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Capa do romance A loba que odiava alfas

A loba que odiava alfas

Sera viveu traumas profundos que a silenciaram, mas busca um recomeço no colégio WolfPaws. Contudo, a nova realidade traz mistérios sobre sua linhagem e o passado oculto de sua mãe. No centro do caos está Karim, um alfa arrogante que ela deveria detestar, mas por quem sente uma conexão inevitável. Entre segredos escolares e feridas antigas, Sera precisará enfrentar seus demônios internos para descobrir a verdade por trás de sua própria história e desse vínculo.
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Capítulo 2

As letras douradas estavam escritas em uma caligrafia impecável:

"Querida Ada, vos falo do colégio WolfPaws para garantir a admissão de sua filha, Sera Cohen em minha instituição quando ela completar 18 anos.

Como você foi nossa aluna destaque e contribuiu em demasia com nosso colégio, Sera terá lugar seguro no WolfPaws para aprender e se tornar uma jovem de talento e formação excepcional.

Grata.

Diretora Cordélia Dawood"

Sera releu a certa diversas vezes. Ela não acreditava que tinha um lugar seguro para si. Um sorriso preencheu seus lábios até duas questões virem à sua mente:

A primeira, não havia mais nenhum sinal de sua loba em seu interior, e; com certeza não era a garotinha que Cordélia imaginava. A diretora aceitaria alguém em condições especiais?

Sera se sentou no chão frio da cabana e pensou sobre o que deveria fazer. Com as mãos no joelho, a moça logo percebeu que não havia muitas opções.

Seus inimigos logo voltariam e poderiam encontrá-la facilmente. Já, sair de uma floresta para ir até um lugar desconhecido não era igualmente mais simples.

"Tenho que decidir." - Pensou mordiscando os dedos de ansiedade.

Sera sabia que ele era "fraca", não dava conta de lutar contra lobos, muito menos quando estavam transformados. Se fosse pega, seria morta ou pior, voltaria a sua antiga vida de terror.

Uma pequena ansiedade se apoderou dela e sentiu seu corpo se arrepiar em meio à náusea, ao se lembrar de como era maltratada e tratada injustamente.

Por um instante ela pensou em colocar a lâmina da faca em seu próprio pescoço. Mas, uma pequena faísca veio em sua mente e lágrimas caíram de seus olhos. Por que ela não merecia ser feliz como as outras pessoas? Ela não merecia uma chance?

E com isso em mente, Sera já havia tomado a sua decisão.

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A noite estava fria naquele dia. A lua brilhava alta no céu e, mesmo com tantos acontecimentos maléficos em sua vida, Sera ainda acreditava que a mãe dos lobos estava com ela. E era sua voz que ouvia para aguentar firme quando marcas de medo e ódio eram feitas em seu corpo.

E foi a voz da Mãe que provavelmente falou com Sera para que ela não desistisse nesse momento.

A moça respirou fundo e entrou no quarto, uma sensação de repulsa lhe atingiu ao observar a cama que já fora palco de tanto sofrimento.

Sua visão foi finalmente direcionada para o guarda-roupa, onde não havia nada além de roupas masculinas e uma única feminina.

A mão de Sera tremeu ao tocar no tecido vermelho. Nunca havia lhe sido permitido encostar na peça. Nem quando queria lhe lembrar de sua mãe com umas das poucas que lhe restaram dela. Afinal, coisinhas sujas não deveriam encostar em algo tão puro e belo.

Removendo o vestido do cabide e o colocando sobre a cama, ela removeu o seu próprio. O pano feito de trapos brancos e sujos foi jogado em direção ao chão, e ela cobriu seu corpo cheio de cicatrizes das quais Sera não gostava de se lembrar, com o vestido vermelho de bancas bufantes. O decote em V não cobria a sua maior vergonha e por isso, teria que ser consertado.

Sera observou brevemente o cachecol que havia deixado na cama e sabia que ficaria ridículo colocá-lo com uma peça tão bela, mas nada a faria deixar de lado seu porto seguro. Com um suspiro, Sera voltou às suas roupas antigas e começou a trabalhar. Uma gola curta que cobriria suas cicatrizes já estava de bom tamanho.

Quando estava quase caindo no sono, ela ouviu um leve barulho que a despertou. Observou os arredores e não havia nada. Sera engoliu em seco, seu medo provavelmente estava falando por ela. Se fossem, os lobos de sangue já teriam invadido o local.

Ela suspirou de alívio e tomou coragem para o que fazer, o que seria o passo decisivo na sua vida.

Começou a se preparar para sair. Bebeu a sopa que havia tomado de manhã cedo e começou seu novo trabalho.

Colocou mapas, cadernos e lápis em uma mochila antiga e colocou seu capuz e cachecol acima do vestido vermelho novamente.

"Vamos! Coragem, Sera! Você já passou por coisas piores. Uma mudança de vida não é nada..."

Pensou consigo mesma, mas, pensar era mais fácil do que fazer. Suas mãos tremiam, ela apertava os dedos marcando a pele e podia sentir o suor molhar levemente seus cabelos.

O primeiro passo era difícil. Sair na chuva para voltar para a casa era algo, mas sair dali para talvez um lugar pior, era outra coisa.

Sera sabia que era a única opção. Porém, ainda sentia aquela insegurança no peito.

Ela suspirou fundo e disse mentalmente: "Coragem, Coragem, Coragem."

E, desse modo, deu finalmente o primeiro passo.

A mãe Lua ainda iluminava o céu, e o vento fresco da Floresta afagou os cabelos de Sera, a fazendo sorrir.

A floresta era um lugar familiar para ela, um lugar onde estaria longe de casa e segura entre as árvores. Porém, alfas sempre a encontrariam, mesmo que a natureza pudesse ajudá-la a adiar um pouco o seu sofrimento.

E esse era um dos motivos por que Sera odiava e temia alfas acima de todos os outros lobos. Porque sempre se achavam e eram superiores aos outros.

Seu pai era um alfa, aquele que abusou dela por anos era um alfa. Alguém que deveria proteger sua matilha e seus filhotes. Mas, nunca havia sido assim, não com ela. Por isso, alfas não eram confiáveis.

Esses pensamentos de ódio, a fizeram se esquecer um pouco de onde ela estava e de seu propósito.

Ao ouvir um pio de um pássaro, Sera se recompôs e continuou a andar para a saída da Floresta. Aquele havia sido seu lar por anos, o único lugar onde "deveria" estar.

Os sons da Floresta noturna a assustavam quando se movimentava, mas não podia arriscar ser pega pelos lobos de sangue. Seus passos eram precisos para que não escorregasse em um tronco ou algo do tipo, não que já não tivesse acontecido.

Se passaram minutos ou horas? Sera não sabia dizer. Ela estava cansada, suas pernas doíam e agora uma lanterna velha estava em suas mãos, iluminando o caminho.

Em poucos passos, ela viu uma iluminação diferente, o fim da Floresta e o início de uma antiga civilização.

Segurando o mapa com força, ela se preparou para encontrar o colégio WolfPaws , sem perceber que olhos amarelos a observavam.

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