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Capa do romance A Esposa do Promotor: Fúria Materna

A Esposa do Promotor: Fúria Materna

Após o pequeno Léo ser brutalmente espancado na escola, sua mãe descobre que o marido, o promotor Caio, protege a mãe do agressor, uma antiga paixão. Para acobertar Betina, Caio destrói a esposa: causa sua demissão, afasta seu advogado e manipula vídeos para culpar a criança ferida. Diante de um tribunal hostil e da traição cruel do homem que deveria amá-la, ela decide reagir. No auge da humilhação pública, ela interrompe o veredito com uma revelação impactante.
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Capítulo 2

Aquele cheiro estéril de hospital ainda estava impregnado nas minhas roupas, mesmo agora. Haviam se passado dias, e o aroma de antisséptico e desespero não me abandonava.

Entrei no quarto de Léo, meu coração se apertando. Seu corpo pequeno era um mapa de hematomas, um desenho sombrio da violência que ele havia sofrido. Seu braço, pesadamente enfaixado, repousava desajeitadamente sobre o travesseiro. Seu rosto, geralmente brilhante de curiosidade, estava pálido e abatido.

"Mãe", ele sussurrou, a voz fraca. "O papai não veio hoje."

Forcei um sorriso, um escudo trêmulo sobre minha própria dor. "Ele está muito ocupado, querido. Trabalho importante." As palavras pareciam lixa na minha garganta.

Nesse momento, a porta se abriu com um rangido. Betina Moraes estava lá, perfeitamente penteada, uma bolsa de grife pendurada no braço. Ao lado dela, Mateus, o menino que havia feito isso com meu filho, segurava um balão brega em forma de bicho. Parecia uma provocação deliberada.

Mateus deu um sorrisinho de canto, depois apertou o balão. O som agudo fez Léo se encolher e puxar o braço para mais perto.

Meu sangue gelou. Todo instinto de proteção se acendeu. "Fora daqui", rosnei, minha voz baixa e perigosa.

A sobrancelha perfeita de Betina se franziu. "Ah, Clara, não seja assim. Nós só viemos expressar nossa... solidariedade. O Mateus se sente tão mal, não é, querido?"

Mateus resmungou algo, os olhos fixos em seu balão deformado. Ele não parecia arrependido. Parecia entediado.

"Solidariedade?", zombei, uma risada amarga escapando de mim. "Seu filho colocou o meu no hospital. Se você quer mostrar solidariedade, traga seu filho aqui, amarre os braços dele para trás e deixe o Léo bater nele até ele ficar quase morto. Aí a gente pode falar de 'solidariedade'."

Betina ofegou, puxando Mateus para mais perto. "Como você se atreve? Ele é só uma criança!"

"E o que o Léo é?", disparei de volta, minha voz tremendo de raiva. "Um saco de pancadas? Me diga, Betina, quem mais está protegendo seu precioso brutamontes agora que o Caio está sujando as mãos por você de novo?"

Mateus, encorajado pela presença da mãe, deu um passo à frente. "Meu pai disse que você é louca."

Algo dentro de mim se partiu. Uma fúria primitiva, avassaladora. Eu avancei, não em Mateus, mas no braço de Betina, torcendo-o. Ela gritou, deixando o balão cair.

Antes que eu pudesse fazer mais, uma mão forte agarrou meu ombro, me puxando para trás. Era um segurança. Betina, esfregando o braço, recuou contra a parede, agarrando Mateus.

O grito de dor de Léo rasgou o quarto. "Mamãe! Meu braço!" O movimento súbito havia puxado seu acesso intravenoso. Uma nova mancha carmesim floresceu em sua bandagem branca.

Nesse exato momento, dois policiais apareceram, seus rostos sérios. Um deles, o policial Miller, olhou para mim com uma expressão distante, quase piedosa. Betina, agora em pleno modo de vítima dramática, estava soluçando, apontando para mim.

"Ela me atacou! Bem aqui, na frente dos nossos filhos!"

Eu fiquei ali, desgrenhada, o cabelo caindo no rosto, respirando com dificuldade. Betina, apesar de seu "trauma", parecia impecável.

"Ela agrediu a mim e ao meu filho", lamentou Betina, "depois do que o filho dela fez com o meu!"

"O que o meu filho fez?", rugi, me livrando do aperto do segurança. "Seu filho quase matou o meu! E você está tentando inverter a situação?"

O policial Miller levantou a mão. "Senhora, por favor, acalme-se. Já ouvimos os dois lados." Ele se virou para Betina, com um tom suave e tranquilizador. "Sra. Moraes, vamos garantir que você e seu filho estejam seguros."

"E o meu filho?", exigi, gesticulando para Léo, que agora segurava o braço, com lágrimas escorrendo pelo rosto. "Ele é a vítima aqui!"

O policial Miller se virou para mim, sua expressão endurecendo. "Senhora, temos um relatório da escola. Seu filho instigou a briga."

Meu queixo caiu. "Isso é mentira! Ele sofre bullying há meses! O Caio sabe disso!"

De repente, um brilho de reconhecimento cruzou o rosto de Miller. Ele olhou para o outro policial, um olhar de cumplicidade passando entre eles. "Sra. Hayden", disse ele, sua voz agora mais fria, "entendo que isso seja difícil. Mas temos depoimentos claros. E, francamente, seu comportamento agora foi inadequado."

"Inadequado?", ri, um som cru e sem humor. "Você acha que isso é inadequado? E proteger um agressor? E acobertar um garoto que deveria estar na Febem?"

"Senhora, vamos ter que pedir que nos acompanhe até a delegacia para um interrogatório", disse Miller, sua mão já se movendo em direção ao coldre.

"Interrogatório?", olhei para ele, a incredulidade me inundando. "Ele corrompeu todos vocês, não foi? Meu marido! Ele moveu os pauzinhos, como sempre faz por ela!"

Um sorriso contido e controlado tocou os lábios de Miller. "Não sei do que a senhora está falando, Sra. Hayden."

O mundo girou. A injustiça era um peso tão esmagador que roubou o ar dos meus pulmões. Meus joelhos cederam. Senti uma onda vertiginosa de náusea, o quarto girando.

"Ela está resistindo", ouvi Miller dizer, distante e abafado.

Senti mãos ásperas em mim novamente, me puxando, forçando meus braços para trás. O metal frio das algemas se fechou. Eram como a pesada porta de carvalho que Caio havia batido, me isolando.

As luzes fluorescentes da delegacia zumbiam. Eram muito fortes, muito duras, refletindo na mesa de metal fria à minha frente. Fiquei sentada ali por horas, cada minuto uma agonia torturante. Minha mente, no entanto, já estava longe, revivendo cenas antigas.

O charme de Caio, sua ambição, suas promessas de uma vida perfeita. Eu acreditei em tudo. Construí meu mundo ao redor dele, ao redor da imagem de um homem firme e honrado. Troquei meus sonhos pelos dele, minha voz por sua autoridade.

Agora, sentada nesta sala desolada, a verdade era um remédio amargo. Ele não apenas negligenciou nosso filho; ele trabalhou ativamente contra ele. Este não era um homem que me amava, ou que protegia nossa família. Este era um homem que protegia seus próprios segredos, sua própria imagem cuidadosamente construída, a qualquer custo. Este não era o homem com quem me casei. Era um estranho, vestido na pele do meu marido. A bela mentira havia sido arrancada, deixando apenas o osso cru e feio.

Eu cansei de ser manipulada. Cansei de ser a esposa quieta e compreensiva. Uma determinação fria e dura se cristalizou em minhas entranhas. Eu lutaria. Não por ele, não por nós. Por Léo. E se Caio ficasse no meu caminho, ele se arrependeria.

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