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Capa do romance A Indomável

A Indomável

Após romper um namoro sem futuro, a vida de Elizabeth Fabbri muda drasticamente em uma balada. Ela acaba atraindo Louis, um implacável Don da máfia em missão no Brasil que não aceita ser rejeitado. Instigado pelo desprezo da jovem, o mafioso decide inseri-la em seu mundo perigoso. No entanto, o que era apenas um jogo de sedução e poder logo se torna uma ameaça real. Agora, Elizabeth precisará enfrentar riscos mortais ao se envolver com esse homem terrível.
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Capítulo 2

— Vocês vão pra pista? — perguntei para as meninas, que já tinham sentado no sofá vermelho como se estivessem em uma casa de chá.

— Não mesmo, a vista está muito boa daqui... — Carol me respondeu e logo em seguida mordeu o canudo de seu drinque, encarando algo atrás de mim. Quando me virei para ver, por sorte, meus cabelos se soltaram e desceram pelas minhas costas, escondendo parte do meu rosto.

Os homens eram bonitos, do tipo que nunca iriam olhar para mim. Então

depois de apreciar a vista e me recuperar, dei de ombros e chamei a única pessoa ali que eu sabia que não estaria interessada naqueles caras, a não ser que eles tivessem uma boceta. Peguei Isabella pela mão e fomos para a pista, ficando na frente da área VIP, para que ninguém se perdesse ou encontrasse alguma confusão.

Parecia que o DJ havia recebido de alguma forma celestial a informação de que estava dançando e colocou para tocar uma sequência de músicas que eu adorava. Dançava de olhos fechados, às vezes sentia mãos em minha cintura, mas tudo o que fiz foi empurrar seja lá quem fosse.

Ainda não estava pronta para beijar outra boca que não fosse a do meu ex-namorado. Era triste saber que aquela coisa de “não namoramos, mas estamos juntos” começava a desmoronar. Não adiantava terminar o namoro e continuar a tratar Pedro como se tudo fosse como antes, sem saber como evitar quando ele me abraçava ou beijava enquanto contava os dias até eu tomar a decisão final de evitá-lo. Então, o momento de perder meu ex-namorado-melhor-amigo iria chegar. Assim, mesmo estando em uma briga particular com Deus a uns belos dois meses, eu orei.

Orei no meio de uma balada, quase bêbada por não ter comido nada e cheia de mágoa dentro do meu coração. “Deus, se você ainda ouve quando eu te chamo, por favor, faça meu coração parar de doer tanto”. E foi nessa hora que resolvi abrir os olhos, enquanto o refrão de Enjoy the Silence tocava alto, e vi uma quantidade absurda de seguranças em volta de um único homem passando em direção ao camarote.

Quem será que tinha tanto dinheiro para precisar levar os seguranças na balada? Revirei os olhos e voltei a dançar, com raiva por saber que em casa meus pais estavam desesperados, esperando a resposta de um processo sair. Estava com risco de não conseguir continuar a faculdade por conta dos atrasos, com o nome fodido no banco, sem meu pai saber, e então um riquinho metido à besta esbanjava o dinheiro em baladas daquele tipo e precisava ter quinhentos seguranças gorilões. Será que ele limpava a bunda com dinheiro também?

— Preciso beber alguma coisa mais forte, já volto — disse no ouvido de Isa antes de sair de perto dela e voltar ao camarote.

Fiquei surpresa ao ver que as meninas tinham conseguido atenção de um dos homens da outra mesa, eles pareciam mais velhos, e confesso que bem intimidadores.

Sem falar nada, ajoelhei-me na frente da mesa e me servi de uma, duas, três doses de tequila. Aquilo ia dar merda, mas não precisava ir para casa naquela noite. Tudo o que fiz foi dar de ombros e ter certeza de que não vacilaria ao me levantar, mas não deu muito certo.

— Você está bem? — o cara que estava sentado entre as meninas perguntou, e eu entendi que aquele grupo todo era gringo.

Dei risada, deixando-o sem entender.

Peguei seu copo cheio de uísque de modo atrevido, levantei no ar e brindei antes de dar um gole na bebida. Devolvi o copo, pisquei para o cara e saí em direção à pista com uma garrafa de uma dessas cervejas novas que tem gosto de tudo, menos de cerveja.

* * *

Não percebi a hora, mas logo a garrafa em minha mão já havia se esvaziado e eu via o mundo de um jeito muito mais legal. Enquanto dançava com Isa, tentando me equilibrar em cima do salto toda vez que me sentia vacilar, tomei consciência da mulher que dançava em uma plataforma no meio da pista. A garota estava quase sem roupa e se mexia de um jeito muito sensual junto de outro dançarino.

Eu nunca liguei muito para gênero, desde que gostasse da pessoa, e graças a coragem desenfreada que o álcool causava, estendi minha mão para que o homem me puxasse lá para cima.

Ouvi os gritos de excitação que as pessoas em volta deram quando viram uma terceira pessoa no palco. Vi Isabella rindo e li seus lábios: “sua louca”. Encarei o grupinho de meninas mimadas, que me olhavam irritadas por perderem momentaneamente a atenção do gringo, e então parei meus olhos no homem que havia chegado com os seguranças.

Minha dança foi inteiramente para ele, passei minhas mãos pelo corpo da mulher enquanto rebolava no homem e permiti que ela colocasse as mãos em mim também. O cara me segurava pela cintura, e eu podia sentir o membro duro dele roçando bem no meio da minha bunda. Eu ri, sentindo cada parte do meu corpo latejar. Senti também culpa por estar sem transar há pelo menos um mês, culpa por estar querendo algo que ninguém entendia e podia dar. Querendo realmente ser, uma vez na vida, Elizabeth de Jane Austen e ter um Sr. Darcy para entender quando eu fosse uma filha da puta, ogra, no ápice no meu mau humor e que me amasse, me cultuasse e me quisesse para sempre.

A música acabou, minha vontade de estar ali em cima também, mas o show precisava terminar do modo certo. Sabia que os olhos do homem que provoquei estavam sobre mim, então puxei o rosto dos dançarinos e pisquei para o desconhecido antes de darmos um belo beijo triplo, que levou o público da casa à loucura.

Quando desci do palco, esgueirei-me até Isabella, e ela me abraçou.

— Sua maluca! Foi a coisa mais sensual que eu já te vi fazer! — ela ria.

— Não me faça querer te dar uns beijos também!

Então foi minha vez de rir, eu sabia que não fazia o tipo dela, nem ela o meu. Nós éramos mais parceiras de alma do que de corpo.

Estávamos dançando, aproveitando o restante da noite, quando senti duas mãos na minha cintura, quase entrando pelo meu short. Tentei dar uma cotovelada para trás, mas a pessoa não se moveu, continuou com as mãos em mim.

— QUE CARALHO DE PARTE VOCÊ NÃO ENTENDEU QUE É PRA

TIRAR SUAS MÃOS DE MIM? — gritei por causa do som alto e também pela raiva.

Eu era forte e dei um jeito de conseguir afastar o cara o suficiente para poder me virar e encarar o armário em forma de gente vestido de azul.

— Qual é? Você estava se divertindo ali em cima e provocando tanto... Eu sei o que você quer — o cara se aproximou de novo e me travou contra o peito dele, o cheiro de cigarro em sua camisa me fez querer vomitar.

— Me solta, agora! — Sabia me defender, agradeci mentalmente a minha maluquice de querer emagrecer fazendo lutas.

Não emagreci, mas aprendi a dar alguns golpes.

Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, dois seguranças surgiram do nada, segurando o homem e o fazendo tirar as mãos de mim. Agradeci por estar livre, mas não antes de levar meu joelho com toda força que tinha bem no meio das pernas daquele merda.

— Nunca mais encoste em nenhuma mulher sem que ela queira, entendido? — falei bem próximo ao ouvido do cara, que havia se encolhido pela dor.

Achei que naquela hora os seguranças iam me levar embora, afinal, em São Paulo ou em qualquer lugar do mundo, a regra é clara, não? Arranjou confusão, vai para rua. Mas os homens olharam em direção ao camarote e tudo o que eu vi foi o branquelo de cabelos castanhos indicando com a cabeça a porta dos fundos. Os seguranças pareciam não me ver e saíram arrastando o cara pelo caminho indicado.

Naquele momento, eu saí empurrando as pessoas e ainda que estivesse cambaleando, fui para a área vip. Precisava falar umas coisas para aquele cara.

Quando me aproximei dele, falei no meu melhor inglês bêbado.

— Eu não preciso da sua ajuda!

Nem esperei resposta, apenas me virei e saí puxando Isabella, que me olhava chocada, em direção ao bar.

— Senta aí! — ela mandou, e eu me larguei em um dos bancos. — Você

está bem?

— Estou, preciso beber mais algumas doses e vou ficar ótima!

— Então vamos lá! — Isa não era o melhor exemplo quando se tratava de sobriedade, nem de maturidade, mas aquela noite nós podíamos tudo.

As pulseiras da área VIP nos davam acesso a todas as bebidas, e nós duas ficamos experimentando drinques de nomes bizarros até a hora que percebi que precisava urgentemente usar o banheiro.

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