
A Garota de Vincenzo: Vingar Minha Traição Mafiosa
Capítulo 2
Alina POV:
Houve um longo silêncio do outro lado da linha, tão pesado que pude sentir o peso dos três anos da minha desobediência nele. Então, uma voz que soava como cascalho e uísque velho ressoou pelo alto-falante.
"Alina?"
O som da voz do meu pai, a voz de Dom Vicente Moretti, chefe do Consórcio de São Paulo, foi o suficiente para fazer a represa dentro de mim se romper. Uma única lágrima quente escapou e traçou um caminho pela minha bochecha.
"Sim, pai. Sou eu."
"Onde você está?" A pergunta não era um apelo. Era uma ordem. A voz de um homem acostumado a ver o mundo se reorganizar à sua vontade.
"Estou na cidade dele", sussurrei, incapaz de dizer o nome de Marco. "Eu cometi um erro. Um erro terrível."
Eu podia ouvi-lo respirar, um som lento e controlado que pouco fazia para esconder a fúria que fervia por baixo. "Você fugiu do seu dever. Fugiu da sua família. Você se casou com aquele... rato de esgoto sem a minha bênção."
"Eu sei", engasguei. "E estou pagando por isso."
Contei tudo a ele. As mentiras, a vasectomia, Helena. A aposta. O bebê que não era um herdeiro, mas uma ficha de pôquer. Não deixei nada de fora.
Quando terminei, o silêncio voltou, mas desta vez era diferente. Era a calmaria antes de um furacão.
"Ele pôs as mãos em uma Moretti", disse meu pai, sua voz baixando para um rosnado baixo e letal. "Ele pôs as mãos na minha filha. E ele te usou em um jogo."
"Sim", sussurrei.
"Esse subchefe de merda", continuou meu pai, uma nota arrepiante de desdém em seu tom, "ele vai aprender a diferença entre uma gangue de rua e o Consórcio. Ele vai aprender o que acontece quando se toca no que é meu."
Uma onda de alívio tão profunda que quase dobrou meus joelhos me invadiu. Eu não era mais Alina Carbone, a esposa traída e sem noção. Eu era Alina Moretti, e a ira do meu pai estava a caminho.
"Estou a caminho", disse ele. "Mas São Paulo não é aqui do lado. Preciso reunir meus homens. Os homens certos. Estarei aí amanhã à noite. Você consegue aguentar até lá, garotinha?"
A pergunta pairou no ar. Mais um dia. Mais vinte e quatro horas na casa do homem que me destruiu sistematicamente.
"Sim", eu disse, um caco de gelo se formando em meu peito. "Eu consigo aguentar."
"Bom", disse ele. "Não deixe que ele veja seu medo. Você é uma Moretti. Lembre-se disso. Aja o papel que você tem representado. A esposa amorosa. Só por mais um dia. Amanhã, queimaremos o mundo dele até o chão."
A linha ficou muda.
Fiquei ali por um longo momento, o telefone ainda pressionado contra minha orelha, o vidro frio um condutor para o aço que inundava minhas veias. Limpei meu rosto, alisei meu vestido sobre a barriga e forcei meus lábios em um sorriso sereno.
Mais um dia.
Eu podia fazer isso. Eu podia interpretar esse papel. Afinal, meu casamento inteiro tinha sido uma performance. Eu estava apenas assumindo o papel principal para o ato final.
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