
A Loba Branca Rejeitada do Alfa
Capítulo 3
AYLA POV:
Quando as portas do elevador se fecharam, me isolando de seu mundo, uma onda de euforia misturada com terror me invadiu. Liberdade. Eu a segurava em minha mão, uma única folha de papel que era tanto minha libertação quanto minha declaração de guerra.
Ao mesmo tempo, uma sensação aguda e dilacerante começou no fundo da minha alma. O laço de companheiros, agora oficialmente rompido por sua própria mão, estava começando a se desfazer. Era uma dor fantasma, uma dor em um membro que não estava mais lá.
De volta à cobertura que havia sido minha jaula dourada, o silêncio era ensurdecedor. Caminhei pelos cômodos opulentos, vendo-os pelo que eram: um showroom, não um lar. Nada aqui era verdadeiramente meu.
Uma notificação apitou no meu celular. Era um e-mail criptografado com o selo do Conselho da Clareira Lunar.
"Sua inscrição foi aprovada. Uma vaga no Santuário de Artistas da Serra, em São Francisco Xavier, está reservada para você. Chegada em duas semanas."
Parecia um sinal da própria Deusa da Lua. Um caminho a seguir. Um porto seguro.
Sem um segundo de hesitação, respondi: "Eu aceito. Obrigada."
Minha próxima busca foi por um voo só de ida para São Paulo. Eu o comprei, o e-mail de confirmação uma promessa de uma nova vida. Meu exílio.
Os dias seguintes foram um borrão de preparação silenciosa. Embalei apenas o que importava. Meus pincéis gastos, meus cadernos de desenho cheios de visões frenéticas, um punhado de romances antigos com lombadas rachadas e as poucas roupas simples que eu possuía antes de me tornar a "companheira do Alfa".
Os vestidos de grife, as joias brilhantes, os símbolos da minha posição — deixei tudo para trás nos armários cavernosos, como a pele trocada de uma vida que eu não queria mais.
Uma estranha fadiga se instalou no fundo dos meus ossos. Uma náusea persistente revirava meu estômago todas as manhãs. Culpei o estresse, o trauma espiritual da Rejeição. O laço se desfazia a cada hora que passava, e a dor era uma pulsação constante e baixa sob minha pele.
Então, uma tarde, enquanto eu embrulhava uma tela, um pensamento me ocorreu. Parei, contando os dias nos dedos.
Meu ciclo. Estava atrasado.
Para uma loba, especialmente uma acasalada com um Alfa poderoso, isso quase sempre significava uma coisa.
Uma mistura estonteante de esperança e medo puro e visceral fez meu coração bater contra minhas costelas. Em uma ida à loja de artigos de arte, meus pés me levaram, como se por vontade própria, a uma pequena botica que atendia à nossa espécie.
Comprei um teste de gravidez, sua pequena caixa contendo uma lasca de Pétala Lunar polida, uma substância que reage aos hormônios específicos de uma gravidez de lobisomem.
De volta ao meu ateliê, o único lugar na cobertura que parecia meu, tranquei a porta. Minhas mãos tremiam enquanto eu seguia as instruções simples. Lembrei-me de um texto antigo que li, um aviso sobre os filhos de Lobos Brancos e Alfas dominantes — seu poder poderia ser volátil, instável. Um novo medo, agudo e específico, perfurou a névoa.
Então eu esperei.
Os três minutos mais longos da minha vida.
Lentamente, uma luz fraca começou a brilhar de dentro da lasca de Pétala Lunar. Ela ficou mais brilhante, se unindo em uma única forma inconfundível.
Uma lua prateada, perfeita e luminosa.
Positivo.
Eu estava grávida.
E a vida crescendo dentro de mim não era uma criança qualquer. Era o herdeiro da Alcateia da Pedra Negra, uma fusão impossível de um Alfa dominante e uma rara Loba Branca.
Meu plano simples de desaparecer, de me curar na solidão, foi instantaneamente estilhaçado. Não se tratava mais apenas da minha liberdade.
Tratava-se de proteger meu filho do pai que já havia rejeitado a nós dois.
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