
A Herdeira Sombria E Sua Vingança
Capítulo 3
Heloísa Caldeira POV:
A pergunta de Álvaro ecoou no salão, congelando o ar. "Papai Ricardo, por que você não me defende? Por que você gosta mais do Kevin?"
Todos os olhares se voltaram para nós: eu, Álvaro em meus braços, Ricardo, Carina e Kevin. O silêncio era ensurdecedor.
Ricardo empalideceu, a máscara de confiança rachando. Seus olhos vagaram entre Álvaro, eu e a multidão de convidados chocados. Carina, no entanto, discretamente, exibiu um sorriso quase imperceptível, um brilho de triunfo em seus olhos.
Kevin, aproveitando o momento, olhou para Álvaro e gritou: "Ele não é seu pai! Ele é o MEU pai!"
Álvaro, apavorado, se encolheu ainda mais em meus braços, tremendo incontrolavelmente.
"Papai Ricardo?" ele murmurou, as lágrimas escorrendo. "Por que você não gosta mais de mim?"
Uma dor aguda perfurou meu peito. Eu o segurei com mais força, sentindo as lágrimas de Álvaro molharem meu ombro. A imagem dele, tão vulnerável, tão machucado, acendeu uma fúria fria dentro de mim.
"Ricardo," minha voz era um sussurro perigoso, "diga a ele. Diga a ele quem você é para ele. Diga a ele por que você não o defendeu."
Os olhos de Ricardo se estreitaram, um flash de raiva passando por eles. Ele sabia que estava encurralado.
Mas, para meu horror, ele não recuou. Ele se inclinou, pegou Kevin nos braços e o abraçou apertado.
"Não, meu campeão. Você é o meu menino. Sempre será," ele disse para Kevin, ignorando completamente Álvaro e a mim.
Os sussurros começaram a se espalhar como fogo.
"Ele tem um filho com a prima dela?"
"Então a Heloísa é a outra? Que escândalo!"
"Eu sempre soube que Ricardo e Carina tinham algo. Aquele garoto é a cara dele."
Pessoas apontavam, cochichavam. A humilhação era pública, brutal. Alguns até tiravam fotos com seus celulares.
Senti meu rosto queimar, não de vergonha por mim, mas de raiva pela injustiça, pela maldade. Ricardo me olhava com um desdém gelado, como se eu fosse um mosquito irritante. Carina, ao lado dele, não conseguia esconder a satisfação. Seus olhos brilhavam.
Eu apertava Álvaro contra mim, protegendo-o do mundo cruel que Ricardo havia criado. O barulho dos comentários alheios era um zumbido distante. O importante era a dor de Álvaro.
"Ele parece mesmo o Ricardo, não parece?" ouvi uma voz feminina dizer. "Os mesmos olhos."
Olhei para Kevin. Naquele momento de fúria cega, eu não havia percebido. Mas sim, havia uma semelhança. Os mesmos traços angulosos de Ricardo, a mesma cor de cabelo. Um choque elétrico percorreu meu corpo. Eu tinha sido tão cega? Ou Ricardo tinha sido um ator tão bom?
Álvaro continuava a soluçar, agarrado a mim como um náufrago a uma boia. Eu precisava tirá-lo dali. Agora.
"Vamos, meu amor. Para um lugar tranquilo. A irmã está aqui," eu disse, levantando-me com ele em meus braços. Fazer isso na frente de todos, com os olhares queimando em minhas costas, exigiu cada grama da minha força.
Eu o levei para uma sala de descanso vazia. O lugar estava silencioso, um alívio abençoado do circo lá fora. Álvaro se acalmou um pouco, mas ainda choramingava. No meu colo, ele finalmente adormeceu, exausto de tanto chorar.
Olhei para o rosto angelical de Álvaro, suas pálpebras inchadas, as lágrimas secas marcando seu rosto. A raiva que eu sentia era mais profunda do que jamais imaginei ser possível. Ricardo não apenas me traiu. Ele machucou Álvaro, meu irmão, o ser mais puro e vulnerável que eu conhecia.
E Carina. Aquela víbora. Ela sempre cobiçou o que era meu. Agora, ela tinha Ricardo, meu noivo, e um filho que parecia ser dele.
Levantei-me cuidadosamente, colocando Álvaro deitado no sofá. Peguei meu celular novamente. O evento ainda não havia terminado. E nem o meu plano.
Liguei para Heitor.
"Heitor, preciso que você acelere o processo de divórcio. E o desligamento de Ricardo." Minha voz era fria, sem emoção. "E quero uma investigação completa sobre Carina Godoy e o filho dela, Kevin. Cada detalhe. Cada transação."
"Entendido, Heloísa. Para quando você precisa?" a voz profissional de Heitor soou.
"O mais rápido possível," eu disse, desligando.
Foi então que ouvi. Um grito agudo, seguido de outros.
O grito de Álvaro.
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