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Capa do romance A Fuga da Amante Substituta do Bilionário

A Fuga da Amante Substituta do Bilionário

Como amante substituta de Bruno Campos, eu era apenas o estepe de Cíntia, a mulher que ele amava. Após ela me empurrar no Rio Pinheiros e fingir um acidente, Bruno escolheu salvá-la, deixando-me para morrer nas águas gélidas. Sobrevivi ao abandono e decidi usar minha rara condição cardíaca para garantir minha liberdade. Vou doar o tecido que Cíntia precisa em troca de forjar meu próprio óbito. É o fim da minha dívida e o início da minha fuga definitiva.
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Capítulo 3

Ponto de Vista: Elara

A ligação de Bruno veio uma hora depois. O som de seu toque de celular, uma música que eu um dia amei, fez meu estômago se contrair.

"Elara", ele disse, sua voz tensa. Ele estava tentando ser casual, mas a culpa era uma aresta áspera sob a superfície. "Eu... eu queria me desculpar por mais cedo. As flores... foi um erro. Eu passei dos limites."

"Está tudo bem", eu disse, minha voz tão vazia quanto os armários do meu quarto.

"Não, não está. Eu quero te compensar. Há um leilão de caridade hoje à noite no Palácio Tangará. Um grande evento. Se arrume. Meu motorista estará aí em uma hora." Não era um convite; era uma ordem. Uma convocação.

Antes que eu pudesse recusar, ouvi a voz dela ao fundo, fraca e petulante. "Bruno, querido, minha cabeça dói. Você pode ler para mim?"

"Claro, meu bem", ele murmurou, seu tom mudando instantaneamente para um de ternura devotada. "Já estou indo." Para mim, ele disse: "Preciso ir", e desligou.

Eu era uma bagunça a ser limpa, uma obrigação a ser cumprida antes que ele pudesse retornar ao seu verdadeiro propósito.

O motorista, um homem que me levara a inúmeros eventos onde eu ficava em silêncio ao lado de Bruno, me encontrou na porta. Ele não pareceu surpreso por eu não carregar nada além de uma pequena bolsa de mão.

O salão de festas do Palácio Tangará era um mar de vestidos cintilantes e smokings pretos. E no centro de tudo, como um rei em sua corte, estava Bruno. Cíntia estava sentada ao lado dele, parecendo pálida, mas radiante em um vestido prateado que brilhava sob os lustres. Ele estava inclinado para perto, ajustando o cobertor em seus ombros, sua atenção tão absoluta que o resto do mundo desaparecia.

Ouvi os sussurros das mesas próximas.

"Olhe para eles. Ele é tão devotado."

"Dizem que ele não saiu do lado dela."

"Isso é amor verdadeiro, bem ali."

As palavras eram como pequenos cacos de gelo, perfurando a frágil dormência que eu havia enrolado em volta de mim.

Cíntia me viu então, seus olhos, geralmente afiados com malícia, se arregalando em falsa surpresa. "Elara! Você veio!", ela chamou, sua voz alta o suficiente para as mesas ao redor ouvirem. Ela me acenou como se eu fosse uma serva.

Caminhei em direção a eles, meus passos parecendo pesados e lentos.

"Muito obrigada por... tudo", ela disse, seu sorriso não alcançando seus olhos. Ela gesticulou para o assento vazio do outro lado dela, um sinal claro do meu lugar neste quadro. "Venha, sente-se conosco. Estamos prestes a dar um lance no item principal. Uma ilha particular em Fernando de Noronha."

Eu era a caridade. Um cão de rua que ela magnanimamente permitia sentar à mesa.

Bruno e Cíntia eram uma unidade, suas cabeças inclinadas juntas sobre o catálogo do leilão, o braço dele repousando possessivamente nas costas da cadeira dela. Ele estava rindo de algo que ela sussurrou, uma risada profunda e genuína que eu não ouvia há meses.

O leilão começou. Bruno levantou sua raquete sem hesitação, sua voz firme e clara. "Cinquenta milhões."

O salão ficou em silêncio. Ele comprou a ilha para ela, uma exibição casual de riqueza que era, na verdade, uma declaração de amor.

"Oh, Bruno", Cíntia arrulhou, "Você não deveria." Mas seus olhos dançavam com triunfo. Então, como um pensamento tardio, ela se virou para ele. "Querido, você deveria comprar algo para a Elara também. Como um agradecimento."

Bruno olhou para mim, seu foco já se dispersando. Ele chamou um garçom que carregava uma bandeja de joias de um leilão silencioso. Sem olhar de perto, ele pegou um simples colar de diamantes. "Este", ele disse, me entregando. Era bonito, mas parecia uma gorjeta. Um prêmio de consolação.

A dor era uma pontada surda e constante agora, algo com que eu estava aprendendo a viver, como uma doença crônica.

O jantar foi um exercício de tortura. Bruno selecionou pessoalmente cada prato para Cíntia, consultando o chef sobre suas necessidades dietéticas, garantindo que tudo estivesse do seu agrado.

Para mim, ele apenas pediu o salmão. O mesmo prato que ele pedia para mim em todos os eventos, sem nunca perguntar.

Ele havia esquecido. Nos dois anos em que vivi com ele, compartilhei sua cama, ele havia esquecido que eu era alérgica a salmão.

A primeira mordida pareceu engolir fogo. Minha garganta começou a fechar, minha pele se enchendo de urticárias vermelhas e raivosas. Eu ofeguei, minha mão voando para o meu pescoço.

"Elara?", Bruno perguntou, sua testa franzida em aborrecimento com a interrupção.

"O salmão", eu engasguei. "Sou alérgica."

A cor sumiu de seu rosto. Por uma fração de segundo, eu vi pânico, o mesmo pânico que ele mostrara quando pensou que Cíntia estava em perigo. Ele começou a se levantar, a chamar por ajuda.

Mas Cíntia foi mais rápida. Ela colocou uma mão delicada em seu braço. "Bruno, não faça uma cena", ela sibilou, sua voz baixa. "É apenas uma reação leve. Eu tenho um anti-histamínico na minha bolsa. Vou levá-la ao banheiro feminino."

Ela sorriu graciosamente para ele, depois passou o braço pelo meu, seu aperto surpreendentemente forte. "Vamos, querida", ela disse, sua voz pingando falsa simpatia enquanto me levava para longe da mesa.

No momento em que a porta pesada e à prova de som do banheiro se fechou atrás de nós, seu comportamento mudou. A máscara de preocupação caiu, revelando o ciúme cru e feio por baixo.

Ela me empurrou contra a bancada de mármore, com força. Minha cabeça bateu na borda da pia com um baque doentio. Estrelas explodiram atrás dos meus olhos, e o gosto metálico de sangue encheu minha boca.

"Você realmente acha que pode competir comigo?", ela cuspiu, seu rosto contorcido de desprezo. "Ele me ama. Ele sempre me amou. Você não é nada. Uma cópia barata. Um tapa-buraco."

Ela se inclinou, sua voz um sussurro venenoso. "Ele só está te mantendo por perto por pena. Porque você é uma orfãzinha patética sem ter para onde ir. Mas seu tempo acabou. Vá embora. Saia da vida dele, ou eu vou fazer você desejar nunca ter nascido."

Minha cabeça estava girando, minha garganta se fechando. "Eu vou", consegui sussurrar, as palavras mal audíveis. "Eu vou embora."

Ela riu, um som cruel e agudo. "Ah, você vai. Mas primeiro, você vai ver o quão pouco você significa para ele. Você vai vê-lo me escolher, de novo e de novo, até que isso esteja gravado em sua alma inútil."

Uma premonição súbita e aterrorizante me invadiu. Ela não estava apenas fazendo uma ameaça. Ela estava fazendo uma promessa.

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