
A Esposa Dele, a Gênia Forense Secreta
Capítulo 2
Ponto de Vista de Isabella "Bella" Medeiros:
O Sr. Abernathy, um homem acostumado aos caprichos da elite de São Paulo, mascarou sua surpresa com um profissionalismo treinado.
Ele ajustou seus óculos de aro dourado, seu olhar percorrendo meu vestido simples, provavelmente tentando me encaixar entre eles.
"Uma ilha?", ele repetiu, sua voz suave como mármore polido.
Encarei seu olhar sem vacilar.
"Eu preciso de uma ilha onde eu possa desaparecer. Para sempre."
Ele apresentou uma ilha particular no Caribe, um fantasma no mapa. Tinha uma casa autossustentável, uma doca de águas profundas, mas sem sinal de celular, sem conexão com o mundo exterior.
Era perfeita.
"Vou ficar com ela", eu disse.
O negócio foi fechado em menos de uma hora. Os fundos foram transferidos de uma conta secreta que eu mantinha há anos, uma rota de fuga que nunca pensei que precisaria.
A escritura foi registrada sob um novo nome: Isabella Ferraz. Um fantasma para um fantasma.
Organizei um jato particular, programado para partir ao amanhecer, daqui a dois dias.
Voltei para a cobertura de Jameson tarde da noite.
O cheiro de frango assado com alecrim — meu favorito — enchia o ar. Parecia uma piada cruel.
Eu o encontrei na cozinha, montando cuidadosamente um prato para Helena. Meus irmãos estavam lá, cercando-a, paparicando a irmã pródiga enquanto ela contava alguma história inventada sobre seu tempo fora.
Jameson olhou para cima e me viu.
"Onde você esteve?" Seu tom era ríspido, acusador, como se eu não tivesse direito a uma vida fora daquelas quatro paredes.
"Você fez isso?", perguntei, minha voz oca. "Você me jogou fora pelo 'último desejo' dela?"
Dênis, meu irmão mais velho, virou-se para mim, suas palavras como pedras.
"Ela está morrendo, Bella. Tenha um pingo de respeito."
Bruno e Caio concordaram com a cabeça, seus rostos máscaras sombrias de desaprovação.
Eu não disse nada. Meu silêncio era um escudo, minha aparente conformidade um manto para a fuga que eu estava meticulosamente planejando.
Observei-os prepararem a suíte principal para Helena, movendo minhas coisas para um pequeno quarto de hóspedes sem me dizer uma palavra.
Mais tarde, depois que os homens a deixaram para descansar, Helena se aproximou de mim.
Ela segurava uma pequena caixa lindamente embrulhada. Um presente de "boas-vindas", ela disse.
"Eu sempre consigo o que quero", ela sussurrou, seu sorriso me gelando até os ossos.
Ela forçou a caixa em minhas mãos.
Eu me atrapalhei com a fita, e a tampa se abriu. Algo pequeno e marrom saltou, suas presas cravando na carne da minha mão.
Uma aranha-marrom.
Eu gritei, um som cru e gutural de dor e terror, jogando a caixa para longe por puro instinto.
A caixa atingiu o peito de Helena.
Ela desabou, seus olhos se arregalando com um horror fingido, sua mão agarrando o coração.
"Ela está tentando me matar!", ela gritou, sua voz ecoando pela cobertura silenciosa.
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