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Capa do romance A jovem inocente e o milionário

A jovem inocente e o milionário

Laiza Nayara, uma jovem de coração puro, descobre que o orfanato onde cresceu esconde um segredo sombrio: o local funciona como um prostíbulo. Sua vida toma um rumo drástico ao ser comprada por Oliver Campbell, um bilionário implacável e frio. Movido por um antigo desejo de vingança, ele está determinado a possuí-la. Entre o ódio e o domínio, um mistério profundo do passado conecta o destino de ambos, revelando que Laiza sempre esteve em seus planos.
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Capítulo 3

(...)

Pela manhã, vou com as demais meninas para uma

sessão de fotos. Algo que faz eu me sentir horrível, já que

a maioria delas é feita conosco usando roupas íntimas.

Mesmo que o fotógrafo seja bastante profissional, fico

desconfortável.

— Que tal mais algumas fotos? — Rodolfo sugeriu

malicioso.

— Não precisa. — A madame, sempre que pode,

intervém por mim. — Pode ir se trocar, Laiza Nayara. — Os

dois ficam conversando.

Obedecendo sua ordem, troco-me em uma sala ao

lado. Já vesti meu uniforme e estou amarrando meu cabelo

com uma presilha. É quando ouço passos atrás de mim.

Virando-me rapidamente, deparo-me com Rodolfo.

— Algum problema?

— Sobre as fotos... — Aproxima-se cada vez mais de

mim.

— O que têm as fotos? Preciso refazê-las? — Imagino

que por eu ter me sentido um pouco desconfortável, elas

não ficaram boas.

— Acho que sim. — Olha para trás, para a porta

entreaberta. — Que tal se eu fechar a porta e atuar como

fotógrafo? Você pode pousar para mim?

— Creio que isso não será necessário, Rodolfo.

— Quem diz isso sou eu, menina. — afirmou raivoso.

— Você cresceu, Laiza, e ficou muito gostosa. Putz! Nem

parece mais aquela menina que vivia chorando por tudo.

Tornou-se uma bela mulher.

— Obrigada pelo elogio! Agora, preciso ir.

Tento passar por ele, mas sou segurada pelo braço.

Ele o aperta com muita força, como se desejasse arrancá-

lo. Encaro seus olhos, sabendo o que isso quer dizer. Seu

olhar é de luxúria sobre mim, devorando-me como se eu

fosse um pedaço de carne. Há alguns dias venho notando

esses olhares.

— Aonde você pensa que vai, menina? Mandei ficar.

— O que você quer comigo? — Sinto medo dele tentar

fazer alguma coisa contra mim.

— Calma, menina! Não precisa gaguejar. Eu só quero

fazer com você umas coisinhas que desejo há muito

tempo.

Meu Deus!

— Q-quais c-coisinhas?

— Não pense em gritar! Senão, não irei responder por

mim. — Mantém seu olhar malicioso sobre meu corpo.

Eu sempre convivi com tudo isso, então não é

nenhuma novidade para mim receber olhares como esse.

Contudo, homem nenhum jamais tentou tocar em mim,

como ele está tentando. Sua mão desce pela minha coxa,

fazendo-me querer gritar. Mas ele coloca a mão sobre

minha boca, impossibilitando-me de pedir ajuda.

— Eu falei para não gritar, vadia.

Meus olhos se enchem de lágrimas. Quero sair daqui.

Seus toques me causam nojo e repugnância. Ele é um

homem de meia-idade, sua aparência não é uma das

melhores e seu mau hálito me deixa com uma enorme

vontade de vomitar todo o meu café da manhã.

Até perdi o movimento das pernas, pois o medo me

paralisou. É sempre assim.

— Rodolfo, por favor, deixe-me ir!

— Se você não fosse exclusivamente do senhor

Campbell, nós iríamos ter um longo dia juntos, docinho.

Agora, saia daqui, antes que eu mude de ideia!

Saio correndo o mais rápido que posso, sem saber

dizer se foi sorte eu ter conseguido sair ilesa dele. Sinto

calafrios ao fechar os olhos e o imaginar me tocando.

O que mais me assustou, foi ele ter afirmado que eu

pertenço a um homem. Como pode ter tanta certeza disso?

Essa dúvida me deixa completamente intrigada.

Capítulo Três

APÓS SAIR praticamente correndo da sala, onde

estava presa com o Rodolfo, sinto que meu coração está

prestes a sair pela boca. A minha pulsação acelerada me

dá uma vasta sensação de que vou desmaiar. Só de

imaginar que quase fui violentada por aquele ser medíocre

que não sabe respeitar nem a própria mãe... Se bem que

um ser repugnante como esse, não merece ter uma mãe.

Ele me dá nojo. Tudo aqui me causa nojo.

Pensando bem, até que não seria tão ruim ir embora

daqui para sempre. Se, pelo menos, eu pudesse levar a

Chelsea comigo, poderíamos reconstruir nossas vidas

longe desse lugar sufocante e aprisionante.

— Suas fotos devem ter ficado o máximo. Você fica

bonita em qualquer situação. Não é mesmo, Iza? —

Estamos sentados em um banco, no jardim. — Aconteceu

alguma coisa? — perguntou preocupada.

— Não. Estou bem.

Suas mãos tocam em minha face, erguendo meu olhar

até o seu. Seu semblante é o de alguém assustada. Ela é

só uma garotinha insegura.

— Estou com medo. — confessou o óbvio. — O leilão

de hoje à noite está me fazendo sentir calafrios.

— Pense comigo! Imagine se um bom homem comprar

você e estiver disposto a te dar uma vida boa! Em alguns

anos, poderemos nos encontrar em alguma festa.

— A madame falou que irei ajudar a servir.

— Ela está fazendo isso para te proteger.

— Sou grata a ela por isso, mas, ainda assim, não

gostei da sua ideia. Não quero me separar de você, nunca.

— Bufa irritada. — Se a gente conseguisse fugir daqui e ir

até a polícia pelo menos, poderíamos ter uma vida melhor.

Essa possibilidade é praticamente impossível. É por

isso que não penso em tentar fugir daqui. Isso significa

morrer.

— Eu ouvi bem, meninas? As princesas querem deixar

a torre para sempre? — Mag apareceu do nada, dando um

pequeno susto na gente.

Olho para minha amiga e lhe peço calma. Ela odeia

essa garota em todos os sentidos, mas não podemos

perder a calma com ela neste momento tão delicado.

Mag é uma adolescente quase comum e, assim como

a gente, foi criada presa, por trás das muralhas, sem

escolha. Não julgo seu comportamento rebelde e maldoso,

porque, talvez, se não estivéssemos nessa nossa

realidade, ela poderia ser boa.

— Vocês sabem que isso é impossível, suas idiotas.

Vejam o tamanho destes muros e toda a segurança! —

Tem razão. — Eu poderia contar ao Rodolfo ou à madame

tudo que vocês conversaram aqui, mas não estou a fim.

— O que você ganha com tudo isso, Mag? —

perguntei.

— Ver vocês preocupadas e tristes é a minha maior

satisfação.

— É bom ficar de boca fechada, menina. Não quero

discutir com você. — Chelsea já está chateada.

— Hoje pode ser a última vez que estou olhando para

as caras e roupas de vocês, porque há a chance de eu ser

a mais nova milionária do país. E vocês ainda vão

continuar aqui, mofando, pois ninguém vai querer comprar

as duas meninas mais feias de todo o “orfanato”.

— Vaze daqui, garota! — a ruiva mandou.

Ela está prestes a se levantar para ir, mas eu a seguro.

— Mag, nós te ajudamos com o exame de urina. Será

que pode ficar e fingir que não nos ouviu conversando

besteiras?

— Vou pensar no caso de vocês. Beijos, vadias! — Sai

rebolando sua bela bunda. Ela adora falar sobre suas

qualidades.

Garota mais irritante do que essa, está para nascer.

Odeio a maneira como ela gosta de manipular as pessoas

à sua volta, sempre tentando ser superior, como se

humilhar o próximo fosse seu maior objetivo.

— Da próxima vez, eu juro que... — Chelsea começou

a falar.

— Não jure nada, amiga! Vamos para a nossa aula!

— Só você mesmo para chamar aquilo de aula. Odeio

ter que ver aquelas pessoas ensinando sobre sexo para

nós. Se eu pudesse, mataria todos eles.

— Você não vai matar ninguém. Agora, vamos!

— Você não sabe, Iza, mas eu sei que um belo

príncipe virá me salvar daqui um dia.

(...)

O vestido que Chelsea usará hoje à noite, no leilão,

está pendurado sobre o cabide. É um lindo em tom de

vinho, perfeito para ela. Não sei o motivo, mas estou

preocupada por saber que ela estará sozinha nessa festa,

sem mim. A minha amiga tem a cabeça quente, portanto

temo que faça alguma besteira. Mesmo que vá somente

servir algumas bebidas, tenho medo de que se envolva em

confusão.

— Prometa para mim que não vai perder a cabeça

hoje!

Ela cruza os braços e sorri.

— Se eu morrer, prometo proteger você para sempre.

Vou ser aquele tipo de fantasma que vai assustar todo

mundo que tentar te fazer algum mal.

— Você é maluca.

A noite logo cai e ela começa a se arrumar, assim

como a maioria das meninas. Ainda lhe ajudo com a

maquiagem, porque sei fazer umas das melhores daqui.

Algumas garotas me procuram para as maquiar quase

sempre. Como somos muitas, às vezes as maquiadoras

disponíveis não conseguem dar conta do serviço.

Um segurança vem buscar minha amiga. Quando a

levam, sinto a necessidade de abraçá-la e começo a

chorar. Tenho uma sensação horrível em meu peito de que

ela não vai voltar, nunca mais. Mas essa pode ser uma

reação normal da minha mente, por causa da pressão

envolvendo toda essa situação. É apenas nervosismo.

Espero que seja.

Deito em minha cama e, depois de chorar horrores,

finalmente adormeço.

(...)

Acordo, sentindo mãos quentes tocarem em mim. O

que está me machucando para dedéu.

O quarto está escuro, mas posso ver Rodolfo sentado

na beira da cama, com uma mão em minha coxa. Não faço

ideia de quanto tempo faz que ele já está aqui.

Tudo que quero fazer é gritar, mas quem irá me ouvir?

— Rodolfo? O que você está fazendo aqui? —

Levanto-me da cama em um pulo e ascendo a luz. É

mesmo ele.

— Estou fazendo a ronda, menina. — respondeu

cinicamente.

— Por que insiste em me tocar? Sabe que não pode

fazer isso. Estou sendo negociada para um cliente e...

— Calma, menina! Não vou tirar sua virgindade à força,

porque sei o tanto que ela vale para nossos bolsos. Mas

não me custa nada ficar observando você no meio das

noites. — Então, hoje não foi a primeira vez? Meu Deus!

Esse homem está obcecado por mim. — Não precisa ficar

nervosa. Já estou indo para o leilão. Espero que fique feliz

pela sua amiga, porque ela está valendo muito para o

nosso mercado. Mesmo sendo tão jovem, chamou a

atenção de um grande empresário. — informou, divertindo-

se.

Se ele queria me perturbar, conseguiu roubar todo o

meu sono.

Eu o vejo sair do quarto e, em seguida, arrasto uma

poltrona até a porta. Como se isso fosse impedir a entrada

dele caso queira vir aqui novamente! O cara é louco.

O que ele disse da minha amiga, é mesmo verdade?

Chelsea foi à festa para servir, não para ser vendida.

Certamente, falou isso para me deixar pensativa. Não

posso passar a noite inteira imaginando a possibilidade de

não a ter comigo amanhã de manhã. Como irei dormir

agora? Só quero chorar.

Não consigo pregar os olhos, literalmente, depois

daquele asqueroso ter falado aquelas besteiras. Seus

assédios estão ficando sérios, então penso que talvez seja

melhor comunicar sobre eles à senhora Cloe. Ele está

ficando incontrolável. Como pôde vir ao meu quarto no

meio da noite e me tocar daquela maneira? Isso não é

certo. Ninguém daqui tem autorização alguma para tocar

em alguma de nós.

Como não tenho noção da confusão que isso poderia

causar, fico com um pé atrás todas as vezes que penso em

ir até a sala da madame.

O dia logo amanhece, e nada de Chelsea voltar. Isso

está me deixando aflita. Não quero perder minha amiga

assim, sem ao menos ter uma chance de me despedir dela

e dizer o quanto a amo.

Encontro-me com algumas das selecionadas e

ninguém sabe me dizer como ela está. Aflição e

nervosismo me tomam neste momento. Como isso pode

estar acontecendo?

Estou prestes a ir até a sala da diretora para perguntar

pela minha amiga, quando a vejo chegar gritando e

correndo na minha direção, feito uma louca. Na verdade,

ela é muito maluquinha. Vou matá-la por ter me dado um

susto.

Retribuo seu abraço e tento lhe dizer algo, mas ela me

interrompe, falando de uma maneira ofegante.

— Não sabe dos babados que aconteceram ontem à

noite. — questionou de maneira divertida. — Venha

comigo! Vamos para o jardim!

— Não podemos. Tenho aula agora.

Eu amo o seu jeito maluquinho. Seu jeito Chelsea de

ser é único. A minha irmã é doidinha, porém não sei mais

viver sem suas travessuras.

Vou para a aula de Conhecimentos Gerais. Dessa vez,

não é uma sobre sexo. Durante a semana, ensinam para

nós essa matéria e Matemática, duas ou três vezes.

Precisamos ter conhecimento para alguma coisa nesta

vida.

Isso parece que nunca terá fim, só que conto cada

segundo para acabar. Estou curiosa para saber o que a

ruivinha descobriu de tão emocionante. Aposto que não é

nada demais, que ela apenas quer me dizer besteiras e

fofocas, mas me remexo de curiosidade para saber o que

é.

Quando a aula acaba, recolho meus cadernos e livros,

encontro-me com ela no corredor e corremos em direção

ao banheiro, entusiasmadas com a tal revelação.

Ela entra em uma cabine e a fecha. É muito

maluquinha.

Encaro minha face no espelho, notando que estou um

pouco abatida. Mas não é nada que um pouco de pó

compacto não resolva. Também estou com algumas

espinhas quase no ponto de espremer. Normal para uma

adolescente como eu.

De repente, ouço um barulho horrível de alguém

vomitando como se estivesse colocando as tripas para

fora. O som é tão feio, que chego a pensar que Chelsea

está morrendo.

Preocupada, bato na cabine em que ela está e a peço

para abrir a porta imediatamente.

— Chelsea! Está tudo bem?

Ela sai da cabine parecendo super bem, sem nenhuma

expressão de dor ou algo do tipo. Se não foi ela, quem foi?

Não imaginei nada disso, pois não sou louca e sei o que

ouvi

— Pensei que você estava passando mal. — dissemos

ao mesmo tempo, ficando surpresas uma com a outra.

Algo de errado está acontecendo neste banheiro.

Eu estranho e ela franze o cenho.

— Se não foi você, muito menos eu, quem foi? —

questionou.

— Não sei.

Ouvimos o barulho novamente, vindo da cabine ao lado

de onde Chelsea estava. Realmente, acho que alguém

está morrendo ali dentro. A pessoa parece estar passando

muito mal.

Olhamos uma para outra, preocupadas com o que

pode estar acontecendo.

— Calma! — falei baixo.

Bato na porta e posso notar que ela está aberta.

Depois de empurrá-la, tomo um susto ao ver a Mag. Ela

está sentada no chão, pálida como a neve. Há vômito seu

espalhado por todo chão e muito sangue. O odor é forte.

— Meu Deus! Ela está morrendo! — afirmei nervosa.

— Vou chamar alguém para ajudar. — Chelsea falou.

— Não! — a voz dela saiu por um fio. Está chorando

por causa da dor. — Pelo amor de Deus! Eles vão me

matar.

Vendo-a caída no chão, sangrando e vomitando, posso

perceber do que se trata. Não posso acreditar que ela foi

capaz de cometer tal ato, sabendo das consequências.

— Vou chamar alguém. — Chelsea insistiu.

Eu a seguro pelo braço e ela me olha sem entender.

Está tão preocupada quanto eu.

— Não! — pedi firmemente.

Sua inocência é algo lindo de ver. Ela não entendeu o

que está acontecendo.

Estou um pouco surpresa, porque não havia percebido

nenhuma alteração no corpo da Mag, nenhuma grama a

mais. Ela estava grávida e acabou de cometer o pior erro.

Ainda colocou sua vida em risco.

— Por que não?

— Ela está abortando. — Estou petrificada. — Mag

está abortando o filho.

Chelsea a olha horrorizada.

Não temos o que fazer, pois mesmo sentindo bastante

dor, ela não nos deixa chamar ninguém. E tem razão,

porque se alguém a ver, irá matá-la por ter engravidado.

Não penso em outra coisa além da dúvida: quem era o pai

dessa criança? Ela não tem juízo algum. Como pôde se

entregar a um homem sem se cuidar?

— Vá buscar água para ela tomar e não fale nada a

ninguém! — pedi.

Ela sai correndo e eu me aproximo mais da Mag,

encarando seu rosto pálido e suado.

— Não me denuncie, Laiza! — implorou.

Como ela é capaz de pensar algo assim de mim? Eu

jamais lhe faria algum mal. Sei dos riscos que estou

correndo por ajudá-la, mas, ainda assim, não irei deixá-la

morrer sozinha neste banheiro fedido.

— Eu nunca iria te prejudicar, Mag.

— Mas... deveria fazer isso. Eu te humilhei durante

anos e você está me ajudando. Essa é sua chance de

ferrar comigo.

— Não fale muito! De quanto tempo você estava

grávida?

— Quatro semanas, eu acho.

— Por que fez isso?

— Não foi minha culpa. Eu não queria. Fui violentada.

Fico em choque com sua revelação. Como assim? Aqui

dentro, alguém teve a audácia de violentar uma virgem?

Ela faz parte do grupo das virgens, das conservadas.

— Por que não comunicou à senhora Cloe?

— Nem todas têm proteção, como você. Acha que

iriam acreditar em mim?

— Quem te fez isso?

— Não importa. Só não me deixe morrer sozinha!

— Segure a minha mão, por favor!

E ela faz isso firmemente.

Eu nunca a vi assim, tão frágil e amedrontada. Ela

sempre foi alguém de personalidade forte, de postura

ereta, e rígida com todos; estava sempre me humilhando.

Veja como o mundo dá voltas! Agora me encontro a

ajudando.

Ela desfalece algumas vezes e demora a voltar. Em um

momento, até pensei que morreu, porque passou quase

uma hora desmaiada.

Chelsea também traz álcool e remédios para dor.

Damos bastante pílulas para ela beber.

Não me importo com todo o sangue, que já sujou boa

parte da minha saia, pois quero apenas ajudá-la. Até faço

uma oração para ela não morrer e peço para que tudo dê

certo.

Eu poderia abandoná-la aqui, entretanto não sou capaz

de deixar ninguém na mão, muito menos alguém que já foi

minha melhor amiga no passado.

— Tem certeza que ninguém te viu? — perguntei.

— Absoluta. Passe mais álcool no nariz dela!

Faço isso e vejo Mag despertar novamente. Parece

estar recuperando suas forças.

— Como se sente?

— Eu quero comer.

— Você é maluca. Onde conseguiu as drogas? —

Chelsea questionou irritada.

Eu olho feio para ela. Esse é um momento delicado,

não propício para brigas.

— Tenho meus contatos, sua burra.

— Veja só, Iza! Não vou ajudar mais.

— Calma! — pedi. — Meninas, não façam isso! Mag!

— repreendi.

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