
A Garota de Vincenzo: Vingar Minha Traição Mafiosa
Capítulo 3
Alina POV:
Voltar para a mansão dos Carbone foi como entrar no meu próprio túmulo. A imensa propriedade, antes um santuário, era agora uma jaula dourada — cada objeto bonito um testemunho da mentira que eu estava vivendo.
Antes de entrar, parei na guarita de segurança na beira da propriedade. Os guardas deviam lealdade a Marco, mas seus salários vinham da Carbone Holdings — uma entidade que eu sabia ter dedos dos Moretti, um fato do qual Marco estava felizmente inconsciente. Usei uma frase codificada que meu pai me dera anos atrás, uma relíquia de uma vida que eu havia abandonado. O chefe de segurança, um homem corpulento chamado Marcelo, ficou pálido. Ele me entregou uma minúscula câmera do tamanho da cabeça de um parafuso sem fazer uma única pergunta.
Coloquei-a na estante da sala de estar, sua lente apontada diretamente para o sofá principal. Meu palco estava montado.
Marco chegou tarde, cheirando a uísque e ao perfume de outra pessoa. Ele sorriu quando me viu, o mesmo sorriso amoroso que agora me dava arrepios.
"Aí está minha linda esposa", ele murmurou, puxando-me para um abraço que parecia uma armadilha. Ele me beijou, seus lábios uma marca de hipocrisia nos meus. Sua mão foi para minha barriga, acariciando a curva com uma ternura que era pura performance. Tive que travar meus músculos para não recuar.
"Eu trouxe algo para você", disse ele, voltando da cozinha momentos depois, com um copo de leite morno na mão. "Para o bebê. Você precisa manter suas forças."
O aviso do meu pai ecoou em minha mente. Aja o papel.
"Obrigada, querido", eu disse, minha voz doce, enquanto pegava o copo.
Mas minha mão tremeu levemente, e uma gota de leite derramou em seu terno caro. "Oh, me desculpe!", exclamei, limpando o local com um guardanapo. "Deixe-me pegar outra bebida para você."
Foi uma distração desajeitada e patética, mas ele acreditou. Enquanto ele estava de costas, troquei o copo dele por um idêntico que eu havia preparado, cheio apenas de leite puro.
Quando lhe entreguei o copo de uísque novo, bebi o leite puro, fazendo questão de mostrar o quanto eu gostava. Ele me observou, seus olhos planos e frios.
"Boa menina", disse ele.
Fingi um bocejo. "Estou tão cansada. Acho que vou deitar um pouco aqui." Enrosquei-me no sofá, diretamente na linha de visão da câmera, e fingi adormecer.
Não precisei esperar muito. Ouvi a porta da frente se abrir suavemente. Helena e Enzo. Eles pararam sobre mim, seus rostos iluminados pela luz fraca de uma única lâmpada, olhando para minha forma supostamente inconsciente como se eu fosse um pedaço de carne.
"Olhe para ela", cuspiu Helena, sua voz um sussurro venenoso. "Tão presunçosa. Tão patética."
"Ainda está bonita, mesmo apagada", disse Enzo, seus olhos percorrendo meu corpo de uma forma que me fez sentir suja.
Helena ergueu um pequeno frasco transparente. "O soro da submissão", anunciou ela. "Vamos usar isso na festa. Vai mantê-la consciente o suficiente para saber o que está acontecendo, mas ela não conseguirá mover um músculo. Ou gritar."
"Por que você a odeia tanto?", perguntou Enzo.
"Ela tentou tirá-lo de mim", sibilou Helena, seus olhos fixos no meu rosto. "Ela tem os meus olhos. Toda vez que ele olhava para ela, era para estar pensando em mim. Mas ele começou a esquecer. Ela tentou fazê-lo esquecer o que era importante. Eu."
A porta da frente se abriu novamente. Marco entrou e, atrás dele, um homem estranho que eu nunca tinha visto.
"Este é o Beto", disse Enzo casualmente. "Um dos maiores lances. Ele queria um test drive antes do evento principal."
Meu sangue gelou. Um comprador.
Helena se inclinou sobre mim e usou um longo cotonete para coletar uma amostra do interior da minha bochecha. "Apenas testando os níveis do sedativo", explicou ela ao estranho. "Como pode ver, ela está completamente indefesa."
Ouvi o farfalhar de dinheiro sendo trocado. Marco e Helena então saíram, deixando Enzo e o estranho sozinhos comigo.
Fiquei perfeitamente imóvel, minha respiração regular, forçando cada músculo do meu corpo a permanecer mole enquanto Beto se inclinava sobre mim. Seu hálito era azedo, suas mãos ásperas ao tocarem meu braço.
"Ela é uma beleza", ele murmurou. "Mal posso esperar pela festa."
Ouvi-o sair, seguido por Enzo. A porta da frente se fechou com um clique. Esperei, contando até quinhentos no silêncio sufocante antes de finalmente permitir que meus olhos se abrissem.
A filmagem já estava sendo enviada para uma nuvem segura. Evidência. Meu pai iria querer ver.
Naquele exato momento, o som do carro de Marco entrando na garagem enviou uma descarga de pura adrenalina através de mim. Ele passou pela sala de estar sem olhar, subindo as escadas. Era minha chance. Peguei o celular dele de onde ele o havia deixado na mesa de centro. Eu o tinha visto usar antes — uma interface oculta disfarçada de um simples aplicativo de calculadora. Digitei o código que havia memorizado.
A tela mudou. Uma lista de grupos de bate-papo criptografados apareceu.
Meus olhos pousaram em um nome, e o ar me faltou.
Leilão da Alina.
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