da minha mãe, já do meu pai, um grande empresário, ele deseja que eu faça administração, para tomar a liderança da empresa quando for maior e quando ele decidir se aposentar finalmente.

Eu não me vejo nesta posição, acho que nunca vou me ver. Odeio ser a líder de algo no qual eu não tenho paixão alguma, negócios, isso não faz muito a minha praia.

Gosto mais do meu canto, no fundo da biblioteca, lendo um livro clássico ou um mistério, no qual fico engajada até o último capítulo, para descobrir se tudo aquilo que imaginei realmente acontecerá.

Respiro fundo, ao finalmente voltar à minha realidade. Eu não queria fazer isso, mas uma garota, de cabelos curtos, óculos, fundo de garrafa, vestindo o terninho, a qual é o slogan desta enorme escola, aparece em minha frente, balbuciando alguma coisa, no qual tento ler pelos seus lábios.

Porém, como não consigo compreender tudo, porque ela fala bastante rápido, acabo tendo que desligar a minha playlist e tirar o fone dos meus ouvidos.

E assim que faço isso, sua voz estridente, bem irritante, adentra os meus ouvidos, me fazendo se arrepender com tudo. Acredito que esta garota esteja aqui para me recepcionar.

Entrei no meio do ano, isso não é muito comum, mas como meu pai decidiu se mudar para cá de última hora, sem o meu consentimento, minha matrícula teve que vir para esta instituição, para que eu não perdesse nada em nenhum ano da minha fase de estudos.

- Me desculpe, eu não ouvi e nem entendi nada do que você quis dizer. - Eu comunico, a garota que no mesmo instante deixou seus ombros caírem, me olhou incrédula, mas desfaçou, dando um sorriso tímido, e começou novamente a tagarelar. - Eu estava dizendo que me chamo Mary Ann, sou a pessoa que vai recepcionar você, te mostrar cada detalhe desse colégio...

Eu parei e, estendendo a mão, disse:

- Mary Ann, muito obrigada, mas o bom de ser novata é descobrir as coisas sozinha. Além disso, eu nunca venho a um lugar sem fazer algumas pesquisas antes, então acho que posso me virar.

A garota parecia decepcionada novamente. Ela deu de ombros e abaixou os olhos, tristemente dizendo:

- Tudo bem, seria uma grande oportunidade de fazer amizade, pelo menos. - Ela quase sussurrou essas palavras e, ao levantar o olhar, notou que eu havia ouvido e entendido. Forçou um sorriso nervoso e completou: - Mas isso não significa que não podemos ser amigas, certo?

Por dentro, eu queria revirar os olhos. Amizade nunca foi algo que me interessasse muito. Sempre fui mais isolada. Não sei, desde pequena, quando olho para alguém, parece que sinto que essa pessoa me julga ou me detesta. Então, simplesmente prefiro ficar sozinha. Mas não iria dizer isso para ela, pelo menos não em voz alta. Quando olhei nos olhos dela, vi que estava desesperada. Era como um sussurro no meu ouvido, dizendo: por favor, aqui dentro ninguém gosta de mim.

Mordi os lábios, tentando entender se ela realmente disse aquilo ou se era coisa da minha cabeça, uma fantasia que acontece com mais frequência do que eu gostaria. Eu odeio isso.

Não gosto de parecer lunática, mas com o tempo essas coisas só pioraram. Nunca falo sobre isso com meus pais. Eles são ocupados e, mesmo que eu falasse, achariam que estou ficando louca. Não é a primeira vez que sinto que estou lendo a mente de alguém ou interpretando o que os olhos dessa pessoa querem dizer. Também não é a primeira vez que tenho sonhos assustadoramente vívidos, em que a realidade se distorce.

É como se eu estivesse vivendo aquilo. Sinto o cheiro, o frio, o calor, o coração batendo tão forte que parece que vai saltar do peito. Mas, naquele momento, eu precisava me concentrar na realidade, apesar de ser bem difícil às vezes.

Então respondi:

- Tudo bem, tem algumas coisas que ainda não sei sobre o colégio. Você pode me mostrar, começando pela aula de línguas.

Ela deu uns pulinhos de alegria e, sem pedir permissão, entrelaçou seu braço no meu, me arrastando escada acima. Passamos por três garotas encostadas na parede, que nos olharam e sussurraram algo.

Eu queria entender o que diziam e, ao forçar a audição, pude ouvir, ou pelo menos imaginei que ouvi: Olha a novata com a estranha. Ela até que é bonitinha, mas ao lado dessa aí, não vai durar até o fim do ano, aposto.

Não desmanchei a expressão e as encarei enquanto passava, como se dissesse: Sim, otárias, ouvi tudo o que vocês estavam pensando.

Continuei sendo arrastada pela garota, que parecia desesperada para ser minha melhor amiga. Era irritante, mas eu não faria inimizades no primeiro dia, por mais que me sentisse diferente daquelas garotas.

Eu sempre me sinto diferente. Quando sou rude com alguém, me sinto como uma delas, e eu não quero ser como elas. Sou reclusa, crítica comigo mesma. Mas aqui estou, numa nova cidade, tentando mudar, ao menos um pouco.

Enquanto subíamos, mais adolescentes surgiam pelos corredores, e a maioria nos ignorava, tanto a mim quanto à minha nova colega, que continuava tagarelando. Nós éramos como dois opostos. Não a conhecia o suficiente para afirmar isso, mas essa era minha impressão inicial.

Ela era o completo oposto de mim. Adorava falar, enquanto eu detestava conversas longas. E ela adorava contato físico, algo que eu odiava. Mesmo assim, me permiti seguir adiante.

No segundo andar, ela me mostrou os armários e as salas. Em um determinado momento, avistei um grupo de garotos, aparentemente da minha idade, ou um pouco mais velhos.

Eles eram altos e, devo admitir, bonitos. Usavam jaquetas com o logotipo da escola, com ternos elegantes que eu invejava. As meninas tinham uniformes predominantemente rosa ou lilás, enquanto os dos rapazes eram verde-escuro ou azul.

Um deles se destacou. Era o mais forte, o mais interessante, com cabelos negros e longos, que caíam sobre seu rosto pálido. Seus olhos também eram negros. Eu só percebi porque ele me encarou de volta. E, curiosamente, não desviei o olhar. Era como se algo nele me atraísse, fazendo o tempo desacelerar.

Passamos um pelo outro e, naquele instante, senti um arrepio. Foi a primeira vez que me senti tão vulnerável e com medo. Não um medo ruim, mas aquele que traz insegurança, que me lembra os sonhos estranhos que ando tendo.

Balancei a cabeça, rindo de mim mesma. Que bobagem, pensei. Ele era só um garoto qualquer. Ouvi os amigos dele comentarem algo, mas não prestei muita atenção. Provavelmente, eles eram jogadores. Não sei muito sobre os esportes daqui, mas deviam ser do time principal.

Só voltei a mim quando paramos em frente a uma sala. Ela estendeu a mão, mostrando a sala que não estava totalmente vazia. O professor ainda não havia chegado. Ela sorriu ao me olhar e disse:

- Estamos na mesma turma, e tem uma cadeira vazia ao meu lado, pronta para você.

Dessa vez, não consegui evitar. Revirei os olhos, pensando: Meu Deus, vou ter que aturar essa garota por mais tempo.

Fechei os olhos e forcei um sorriso, respondendo:

- Que ótimo.

Foi tudo o que disse. Entramos na sala, e os outros alunos se viraram para nos encarar. É claro que a novata teria a atenção de todos por algumas semanas. Algo que eu detesto. Por isso odiei a mudança, apesar da reputação dessa escola. Ser o centro das atenções nunca foi o meu forte.

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