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Capa do romance A Fuga da Amante Substituta do Bilionário

A Fuga da Amante Substituta do Bilionário

Como amante substituta de Bruno Campos, eu era apenas o estepe de Cíntia, a mulher que ele amava. Após ela me empurrar no Rio Pinheiros e fingir um acidente, Bruno escolheu salvá-la, deixando-me para morrer nas águas gélidas. Sobrevivi ao abandono e decidi usar minha rara condição cardíaca para garantir minha liberdade. Vou doar o tecido que Cíntia precisa em troca de forjar meu próprio óbito. É o fim da minha dívida e o início da minha fuga definitiva.
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Capítulo 2

Ponto de Vista: Elara

A porta dos fundos do meu pequeno estúdio se abriu com violência, batendo contra a parede com uma força que fez tremer os quadros baratos na parede.

Bruno estava lá, sua silhueta recortada contra a luz forte do corredor, seu rosto uma máscara de fúria fria. A chuva encharcava seu cabelo escuro e os ombros de seu casaco de grife caríssimo. Ele parecia um deus vingativo, e sua tempestade era dirigida inteiramente a mim.

"Onde você esteve?", ele exigiu, sua voz um rosnado baixo.

Antes que eu pudesse responder, ele atravessou o quarto em duas longas passadas e sua mão se fechou em meu braço, seu aperto como aço. "Estou te ligando há horas."

"Meu celular descarregou", sussurrei, a verdade soando como uma mentira até para meus próprios ouvidos.

"Não minta para mim", ele rosnou, me arrastando em direção à porta. "Cíntia teve uma reação. Uma reação grave. Os médicos precisavam de uma transfusão direta para estabilizá-la antes do procedimento principal, e o tipo sanguíneo dela é raro."

Meu tipo sanguíneo. O mesmo que o dele. O mesmo que o dela. Que pequena e cruel coincidência.

"Bruno, eu não sei nada sobre isso", implorei, tropeçando para acompanhar seu ritmo implacável.

Ele me ignorou, sua mandíbula tensa. "Ela poderia ter morrido, Elara. Tudo porque você decidiu sair por aí." Ele me empurrou para o banco de trás de seu carro de luxo que esperava, o couro frio contra minha pele. "Você fez alguma coisa com ela? Colocou algo na comida dela?"

A acusação pairou no ar, tão ridícula, tão venenosa, que me roubou o fôlego. "O quê? Não! Bruno, eu nunca..."

"Poupe-me", ele me cortou, seus olhos desprovidos de qualquer calor. "Você tem ciúmes dela desde que ela chegou. Eu vejo o jeito que você olha para ela." Ele passou a mão pelo cabelo molhado, um gesto de pura frustração. "Eu sei que isso é difícil para você, mas Cíntia está doente. Ela precisa de mim. Eu fiz uma promessa a ela há muito tempo, uma promessa de sempre protegê-la."

Suas palavras confirmaram tudo. Eu não era uma parceira. Eu era um inconveniente. Um problema a ser gerenciado enquanto ele cuidava de seu verdadeiro amor.

Ele me arrastou para o lobby imaculado e branco da ala privativa do hospital que ele havia reservado para ela. As enfermeiras desviavam o olhar, acostumadas aos caprichos dos homens poderosos que pagavam seus salários.

"Preparem-na", Bruno ordenou à enfermeira-chefe, sua voz não deixando espaço para discussão. "Ela vai doar."

"Senhor, não podemos forçar uma transfusão...", a enfermeira começou, sua expressão preocupada.

"Vocês podem, e vocês vão", Bruno retrucou, seus olhos em chamas. "Ou eu vou comprar este hospital e demitir cada um de vocês. Vocês me entenderam?"

A enfermeira se encolheu e assentiu, seu profissionalismo desmoronando sob o poder bruto dele.

Eles me sentaram em uma cadeira. Um técnico se aproximou com uma agulha. Eu não resisti. Qual era o sentido? Meu corpo, meu coração, nunca foram realmente meus de qualquer maneira.

A agulha deslizou em meu braço. Eu observei, impassível, enquanto meu próprio sangue, escuro e rico, começava a fluir por um tubo transparente. Estava a caminho de salvar a mulher por quem meu amor morreria.

Bruno estava perto da janela, de costas para mim, o telefone pressionado contra a orelha. Ele não estava assistindo minha vida se esvair. Ele estava recebendo atualizações sobre a dela.

Uma onda de tontura me atingiu. O quarto inclinou, as luzes brilhantes se tornando turvas nas bordas. A dor no meu peito não era mais uma metáfora. Era um peso físico, esmagador, uma agonia tão profunda que fazia a agulha em meu braço parecer uma picada de alfinete. Meu coração, meu milagroso e quebrado coração, estava gritando em protesto.

Justo quando minha visão começou a escurecer, outro médico entrou apressado no quarto, um prontuário na mão.

"Sr. Campos", ele disse, sua voz urgente. "Recebemos o laudo toxicológico da Sra. Robinson."

Bruno finalmente se virou da janela, sua atenção capturada. "E?"

"Não foi uma reação alérgica. Foi envenenamento. Oleandro, para ser específico. Encontramos vestígios dele nas flores entregues no quarto dela esta tarde." O médico fez uma pausa, virando uma página. "Foram enviadas de uma floricultura no centro. O cartão diz que foram de você."

Bruno congelou. Eu vi o horror nascendo em seus olhos quando ele finalmente, finalmente olhou para mim. Ele se lembrou. As flores que ele distraidamente me pedira para encomendar para ela ontem. Eu tinha lido o cartão para ele ao telefone para sua aprovação. Ele sabia que eu não o havia escrito.

Vergonha, quente e aguda, cintilou em seu rosto. Ele deu um passo hesitante em minha direção. "Elara..."

Sua voz, pela primeira vez, continha uma nota de incerteza, de culpa.

Mas era tarde demais.

Um choro fraco veio do corredor. "Bruno?"

Cíntia.

Sua cabeça se virou na direção do som, seu corpo se tensionando como um fio. A culpa desapareceu, substituída instantaneamente por aquela preocupação avassaladora. Ele não hesitou. Ele não me deu um segundo olhar.

Ele se virou e caminhou em direção à voz dela, deixando-me no quarto branco e estéril com um buraco no braço e um muito, muito maior em minha alma.

Eu o observei ir, a última centelha de esperança dentro de mim se extinguindo.

Tirei a agulha do meu braço, pressionando um pedaço de gaze na ferida. Levantei-me com as pernas trêmulas e saí do quarto, saí do hospital e voltei para a cobertura que havia sido minha gaiola de ouro.

A primeira coisa que fiz foi arrumar uma caixa. Todos os vestidos. As joias. Os sapatos. Cada coisa linda e cara que ele já me dera. Cada uma delas um lembrete de que eu era apenas uma boneca que ele estava vestindo para se parecer com outra mulher.

Liguei para um serviço de doação. O homem que veio buscar tudo assobiou. "Moça, tem certeza de que quer doar tudo isso? Essas coisas valem uma fortuna."

"São apenas coisas", eu disse, minha voz oca. "Nunca foram minhas para começo de conversa."

Enquanto o caminhão se afastava, levando os últimos vestígios da vida que eu estava vivendo, meu celular pré-pago anônimo vibrou. Era um número não rastreável que eu havia dado a apenas uma pessoa.

Dr. Albuquerque.

"Sra. Bastos", sua voz era sombria. "Houve uma complicação. Temos que adiantar o procedimento. Para esta noite."

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