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Capa do romance A loba que odiava alfas

A loba que odiava alfas

Sera viveu traumas profundos que a silenciaram, mas busca um recomeço no colégio WolfPaws. Contudo, a nova realidade traz mistérios sobre sua linhagem e o passado oculto de sua mãe. No centro do caos está Karim, um alfa arrogante que ela deveria detestar, mas por quem sente uma conexão inevitável. Entre segredos escolares e feridas antigas, Sera precisará enfrentar seus demônios internos para descobrir a verdade por trás de sua própria história e desse vínculo.
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Capítulo 1

Havia lobos correndo contra ela, apenas uma criança assustada diante de animais três vezes maiores que ela. Uma bandeira vermelha de um lobo cinzento estava fixada bem à sua frente.

"Sera!" - Uma voz feminina gritou.

A criança sentiu seu corpo ser abraçado fortemente. A última demonstração de afeto que ela sentiria até agora.

Olhos castanhos e um sorriso gentil foram direcionados a ela. Sua mãe acariciou seu rosto levemente, tirou um cachecol vermelho de seu próprio pescoço e enrolou no dela.

“Está frio, Sera. Vista isso sempre que quiser se sentir segura. Eu estarei com você nesse momento.”

E com um último sorriso, só havia sangue.

A menina tentou falar algo, porém só havia lágrimas.

Sera acordou com um grito preso na garganta. Há muito tempo não ouvia sua própria voz. Ela não se lembrava mais de como soava. Seria fina? Melancólica? Arrastada?

Não havia mais memórias em sua mente. Mesmo em seus sonhos, ela não poderia ouvir algo que já não existia há 10 anos.

Seu lar não era uma casa de contos de fadas, ou uma casa como qualquer jovem da sua idade. Era apenas uma cabana na floresta, sem nada de especial. Um lugar perfeito para ninguém encontrar.

Sera prendeu seus cabelos negros em um coque, imaginando que nunca se acostumaria com o silêncio. Fazia dois dias que ela não ouvia som algum. Não havia passos pesados ou gritos. Nem nada sendo quebrado ou o som do seu corpo sendo empurrado contra a parede.

Mesmo assim, ela ainda não acreditava que seu tormento havia terminado. Enquanto preparava seu almoço, a faca caiu.

Sera se assustou, por alguns segundos seu corpo paralisou. A jovem esperou uma punição. Porém, nada aconteceu. Seu corpo tremeu, ainda esperando uma reação pelo seu erro. Mas novamente, nada aconteceu.

Sera se apoiou na mesa e suspirou de alívio. Não havia mais perigo para ela. Não mais.

Ela bebeu sua sopa de legumes em paz, sem saber o que fazer agora. De repente, algo lhe tirou a atenção. Algo tão comum para outros, mas tão precioso para ela…

Chuva. Uma simples chuva.

A jovem correu descalça para fora da cabana, seu cachecol se molhou, mas ela não se importou. Sara dançou abaixo das gotas, sorrindo. Era algo que nunca seria permitido que fizesse, além de apenas observar do lado de dentro.

Agora, ela se sentia livre. Porém, a liberdade também podia apavorar. Logo, sua mente a levou a um pensamento de insegurança, como se estivesse cometendo algum erro, afinal, isso era algo que não poderia fazer antes.

O que seria dela agora? Quem Sera seria além da pessoa que obedecia ordens e era usada como um objeto? Como ela poderia pensar que seria livre se a sua mente não era?

Sera começou a entrar em pânico, ela se pôs de joelhos no chão e sentiu seu coração acelerar e a respiração ficar mais rápida e acelerada. O ar parecia lhe faltar e as lembranças dolorosas lhe vieram à mente.

O medo se apoderou dela. O que ela deveria fazer? Não havia ninguém ali para ajudá-la. Bem, nunca esteve, sempre havia sido apenas Sera como seu próprio apoio.

Até finalmente seu cachecol cair levemente em seu ombro e a lembrança de sua mãe lhe vier à mente. E, desse modo, Sera se acalmou, fazendo respirações profundas, retomando seu controle.

De repente, pareceu ouvir algo dentre as árvores. Sera olhou por todos os cantos e não havia nada. Deveria ser apenas impressão mesmo.

Talvez ficar perto daquele lugar não a fizesse bem. Estava tendo alucinações e também entrando em pânico por algo que deveria ter sido a sua salvação.

Pegando a capa vermelha que era de sua mãe, Sera andou pela floresta, sua única companhia desde que se mudará para lá. No entanto, havia algo diferente dessa vez.

Um barulho foi ouvido novamente, e dessa vez, Sera possuía certeza de que ele existia.

Ela se escondeu dentre as árvores e tampou a boca em um ato automático. Havia vários homens e mulheres e jovens vestidos de cinza com o símbolo do lobo cinzento em suas jaquetas.

Sera tentou conter a surpresa. O que essas pessoas estavam fazendo em um lugar tão isolado como aquele? Estariam atrás dela? A última de seu clã?

Sua mente trabalhou rapidamente, tentando escapar dali da melhor maneira. Ela deveria se esgueirar? Correr? Cumprimentar? O que fariam com alguém como ela? Sem voz?

Em um pensamento rápido, ela ouviu uma voz masculina dizer:

"Vamos embora, voltamos amanhã." - Ela ouviu um homem alto e musculoso dizer, provavelmente o alfa do bando.

Sera não saberia reconhecer, havia perdido sua loba há muito tempo quando forçaram que ela fosse retirada dela. Isso a tornou uma humana comum, muito inferior a todos os lobos.

Quando a movimentação dos estranhos começou, ela aproveitou para fugir, sem notar que um fio de seu cachecol ficou preso em um galho de uma árvore.

Ela correu como nunca, entrando na cabana, o único lugar em que poderia haver alguma segurança, mesmo sabendo que qualquer lobo poderia atacar a local com facilidade.

Sera se sentou no chão, tremendo de medo. As lágrimas escorreram pelo seu rosto. Até quando ela seria tão fraca dessa maneira? Ela odiava quem a havia feito se sentir dessa maneira.

Suas mãos tremiam, ela não conseguia fazer nada. Não podia acreditar que aqueles que assassinaram a sua mãe poderiam fazer o mesmo com ela.

O sorriso de sua mãe lhe veio à mente e Sera apertou o cachecol, ganhando um pouco de coragem. Deveria haver algo ali que poderia ajudá-la. Pela primeira vez, ela deveria fazer algo por si mesma.

Correndo até um quarto que a fez tossir e espirrar por alguns segundos devido ao tempo que não era tocado, a jovem procurou arquivos que a sua mãe havia deixado para ela. Aquele homem nunca permitiu que Sera encostasse nos mesmos.

Seus olhos castanhos percorreram por todos os papéis até ver um folheto escrito: Colégio Interno WolfPaws, o melhor para seu jovem lobisomem em ascensão.

Aquele era o colégio onde sua mãe havia estudado. Porém, Sera não era uma loba como ela. Não uma que pudesse lutar.

No entanto, era a sua única chance de mudar de vida. E quando um papel com letras douradas caiu no chão,Sera sabia que havia uma chance para ela.

Depois de tanto sofrimento, poderia haver esperança.

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