
A Gênia Herdeira Que Eles Tentaram Abater
Capítulo 3
Três dias depois, voltei para a mansão dos Ramalho.
A mansão estava silenciosa, um mausoléu construído de mármore e ouro. Caminhei pelo grande salão, meus passos ecoando contra a pedra fria. Eu ainda estava fraca, meu corpo lutando para se recuperar da infecção, mas não tinha para onde ir. Ainda não.
Precisando de ar, fui para o quintal, atraída pelo som rítmico de água espirrando.
A piscina era uma monstruosidade de tamanho olímpico de azulejos turquesa, aquecida a perfeitos 26 graus. Tinha sido construída para mim quando eu tinha doze anos, na época em que o médico disse que nadar ajudaria minha asma.
Sofia estava lá.
Ela estava relaxando em uma espreguiçadeira, vestida com um biquíni branco que provavelmente custava mais do que o carro da maioria das pessoas. Ela me viu e sorriu — uma expressão afiada e predatória que não alcançou seus olhos.
"Olha só quem voltou", ela chamou, tomando um coquetel laranja brilhante. "A contadora."
Eu a ignorei, virando nos calcanhares para voltar para dentro.
"Espere!", ela gritou, levantando-se abruptamente. Ela ergueu um cartão-chave. "O Lucas me deu a chave do seu escritório. Ele disse que agora sou a Contadora Chefe. Aliás, ele dormiu no meu apartamento ontem à noite. Disse que eu tenho pesadelos, então ele teve que ficar."
Eu parei. Não me virei.
"Fique com a chave, Sofia. Você vai precisar dela quando a Receita Federal auditar as empresas de fachada."
Ouvi seus passos estalarem no concreto atrás de mim.
"Você se acha tão esperta", ela sibilou. "Mas você é só uma ladra. Esta piscina? É minha agora. Tudo aqui é meu."
Virei-me para encará-la. Ela estava perigosamente perto da borda da parte funda.
"Então aproveite", eu disse secamente.
De repente, Sofia soltou um grito agudo. Ela arranhou o próprio braço com as unhas, deixando três marcas vermelhas e raivosas, e se jogou para trás.
Ela atingiu a água com um enorme respingo.
"Socorro! Ela tentou me matar!", ela gritou, debatendo-se na água como se não soubesse nadar.
As portas do pátio se abriram instantaneamente. Franco e Maria Ramalho — meus pais adotivos — saíram correndo, seguidos por Lucas.
"Sofia!", Maria gritou, correndo para a beirada.
"Ela me empurrou!", Sofia lamentou, tossindo água. "A Helena me empurrou!"
Franco Ramalho não fez uma pergunta. Ele nem mesmo olhou para mim. Ele avançou como um touro.
Antes que eu pudesse falar, antes que eu pudesse levantar as mãos, a bota pesada de Franco bateu no meu peito.
O ar saiu dos meus pulmões em um silvo doloroso. Voei para trás, caindo na parte funda da piscina.
A água me engoliu. Afundei, o choque frio atordoando meu sistema. Eu não nadava bem — minha asma nunca tinha realmente desaparecido — e o pesado casaco de lã que eu usava me arrastava para baixo como uma âncora.
Debati-me, lutando pela superfície. Rompi a água, ofegante.
"Pai!", engasguei. "Eu não..."
"Mentirosa!", Maria gritou do deck. "Olhe para o braço dela! Sua pirralha cruel!"
Franco ficou na beirada, me observando lutar. "Você quer afogar minha filha? Então vai ver como é."
Afundei de novo. Meus pulmões ardiam. Chutei, lutando contra o peso esmagador das minhas roupas.
De repente, um respingo. Braços fortes envolveram minha cintura. Lucas.
Ele me puxou para a superfície e me arrastou em direção às escadas. Eu tossi, vomitando água clorada, agarrando-me a ele. Por um segundo, pensei que ele tinha me salvado porque se importava.
Ele me jogou no concreto e me soltou imediatamente. Minha cabeça bateu no azulejo duro com um baque doentio.
"Você está louca?", Lucas gritou, de pé sobre mim, água pingando de seu terno. "Olha o que você fez com ela!"
Fiquei ali, ofegante, olhando para eles. Sofia estava enrolada em uma toalha nos braços de Maria, chorando lágrimas falsas. Franco me olhava com puro ódio. E Lucas... Lucas parecia enojado.
"Eu não toquei nela", sussurrei, minha voz quebrada.
"Pare de mentir!", Lucas rugiu. "Você é incorrigível, Helena. Sempre causando drama. Sempre a machucando porque você tem ciúmes."
Ele caminhou até Sofia e passou o braço em volta dos ombros dela, puxando-a para perto.
"Toque nela de novo, Helena", disse Lucas, sua voz baixando para uma calma letal. "Toque nela de novo, e eu vou esquecer quem você é. Vou esquecer os últimos onze anos."
Ele virou as costas para mim.
"Vamos, Sofia. Vamos te levar para dentro."
Eles se afastaram, me deixando tossindo água no concreto frio, tremendo enquanto o sol começava a se pôr.
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