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Capa do romance A Luna dos 100 Alfas

A Luna dos 100 Alfas

Após um naufrágio, a jovem Bianca chega a uma ilha mística habitada por cem Alfas que perderam suas companheiras. Enquanto foge de seu passado, ela descobre ser a peça fundamental para curar as feridas ancestrais desses líderes solitários. Entre vínculos profundos e o despertar de sentimentos intensos, Bianca enfrenta rivalidades e ciúmes num ambiente repleto de segredos. Agora, ela deve decidir se conseguirá restaurar esses corações e proteger sua nova família.
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Capítulo 2

Sentia a água fria envolvê-la, penetrando em seus ossos, mas havia algo pior: o silêncio absoluto. Um vazio opressor que consumia cada pensamento, cada emoção, deixando apenas o pavor da incerteza.

Seu corpo doía. Cada músculo parecia tenso, desgastado, e o gosto salgado de maresia estava impregnado em seus lábios rachados. Bianca tossiu, tentando expulsar o gosto amargo da garganta seca. Não havia barco, tripulação, ou qualquer sinal de terra firme. Apenas o oceano infinito e impiedoso, vasto e indiferente.

Ela olhou ao redor, seus olhos ardiam com o sal. A mente ainda nebulosa a fazia lutar para se lembrar do que acontecera. A tempestade e o caos. Tudo desabou de uma vez, e antes que pudesse reagir, foi lançada à deriva, prisioneira do oceano. Bianca sentia suas forças a abandonarem. Seu corpo parecia à beira de desistir, e sua mente, turva pela exaustão, começou a ceder. Mas então algo mudou. O som do mar foi interrompido por uma presença. A água ao seu lado se agitou. No limite de sua visão turva, uma sombra se aproximava.

Era um homem.

Ele surgiu como uma figura imponente, alto e musculoso, o cabelo escuro e pesado pela água. Seus olhos penetrantes a observavam com uma mistura de determinação e curiosidade. Bianca mal teve tempo de se perguntar antes que ele a agarrasse com firmeza e, em um movimento preciso, a puxasse para fora da água com uma facilidade impressionante, como se ela fosse leve como uma pena.

Bianca tentou murmurar algo, mas estava exausta demais. O toque quente dele contrastava com a frieza que a cercava, e, naquele momento, ele era a única coisa que a mantinha consciente. "Ele me salvou", pensou, sentindo uma onda de gratidão misturada ao choque. O alívio percorreu seu corpo ao mesmo tempo que sua mente se enchia de perguntas.

"Quem era ele? Onde estava? E, o mais importante, finalmente fui encontrada!" Ela pensou sentindo que finalmente poderia descansar. 

O homem a carregou com determinação, seus passos firmes afundando levemente na areia molhada da praia. Bianca observava ao redor, ainda atordoada, notando a vegetação densa da ilha que se estendia à sua frente, uma floresta verdejante que parecia quase selvagem, mas misteriosamente acolhedora. 

"Onde estou?" ela pensou, mas não havia forças para perguntar.

- Eu... - ela tentou falar, sua voz rouca e falhando, a exaustão tomando conta de cada parte de seu corpo.

- Não fale agora - ele a interrompeu suavemente, ajustando seu corpo com firmeza contra o dele. - Vou levá-la a um lugar seguro.

Havia algo reconfortante em seu tom. Uma autoridade silenciosa, como se ele soubesse exatamente o que estava fazendo. "Quem é esse homem?" Bianca sentiu sua respiração misturada à dele, a sensação da proteção que emanava daquele estranho fazia com que ela relaxasse, apesar da confusão que latejava em sua mente. "Por que confio nele?"

Ele a levou pela praia, passando por rochedos e raízes expostas, até encontrarem uma trilha estreita que se adentrava na floresta. As árvores, altas e imponentes, ofereciam uma sombra refrescante que os protegia do sol, que agora começava a se erguer no céu. O homem avançava sem hesitação, como se conhecesse cada pedra, cada árvore daquele lugar.

Bianca tentava processar o que acontecia, mas tudo era rápido demais. O silêncio entre eles era interrompido apenas pelo som de seus passos e do vento suave que agitava as folhas. "Quem é ele? Um nativo? Um viajante como eu?" Sua mente se debatia entre a necessidade de respostas e a exaustão física.

- Quem... você... - ela balbuciou novamente, em um esforço quase desesperado para entender o que estava acontecendo.

- Me chamo Draven - ele respondeu com um ligeiro sorriso, seus olhos ainda focados à frente, atentos ao caminho. - Estamos quase lá.

"Draven" O nome ressoou em sua mente. Havia algo nele que parecia antigo, como se pertencesse a uma história há muito esquecida. Algo forte, sólido. Ela sentiu um arrepio ao ouvir aquele nome, como se carregasse consigo um peso que ela ainda não compreendia. "Será que posso confiar nele?" Mas, neste momento, ela não tinha escolha. Seu corpo já não respondia.

Finalmente, a trilha se abriu em uma clareira.

No centro, uma construção rústica e imponente se erguia, feita de madeira e pedra, parecendo uma extensão natural da própria ilha. A cabana, ao mesmo tempo simples e resistente, emanava uma sensação de abrigo, um refúgio no meio do desconhecido. "Isso é real?"

Draven a levou para dentro, onde o calor de uma lareira acesa envolveu Bianca instantaneamente. O interior da cabana era surpreendentemente aconchegante, com móveis de madeira robusta e tecidos grossos que traziam uma sensação de segurança. Ele a deitou suavemente sobre uma cama coberta por mantas quentes e macias. "Estou segura agora."

- Você vai ficar bem aqui - disse ele, afastando-se para preparar algo, provavelmente comida ou água, sem perder o foco na tarefa. "Ele parece conhecer esse lugar tão bem. Será que mora aqui sozinho?"

Bianca o observava enquanto tentava se recuperar. Draven movia-se com a graça de alguém acostumado a sobreviver naquele ambiente, como se fosse parte daquela ilha. "Quem é ele realmente? E o que essa ilha misteriosa esconde?"

Ela sentiu os olhos se fecharem, pesados pela exaustão, mas sua mente continuava agitada. "Há algo mais aqui?" A sensação de ter sido levada até ali por forças além de seu controle era inegável. "Será que foi o destino?" Bianca não sabia o que esperar dali em diante, mas, por agora, seu corpo cedia à exaustão e a última imagem em sua mente era o olhar penetrante de Draven.

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