
A Fuga da Noiva Invisível
Capítulo 2
O médico entregou-me o relatório do teste de paternidade.
"Senhorita Ribeiro, o resultado está aqui. A probabilidade de paternidade é de 99.99%."
Olhei para o papel, as palavras desfocadas.
O meu noivo, Lucas, segurou-me pelos ombros, a sua voz cheia de alegria.
"Catarina, eu sabia! Eu disse-te que era meu filho. Vamos casar na próxima semana, como planeado. A nossa família finalmente estará completa."
Ele beijou a minha testa.
Mas eu não conseguia sentir o calor.
O bebé nos meus braços, o pequeno Leo, era o resultado de uma noite de loucura, uma noite que eu queria esquecer.
Eu fui drogada numa festa da empresa e acordei num quarto de hotel, sozinha e com o corpo dorido.
Dois meses depois, descobri que estava grávida.
O meu pai ficou furioso, queria que eu fizesse um aborto. A minha madrasta, Sofia, convenceu-o a deixar-me ter o bebé, dizendo que era uma vida.
Agora, o teste confirmava que o filho era do meu noivo, Lucas.
Parecia um final feliz.
Mas eu sabia que não era.
Porque na noite em que fui drogada, a pessoa com quem dormi não foi o Lucas.
Eu lembro-me do cheiro dele, um cheiro a tabaco e a algo frio, metálico.
Lucas não fuma.
Eu sabia que algo estava terrivelmente errado.
"Lucas, estou um pouco cansada. Podemos ir para casa?"
"Claro, meu amor. Vou levar-vos para casa."
Ele pegou no Leo com cuidado, o seu rosto brilhando de orgulho paternal.
Ninguém acreditaria em mim.
Nem mesmo eu mesma, se não fosse pela minha memória daquela noite.
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