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Capa do romance A Esposa do Don: Minha Doce Vingança Arquitetada

A Esposa do Don: Minha Doce Vingança Arquitetada

Sofia Almeida sacrificou tudo por Heitor, até sua reputação, sem saber que ele planejou seu acidente e a perda de seu bebê. Após ser humilhada publicamente e descartada por ele e sua amante, o amor de Sofia torna-se um desejo de vingança. Para destruir o homem que roubou sua obra-prima e sua vida, ela decide contatar o único Dom que Heitor teme. Sofia envia uma mensagem desesperada ao rival de seu ex-noivo, iniciando uma aliança perigosa para obter sua retribuição.
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Capítulo 1

Durante anos, fui a arquiteta secreta por trás do sucesso do meu noivo, Heitor. Cheguei a queimar minha própria reputação para encobrir um roubo dele, acreditando que ele era o amor da minha vida e que éramos uma equipe.

Ao acordar de um acidente de carro que ele planejou, ouvi seu plano. Ele não só causou meu acidente, mas também orquestrou o "estresse" que levou ao meu aborto espontâneo. Agora, ele estava roubando minha obra-prima, "Ecos da Metrópole", e planejando um pedido de casamento público para me prender em uma gaiola dourada.

No baile de gala, ele me deixou no palco no meio do pedido, o anel caindo no chão com um baque, para correr ao lado de sua amante. Em outra festa, depois que ela me disse que ele ficou "aliviado" por eu ter perdido nosso bebê, eu o confrontei. Ele me empurrou com força, me fazendo cair no chão na frente de todos antes de ir embora com ela.

Caída ali, humilhada, percebi que ele não me via como uma pessoa. Eu era apenas uma ferramenta para ser usada e descartada. O amor que eu sentia por ele não apenas se quebrou; transformou-se em um vazio frio e sombrio.

Mas ele cometeu um erro. Ele se esqueceu do único homem na cidade que ele realmente temia, um poderoso Dom que uma vez elogiou meu trabalho. Peguei meu celular e enviei uma única e desesperada mensagem para seu rival: "Aqui é Sofia Almeida. Preciso da sua ajuda."

Capítulo 1

Ponto de Vista: Sofia

A dor veio primeiro. Uma névoa espessa e pegajosa que se agarrava aos meus pensamentos. Depois, uma lembrança: o guincho de metal, o mundo girando em um caleidoscópio de vidro estilhaçado. Acordei com um suspiro, não no banco do motorista do meu sedã destruído, mas na minha própria cama.

Minha cabeça latejava, uma batida surda e pesada contra meu crânio. O cheiro estéril de antisséptico ardia em minhas narinas, um contraponto bizarro à suavidade familiar dos meus próprios lençóis.

A voz de Heitor, geralmente um barítono quente que podia acalmar qualquer medo, era um silvo baixo e conspiratório vindo do corredor.

"Está tudo resolvido, Nuno", disse ele. "Os projetos estão no meu HD. Vou apresentá-los aos Monteiro na próxima semana. O pai da Olívia vai ficar em êxtase."

Os projetos. Ele queria dizer os meus projetos. "Ecos da Metrópole". Minha carreira inteira, minha alma, contida em plantas e renderizações.

"E a Sofia?", uma voz metálica respondeu do telefone. Reconheci-a instantaneamente: Nuno, o braço-direito de Heitor. A suposta voz da razão.

"Ela está bem. Uma concussão, alguns hematomas. Ela não vai se lembrar do impacto", disse Heitor, seu tom assustadoramente indiferente. "Além disso, vou pedi-la em casamento no baile de gala amanhã à noite. Assim que ela tiver um anel no dedo, não vai fazer barulho. Vai estar feliz demais."

Um pavor gelado, mais pesado que qualquer dor física, começou a se infiltrar em meus ossos. Ele ia me prender. Usar um pedido de casamento público para me silenciar, para fazer da minha obra-prima a sua.

"É um risco grande, Heitor", alertou Nuno. "Lembra da última vez? Quando você roubou aquela planta do Rossi? Ela salvou sua pele. Criou um projeto totalmente novo da noite para o dia e disse ao Dom que o roubado era seu primeiro rascunho ruim. Ela queimou a própria reputação por você."

Eu me lembrava. Perdi um prêmio de prestígio por aquela mentira. Por ele.

"Isso é diferente", retrucou Heitor. "Isso é por uma aliança com os Monteiro. Isso é tudo."

"A participação da Olívia nisso... foi imprudente", disse Nuno, sua voz mais baixa. "Os acidentes, a pressão constante... convencê-lo de que o bebê era uma fraqueza. O herdeiro de um homem é sua força, não um fardo com uma estranha."

Minha respiração falhou. Meu aborto espontâneo. As quase colisões na Marginal, a fiação defeituosa que quase incendiou nossa casa, o estresse interminável e esmagador que ele me impôs — não foi azar. Foi uma campanha. Orquestrada.

O amor que eu tinha por ele, uma coisa vasta e ingênua que definira meu mundo, começou a azedar. Não era apenas um relacionamento com falhas. Era uma mentira. Uma gaiola cuidadosamente construída.

Minha mente, desesperada por uma rota de fuga, agarrou-se a uma lembrança. Uma cerimônia de premiação de arquitetura anos atrás. Um homem com olhos da cor de um mar tempestuoso, o homem mais poderoso e temido da cidade, parou para elogiar um pequeno e inovador projeto meu. Dom Luan Castilho. Meses depois, em uma reunião em seu território, vislumbrei um artigo emoldurado sobre aquele mesmo projeto em sua estante particular. Ele nunca esquecia.

Heitor voltou para o quarto, seu rosto uma máscara perfeita de preocupação. Ele se sentou na beira da cama e afastou uma mecha de cabelo da minha testa.

"Ei, você acordou", ele murmurou. "Você me deu um susto."

"Quem era?", perguntei, minha voz um sussurro seco.

"Apenas... negócios de família, meu bem", ele mentiu, seus olhos oferecendo uma simpatia que eu agora sabia ser totalmente falsa.

Olhei para o homem que pensei conhecer, o homem que amei com tudo o que eu tinha, e vi um estranho. Um inimigo.

Minha determinação se solidificou em algo frio e afiado. Eu não seria sua vítima. Eu não seria uma nota de rodapé na história de sua ambição.

Enquanto ele estava no chuveiro, encontrei meu celular. Meus dedos tremiam, mas meu propósito era claro. Abri um número que havia salvado há muito tempo, um número que parecia segurar uma granada ativa.

Digitei uma única e desesperada frase.

Aqui é Sofia Almeida. Heitor está tentando roubar meu trabalho para dar à Família Monteiro. Preciso da sua ajuda.

Apertei enviar, meu coração batendo um ritmo frenético contra minhas costelas, e enviei minha prece para a escuridão, para o Dom mais temido da cidade.

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