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A Herdeira do Crime

Acordar no Havaí ao lado de uma ruiva misteriosa trouxe lembranças perigosas para um agente focado. Ela é filha do maior traficante de armas do mundo, o alvo que ele persegue há dois anos. Mesmo ciente do risco para sua carreira, o desejo por ela é incontrolável. Agora, ele enfrenta o pior dilema de sua vida: cumprir a ordem de matar a herdeira do crime ou proteger a mulher por quem se apaixonou. Descubra o desfecho dessa intensa e fatal perseguição.
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Capítulo 3

Quando você ouve o nome “Nicole” e sabe que ela é filha de um traficante de armas gordo e careca, qual a primeira impressão que você tem? Bom, eu vou lhe contar o que eu imaginei no dia em que soube que o nojento do Bira tinha uma filha.

Foi assim. Meu superior, João, resolveu me mandar investigar o lugar de origem de Bira, ou seja, o morro onde eu nasci. Acho que aquele corno sabia que era meu lugar de origem e queria me testar. Mas, antes de me mandar, ele disse:

— Não esqueça, Carlos. Você tem que encontrar a pessoa que está por trás dele. Provavelmente seja a filha, então, encontre rastros dela.

— E você sabe algo sobre a filha de Bira do Beco?

João pegou uma cópia de um papel e me entregou:

— Só o que está escrito aqui. Foi tudo que Jorge conseguiu reunir na investigação dele sobre o caso.

Eu peguei o papel, já chateado de ter ouvido o nome de Jorge. Aquele cara era um babaca. Se achava o cara mais certinho da corporação. Aposto que o filho da puta escondia alguma coisa. E eu ainda ia descobrir o que era. Mas, concentrado no caso, eu li o papel:

— Vejamos: “Albiner Oliveira, conhecido popularmente como Bira do Beco. Homem acima do peso, calvo, com 45 anos de idade”. Caralho, João, ele tem apenas cinco anos a mais que eu e parece ser muito mais velho.

— Deve ser a quantidade de drogas consumida.

Continuei a leitura:

— “Procurado internacionalmente por tráfico de armas. Um dos chefes das quadrilhas do Rio de Janeiro”. Até agora, nada que não saibamos.

— Continue.

— “Possui uma filha chamada Nicole, com aproximadamente 20 anos de idade”. Só isso? Então você quer que eu descubra pistas dessa tal Nicole, é isso?

Olhei para o papel e criei minha imagem mental da filha de Bira. Não sei por que verbalizei para meu superior como eu achava que ela deveria ser:

— Aposto que é uma piranha feia pra caralho, parecida com o pai e que deve se acabar nas drogas.

João mexeu a cabeça:

— Não faço ideia, Carlos. Ninguém faz. Soubemos dessa filha há pouquíssimo tempo. Então, por favor, descubra o que conseguir sobre ela e avance nesse caso tão complicado.

Deixei o batalhão logo cedo. Era diferente estar naquele grupo de operações. Ainda mais eu, que estava acostumado com ação o tempo inteiro. Mas eu tinha, naquele momento, que conseguir pistas sobre a tal Nicole. E justamente no morro onde nasci e cresci.

Naquele dia, não estava fardado. Era estranho, me sentia pelado. Porra, eram anos de farda. Sair para trabalhar com uma arma na cintura sem farda era bem diferente. Mas eu iria acabar me acostumando com isso em algum momento da minha vida. Pelo menos era o que eu esperava.

Subi o início da rua da comunidade, já com algumas pessoas me olhando de cara feia. Eu era conhecido e aqueles merdinhas sabiam que, já que eu estava ali, eu queria algo.

Não querendo arrumar problemas, eu entrei no Bar do Zé, um espaço pequeno fedendo a cachaça que ficava na entrada do morro. Seu Zé, já bem velho, estava sempre na porta com um cigarro na mão e um copo de cachaça. Ao me ver, ele disse:

— Vejam quem resolveu aparecer, o Carlos.

Quando criança, eu ia no Bar do Zé para comprar algumas coisas para minha mãe. Apesar de ser um boteco, ele tinha alguns alimentos que dava para comprar, apesar de que nunca soubemos a origem. Então, sempre que se fazia necessário, ia comprar açúcar, café, macarrão, tudo com ele.

Olhei para aquele velho senhor com um sorriso:

— Como vai, seu Zé? Eu vim aqui beber um refrigerante.

Ele olhou para mim, estranhando:

— Pensei que ia pedir uma cerveja gelada ou uma branquinha das boas...

— Porra, seu Zé, não me tente. Estou trabalhando e não posso beber.

Seu Zé, rindo, como sempre, pegou um refrigerante em garrafa de vidro e me entregou. Sentei em uma cadeira branca ao lado dele, enquanto conversava:

— Seu Zé, vim aqui ver umas coisas na antiga casa da minha mãe. O senhor sabe quem mora lá agora?

O velho sacudiu a cabeça, rindo:

— Uma velha desdentada! De vez em quando visito ela. Dou um couro legal na coroa.

Tive que soltar uma gargalhada. Ele era um senhor bem espirituoso. Aproveitei o momento para continuar a conversa e cheguei onde eu queria:

— Sabe quem eu nunca mais ouvi falar, seu Zé? Do Bira do Beco. O senhor sabe o que aconteceu com ele?

Puxando a memória antiga, o velho bebeu mais um gole da cachaça e me contou:

— Sei sim, meu filho. Aquele garoto arrumou problema aqui no morro. Dizem que ele comeu a irmã de um traficante e engravidou a menina. Aí, teve que fugir daqui para não ser morto.

— Quer dizer que ele teve um filho?

Seu Zé falou baixinho para mim:

— Dizem que é uma filha e que é muito gostosa. Parece que ela gosta de frequentar um baile que acontece toda noite. Dizem que rebola até o chão. O baile é em um clube aqui perto.

Eu sabia que baile era aquele. Era um lugar com muita música eletrônica e que vendiam muitas drogas. Fizemos algumas operações lá, mas eles sempre conseguiam se esconder de nós.

Depois de agradecer ao seu Zé, eu segui um pouco por perto e fui embora. Tinha que ir a um baile de noite. Imaginem eu, com meus 40 anos, em um baile perto de uma molecada.

Mas o que eu fiquei curioso foi com a fala do velho. Ele se referiu à filha do Bira como uma mulher gostosa. Se bem que, para ele, que vivia sempre no meio de muita gente feia e esquisita, qualquer menina mais nova seria uma maravilha.

À noite, naquele dia, cheguei no tal baile. Coloquei uma calça jeans, uma camiseta sem mangas mostrando meus braços sarados e minha tatuagem, óculos escuros e fui para o baile. Entrei. Olhei para um lado e para outro e só vi gente nova dançando com a música eletrônica, além de luzes e um balcão onde pediam bebidas.

Eu me aproximei do balcão, sentei e pedi uma bebida. O atendente veio, me trouxe o que solicitei. Notei duas meninas me olhando. Eram novas, pele branca. Uma estava de mini saia e blusinha. A outra estava de vestido. Ah, mas eu falo delas depois. Primeiro, eu tinha que achar Nicole.

Perguntei ao atendente:

— Você conhece Nicole?

Ele, um homem já de meia idade, me respondeu:

— Se você está falando da senhorita Nicole, filha do senhor Bira, claro que conheço. Ela é dona desse lugar aqui.

Dona daquele lugar. Olhem isso. Eu procurando a piranha e ela era dona do lugar. Eu questionei ao homem mais uma vez:

— E ela se encontra hoje aqui?

Ele me apontou para perto do DJ. Quando olhei para lá, ainda bem que a música estava alta, porque eu só pensei em três palavras:

— Puta que pariu.

Nicole era linda. Como eu falei, ela tem um metro e setenta e cinco. Seu corpo é lindo, uma mulher magra com belos seios e aquela bunda maravilhosa. O cabelo ruivo curto fazia brilhar um brinco de ouro em suas orelhas, dando um charme mais que especial para ela.

Naquele baile em especial, ela estava usando um top que mal tampava os seios e um mini short que mostrava grande parte da sua bunda. A roupa era prata. Tinha um sapato de salto preto e uma maquiagem muito bem feita. Eu não conseguia acreditar que aquela deusa era Nicole, justamente a Nicole que eu estava procurando.

E agora, como eu me aproximaria? Iria conseguir? Ah, achei que não naquela noite. Mas tinha que dar um jeito.

A situação ficou mais difícil quando ela se aproximou do DJ, pegou um microfone e disse:

— Bem-vindos à minha festa! Agora eu irei cantar para vocês!

A filha da puta ainda cantava. Caralho. Que voz era aquela? Sedutora, delicada. Quando os lábios mexiam, eu só pensava em uma coisa:

“Eu preciso comer essa mulher. Foda-se quem ela é.”

Sei que pode parecer uma atitude um pouco irracional, até meio animalesca. Mas, porra, ela tem algo diferente. Eu estava completamente encantado e olha que só olhei para ela.

Então, me aproximei mais um pouco para poder ver melhor. A jovem Nicole, aquela mulher linda, era realmente a herdeira do crime? Eu já até tinha esquecido que estava trabalhando. Queria era me aproximar dela de qualquer maneira.

Olhei para perto dela. Dois homens fortemente armados. Certamente que os seguranças dela. Merda. Como me aproximar de uma mulher com seguranças. Sabia que não seria naquela noite.

Enquanto estava me preparando para sair, com a imagem de Nicole em minha mente, as duas jovens que me encaravam se aproximaram. Uma delas (que não lembro qual) disse:

— Você nem nos pagou uma bebida.

Juro para você que meu pensamento, naquele momento, estava em Nicole. Mas realmente as duas eram atraentes. E estavam ali, diante de mim, querendo algo.

Se você me perguntar como foi que paramos na quitinete, eu e as duas meninas, não sei dizer. Mas eu vou lhe contar como aquela noite foi bem interessante. E por que comer as duas foi muito bom para meu caso (e principalmente para meu ego).

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