
A Esposa Dele, a Gênia Forense Secreta
Capítulo 3
Ponto de Vista de Isabella "Bella" Medeiros:
Acordei na brancura estéril de um quarto de clínica, minha mão enfaixada e latejando, meu corpo devastado por uma febre causada pelo veneno.
Maria, a governanta da família Medeiros, estava sentada ao lado da minha cama, seu rosto uma máscara de preocupação, seus olhos vermelhos de tanto chorar.
"Eu chamei o médico da família", ela sussurrou, passando um pano frio na minha testa. "Eles te deixaram no chão, menina. Eles simplesmente te deixaram."
Ela me contou como Jameson e meus irmãos correram para o lado de Helena, ignorando meu corpo convulsionando no chão de mármore.
Eles amaldiçoaram Maria por se preocupar com o que chamaram de "uma picadinha de aranha".
Maria listou meus anos de sacrifício silencioso — o dinheiro que eu discretamente injetei nos negócios falidos da família, o cuidado que dei a eles quando estavam doentes, a lealdade inabalável que ofereci sem questionar.
"Eles nunca te viram, menina", ela disse, sua voz embargada de tristeza. "Eles só viam a ela."
Suas palavras, que deveriam confortar, em vez disso, tocaram uma corda mais profunda. A dor não me estilhaçou. Ela me forjou. O que estava rachado e quebrado dentro de mim endureceu em algo novo, algo inquebrável.
A liberdade estava a dois dias de distância. Isso agora era mais do que um consolo; era uma promessa.
Voltei para a cobertura com um frio senso de propósito, apenas para encontrar uma festa de aniversário luxuosa em pleno andamento. Para Helena.
Era meu aniversário também. Ninguém havia se lembrado.
Observei da porta enquanto Jameson e meus irmãos presenteavam Helena: um colar de diamantes que brilhava como gelo, as chaves de um carro esportivo antigo, a escritura de um vinhedo em Bento Gonçalves.
Meus irmãos zombaram quando me viram.
"Gostou das suas pequenas férias?", perguntou Bruno. "Uma picada de aranha não é desculpa para desaparecer quando sua irmã precisa de você."
Jameson se aproximou, sua voz uma zombaria de preocupação. "Helena é frágil. Ela é minha esposa agora. Você precisa aceitar isso."
Em vez da fúria habitual, uma calma arrepiante se instalou sobre mim.
"Você está certo", eu disse, meu sorriso o desestabilizando. "Ela é."
Helena anunciou que era hora de uma apresentação de slides de aniversário.
Mas, em vez de fotos fofas da infância, a tela exibiu imagens de Helena durante seus cinco anos fora — noites de bebedeira em motéis baratos, homens estranhos com as mãos por todo o corpo dela.
As palavras "Feliz Aniversário para a Puta Favorita de São Paulo" queimaram na imagem final.
A música morreu. As risadas engasgaram. A sala congelou.
Meus irmãos correram para desligar a projeção, seus rostos assassinos.
Helena, sempre a atriz, apontou um dedo trêmulo para mim e desabou nos braços de Jameson.
"Foi ela!", ela lamentou, seus soluços ecoando no silêncio atordoado.
Jameson a embalou, seus olhos fixos nos meus. Eram frios, duros cacos de gelo que prometiam retribuição.
"Você vai pagar por isso", ele rosnou.
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