
A Herdeira Condenada: Casando com o Bilionário
Capítulo 3
A limusine pifou. A transmissão quebrou pelo mau uso que Camille a submeteu.
Victoria havia chamado um serviço de carro particular imediatamente. Quando a Mercedes preta chegou, ela e Mia entraram.
"Não há espaço para você", disse Victoria, subindo o vidro antes que Camille pudesse sequer dar um passo à frente.
Elas a deixaram na beira da estrada com o motorista do guincho.
Camille não se importou. Ela pegou uma carona com o guincho até a cidade. Ela precisava pensar. Precisava de roupas que não tivessem cheiro de prisão.
Ela entrou na Bergdorf Goodman.
O ar lá dentro era fresco e cheirava a perfume caro. Era um aroma que ela conhecia bem. Agora, parecia estranho.
Uma vendedora olhou para seu sobretudo puído e coturnos. Ela torceu o nariz e virou as costas, fingindo arrumar uma arara de lenços.
Camille a ignorou. Caminhou em direção à seção masculina. Ela queria um terno. Algo estruturado. Uma armadura.
"Camille?"
A voz a fez parar. Era uma voz que havia assombrado seus pesadelos por cinco anos.
Ela se virou lentamente.
Gavin Lloyd estava parado ali. Ele estava exatamente igual. Bonito de uma forma polida e superficial. Usava um terno feito sob medida que provavelmente custava mais do que uma pessoa comum ganhava em um ano.
Ele não estava com Mia.
"É você mesmo", disse Gavin, um sorriso presunçoso se espalhando por seu rosto. Ele se aproximou, invadindo seu espaço pessoal. "Ouvi dizer que te soltaram. Não pensei que você teria a coragem de aparecer em público."
"Saia da frente", disse Camille.
"Ainda arisca", Gavin riu. Ele estendeu a mão e agarrou a parte de cima do braço dela. Seus dedos cravaram em seu bíceps. "Escute aqui, Camille. Você é uma presidiária agora. Você é lixo. Fique longe da Mia. Fique longe da família. Se você causar problemas, vou garantir que você volte para a cadeia pelo resto da sua vida."
Camille olhou para a mão dele em seu braço.
"Solte", disse ela. "Vou contar até três."
"Senão o quê?", Gavin zombou. "Um. Dois..."
Camille não esperou pelo três.
Sua mão direita disparou, agarrando o pulso de Gavin. Seu polegar cravou no ponto de pressão entre os tendões dele.
Gavin ofegou, seu aperto afrouxando.
Camille avançou, sua perna esquerda enganchando atrás do tornozelo direito dele. Ela torceu o braço dele para trás, usando o próprio impulso dele contra ele mesmo.
Ela girou o quadril.
Gavin foi lançado no ar.
Ele bateu no chão de mármore com um baque surdo e repugnante. O ar saiu de seus pulmões em um chiado.
Clientes gritaram. Seguranças começaram a correr da entrada.
Camille pressionou o joelho sobre o peito de Gavin. Ela se inclinou, sua mão se fechando em volta de sua garganta. Não o suficiente para matar, apenas o suficiente para aterrorizar.
"Isso foi um aviso", ela sussurrou. Seus olhos eram vazios escuros. "Da próxima vez, eu quebro o osso."
Gavin olhou para ela, o rosto pálido, os olhos esbugalhados. Ele não conseguia falar. Não conseguia respirar.
"Ei! Saia de cima dele!", gritou um segurança, pegando seu taser.
Do mezanino, Horatio Melton observava. Ele segurava uma xícara de café expresso, com os cotovelos apoiados no parapeito.
Ele viu a técnica. Krav Maga. Eficiente. Brutal.
"Pare", disse Horatio ao gerente da loja ao seu lado.
O gerente piscou. "Senhor? Aquela mulher está agredindo um cliente."
"Aquela mulher está se defendendo", disse Horatio calmamente. "Diga aos seus seguranças para recuarem. E diga ao Sr. Lloyd para se retirar."
O gerente engoliu em seco. Não se discutia com Horatio Melton. Ele pegou o rádio. "Recuem. Deixem-na ir. Escortem o homem para fora."
Lá embaixo, Camille soltou Gavin. Ela se levantou e limpou uma poeira invisível de seu casaco. Pagou por um terno branco impecável e uma pasta de couro estruturada para guardar as únicas coisas que lhe restavam de sua vida antiga. Ela não comprou uma bolsa.
Os seguranças pararam a alguns metros de distância, parecendo confusos.
"Senhora, você está livre para ir", disse o chefe da segurança. Ele olhou para Gavin, que gemia no chão. "Senhor, o senhor precisa se retirar do estabelecimento."
"Ela me atacou!", Gavin chiou, agarrando as costas.
"Nós vimos a filmagem, senhor. O senhor a agarrou primeiro", o segurança mentiu com naturalidade.
Camille franziu a testa. Ela olhou para cima.
Na sacada, um homem em um terno cinza-escuro a observava. Ele não sorriu. Não acenou. Apenas assentiu, uma vez, e se virou.
Camille estreitou os olhos. Ela não sabia quem ele era, mas sabia de uma coisa.
Ela não gostava de dever favores a ninguém.
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