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Capa do romance A Heroína Esquecida, Meu Noivo Traidor

A Heroína Esquecida, Meu Noivo Traidor

Cinco anos após salvar o pai em segredo, uma jovem é injustamente rotulada como egoísta enquanto sua irmã gêmea rouba o mérito. Agora, sob pressão extrema e ameaças de seu noivo Iago, ela é coagida a doar seu último rim. Ignorada pela família ao tentar revelar sua condição terminal, ela morre na mesa de cirurgia. Contudo, a descoberta médica de seu sacrifício prévio e de um envenenamento misterioso promete transformar a vida de seus traidores em um verdadeiro inferno.
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Capítulo 2

Alice POV:

Meus olhos ardiam. Forcei-os a abrir, esfregando-os com o dorso da mão. A luz do hospital era fria e impiedosa. Eu mal havia me levantado da maca quando a voz de Iago me chamou.

"Alice, espere."

Eu me virei, meu corpo protestando a cada movimento. Ele estava vindo em minha direção, Juliana e meus pais logo atrás.

"Juliana não está bem", ele começou, a voz suave, mas com um tom de exigência. "Ela está muito fraca para se concentrar nos estudos. Mal consegue segurar uma caneta."

Eu o observei em silêncio. Nova exigência. Sempre havia uma.

"Você está fazendo seu TCC sobre ética na doação de órgãos, certo?", ele perguntou. Seus olhos, antes cheios de um amor que nunca foi, agora me avaliavam.

Eu balancei a cabeça. Sim, aquele era meu trabalho de conclusão de curso. Minha paixão, minha pesquisa.

"Seria de grande ajuda para Juliana se você pudesse emprestar seu trabalho para ela consultar", Iago disse, a sugestão mais um comando.

Um nó se apertou na minha garganta. O sabor amargo da ironia. Minhas conquistas eram sempre dela para pegar.

Lembrei-me das incontáveis vezes em que fiz seus deveres de casa, colei suas provas para que ela não fosse reprovada. Juliana nunca me permitiu superá-la em nada, mas adorava colher os louros do meu esforço. Desta vez, ela nem sequer se dignou a escrever uma única palavra. Ela só esperava para copiar.

Minha mãe, Ivone, percebendo meu silêncio, se aproximou. "Alice, querida. Sua irmã está tão fragilizada. Seus estudos estão indo para o ralo. Como irmã mais velha, você não deveria ajudá-la?"

A familiaridade daquela chantagem emocional era sufocante. Quantas vezes ouvi isso?

Forcei um sorriso, um músculo que há muito tempo havia esquecido como se comportar. "Claro. Sem problemas."

Eu me perguntei se Juliana algum dia seria capaz de fazer algo sozinha. A resposta, eu sabia, era não.

Iago sorriu, um brilho de satisfação em seus olhos. "Eu sabia que você entenderia." Ele tirou meu trabalho, já impresso, de uma pasta que ele segurava.

Ele o entregou a Juliana, que sorriu maliciosamente para mim. Um sorriso vitorioso. Uma punhalada no meu coração.

Iago se inclinou e sussurrou algo no ouvido de Juliana, acariciando seus cabelos. Ela corou, os olhos baixos, mas lançou um olhar rápido para ele, cheio de adoração.

Eu os observei. Iago e Juliana. Sempre ali, sempre juntos.

Uma onda de raiva, rara agora, tentou me dominar. Se eu não estivesse envenenada, se meu corpo não estivesse falhando, talvez eu lutasse. Gritaria. Mas não havia mais força em mim.

Eu me virei e saí do quarto, a dor física quase me derrubando. A porta do quarto de Juliana se fechou atrás de mim, mas as risadas deles, cheias de felicidade, me seguiram. Ninguém tentou me impedir. Ninguém sequer notou minha partida.

Cheguei em casa, no apartamento que Iago e eu dividíamos. Um lar que eu havia construído com amor e cuidado.

Eu não queria que nada meu ficasse para trás. Não queria que meus rastros permanecessem.

Comecei a empacotar minhas coisas. Minhas roupas, meus livros, meus presentes de aniversário de Iago. Tudo o que me definia como Alice Ramalho foi jogado em caixas, destinado ao lixo. Cada objeto, uma memória. Cada memória, uma dor.

Quando terminei, meu corpo estava exausto. Minha respiração, um esforço. O veneno, o câncer no meu sangue, espalhava-se por cada célula. Cada movimento era um tormento.

Eu me arrastaria para a cama, um último refúgio. O sono seria uma bênção.

Mas não tive tempo. A porta do apartamento se abriu abruptamente. Iago estava lá, meus pais atrás dele, e Juliana, chorando, parecendo ainda mais frágil.

"Alice!", minha mãe exclamou, a voz cheia de raiva. "Por que você não entregou o trabalho para sua irmã?"

Iago me olhou com uma decepção forçada. "Eu esperava mais de você, Alice."

Juliana, com um soluço teatral, enxugou os olhos. "Eu entendo que você esteja chateada, Alice. Mas usar seu professor para me atacar online? Isso foi cruel."

Minha mente estava em branco. Atacar online?

"As pessoas estão me chamando de plagiadora", ela choramingou. "Estou sendo ridicularizada. Você é má, Alice!"

"Chega!", minha mãe gritou. "Eu não aguento mais essas brigas. Juliana está doente. Você precisa consertar isso, Alice! Você vai pedir desculpas. Agora."

Minha mãe se virou para abraçar Juliana, acariciando seus cabelos. "Não se preocupe, minha filha. Alice vai resolver tudo. Ela vai se desculpar por isso."

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