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Capa do romance A Esposa De Cristian

A Esposa De Cristian

A arquiteta Ana Isis Hayes Foster aceita um casamento por contrato com o CEO Christian Blackwood Ashford para salvar suas finanças. Ele busca garantir sua herança, mas a convivência desperta uma paixão inesperada. Ana se vê cercada pelo cunhado apaixonado, um rival italiano perigoso e o retorno de seu ex-noivo. Entre atentados e intrigas corporativas, ela precisa sobreviver ao mundo da elite enquanto descobre se o amor pode surgir de um acordo puramente comercial.
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Capítulo 3

[ Sterling & Associates, Lower Manhattan - Nova York ]

10:15 AM.

Ana estava sentada em sua mesa, cercada por pilhas de livros de arquitetura, artigos impressos e várias xícaras de café já frias. Desde que saiu da reunião com Sterling, duas horas atrás, ela havia mergulhado completamente na pesquisa sobre a Blackwood Industries e seu enigmático CEO.

A tela do seu computador mostrava a página principal do site da empresa - uma apresentação elegante e minimalista que destacava alguns dos projetos mais impressionantes da companhia. Arranha-céus em Dubai, complexos hoteleiros na França, desenvol vimentos residenciais de luxo espalhados por três continentes. Era um portfólio que impressionava até mesmo os padrões mais exigentes.

Sarah: Ana, você já almoçou alguma coisa? - perguntou sua colega, aparecendo ao lado de sua mesa com um sanduíche na mão. - São mais de dez horas e você não saiu daí.

Ana: Não tenho tempo para comer - murmurou ela, sem tirar os olhos da tela. - Preciso entender completamente o perfil da empresa antes de começar a trabalhar na apresentação.

Michael: Você vai se matar de trabalhar - comentou Michael, girando a cadeira para ficar de frente para ela. - É só uma apresentação, Ana. Não é como se você já tivesse ganhado o projeto.

Ana finalmente olhou para os colegas, notando que Tom também havia se aproximado, aparentemente curioso sobre sua pesquisa.

Ana: É exatamente por isso que preciso me preparar perfeitamente - disse ela. - Esta pode ser minha única chance de impressionar alguém como Christian Blackwood Ashford.

Tom: O que você descobriu sobre ele? - perguntou, tentando soar casual enquanto observava a tela do computador de Ana.

Ana: Ele assumiu a empresa aos 26 anos, depois da morte do pai - leu ela de suas anotações. - Desde então, expandiu as operações em quarenta por cento e aumentou o valor da empresa em mais de cinco bilhões de dólares.

Sarah: Impressionante - disse Sarah, sentando-se na beira da mesa. - Ele é casado?

Ana: Solteiro - respondeu Ana, consultando novamente suas anotações. - Pelo menos não encontrei menção a esposa ou namorada em nenhuma das entrevistas recentes.

Michael: Provavelmente muito ocupado para relacionamentos - comentou Michael. - Ou muito exigente.

Tom: Ana, posso dar uma sugestão? - perguntou ele, e ela percebeu um tom mais sério em sua voz.

Ana: Claro.

Tom: Christian Blackwood Ashford tem reputação de ser... intimidador. Muito inteligente, muito direto, e com paciência zero para apresentações mal preparadas. Se você for fazer isso, precisa estar absolutamente pronta para qualquer pergunta que ele possa fazer.

Ana: Que tipo de perguntas?

Tom: Técnicas, financeiras, logísticas. Ele não é apenas o dono da empresa; ele entende profundamente de construção e arquitetura. Já vi arquitetos experientes saírem de reuniões com ele completamente humilhados.

Ana sentiu um frio no estômago, mas tentou não deixar o nervosismo transparecer.

Ana: Então é melhor eu me preparar ainda mais - disse ela, voltando a atenção para o computador.

Sarah: Ana, não deixe Tom te assustar - disse ela, lançando um olhar repreensivo para o colega. - Você é talentosa. Sterling não teria escolhido você se não acreditasse nisso.

Rebecca: Ana? - chamou a recepcionista de sua mesa. - Telefone para você. É do hospital.

Ana sentiu o coração acelerar imediatamente. Ligações do hospital nunca eram boas notícias, especialmente no meio do dia de trabalho.

Ana: Com licença - disse ela aos colegas, pegando o telefone com mãos ligeiramente trêmulas. - Ana Hayes Foster.

Voz: Miss Foster? Aqui é Dr. Martinez, do Mount Sinai Beth Israel. Estou ligando sobre seu pai.

Ana: Ele está bem? - perguntou imediatamente, sentindo o sangue gelar nas veias.

Dr. Martinez: Ele está estável, não se preocupe. Mas precisamos conversar sobre o plano de tratamento dele. Seria possível você vir até aqui hoje à tarde?

Ana: Claro. Que horas?

Dr. Martinez: Às três horas estaria bom para você?

Ana olhou para o relógio. Três horas lhe daria mais algumas horas para trabalhar na pesquisa sobre a Blackwood Industries.

Ana: Perfeito. Eu estarei aí.

Depois de desligar o telefone, Ana ficou alguns segundos em silêncio, tentando processar a ligação. "Estável" era bom, mas os médicos sempre pediam conversas presenciais quando havia complicações ou mudanças no tratamento.

Sarah: Tudo bem? - perguntou gentilmente.

Ana: Meu pai. Tenho que ir ao hospital às três.

Tom: Quer que eu cubra alguma coisa para você? - ofereceu ele, e Ana ficou grata pela oferta genuína.

Ana: Obrigada, Tom. Acho que vou ficar bem. É só uma conversa de rotina.

Mas mesmo enquanto dizia isso, Ana sabia que não seria uma conversa de rotina. Médicos não marcavam conversas de rotina no meio da tarde com tom de voz preocupado.

Michael: Ana, por que você não vai para casa cedo hoje? - sugeriu Michael. - Você já trabalhou muito na pesquisa. Amanhã você pode começar a montar a apresentação com a cabeça mais fresca.

Ana: Não posso. Só tenho o fim de semana para preparar tudo. Segunda-feira de manhã eu estarei cara a cara com Christian Blackwood Ashford.

Sarah: E você vai estar pronta - disse Sarah com convicção. - Mas não vai ajudar em nada você se matar de trabalhar e chegar na apresentação exausta.

Ana sabia que Sarah tinha razão, mas a ansiedade sobre a apresentação, combinada com a preocupação sobre o pai, estava fazendo com que ela se sentisse compelida a trabalhar sem parar.

Ana: Só mais uma hora - prometeu ela. - Quero terminar de ler sobre os projetos recentes da empresa.

Tom: Ana - disse ele, e havia algo diferente em sua voz, quase paternal. - Eu sei que esta oportunidade é importante para você. Para todos nós. Mas não deixe a pressão te paralisar.

Ana olhou para Tom, surpresa pela gentileza em suas palavras. Ela sabia que ele havia ficado desapontado por não ter sido escolhido para liderar a apresentação, mas estava genuinamente tentando ajudá-la.

Ana: Obrigada, Tom. Sério. Isso significa muito para mim.

Tom: Somos uma equipe - disse ele simplesmente. - Se você impressionar Christian Blackwood Ashford, todos nós nos beneficiamos.

Ana voltou sua atenção para o computador, mas agora com uma sensação ligeiramente diferente. Não estava mais sozinha nessa preparação. Tinha o apoio dos colegas, a confiança de Sterling, e sua própria determinação.

Enquanto continuava lendo sobre os projetos da Blackwood Industries, Ana começou a formar uma imagem mental do homem que conheceria na segunda-feira. Inteligente, exigente, bem-sucedido, e aparentemente muito focado em resultados.

Ela não fazia ideia de que naquele exato momento, no 85º andar do One World Trade Center, Christian Blackwood Ashford estava examinando sua proposta com interesse genuíno, intrigado pela abordagem autêntica e apaixonada que transparecia em seu trabalho.

Ana também não sabia que essa reunião de segunda-feira seria apenas o primeiro passo de uma jornada que mudaria sua vida de formas que ela nunca poderia ter imaginado.

Por enquanto, ela era apenas uma jovem arquiteta determinada, preparando-se para a oportunidade de sua carreira, carregando suas preocupações familiares e sonhando com um futuro mais estável.

---

[ Blackwood Industries, One World Trade Center - Nova York ]

11:30 AM.

Christian estava em sua mesa, revisando contratos para uma aquisição na Europa, quando Margaret bateu levemente na porta do escritório. Ela entrou carregando uma pasta de couro marrom e uma expressão que ele conhecia bem - aquela que indicava que ela havia encontrado informações interessantes.

Margaret: Mr. Blackwood Ashford, consegui as informações adicionais sobre Ana Isis Hayes Foster que você solicitou - disse ela, aproximando-se da mesa.

Christian: O que descobriu? - perguntou, fechando o laptop e dando atenção total à assistente.

Margaret: É uma história interessante - disse ela, abrindo a pasta. - Ela se formou em arquitetura na Columbia com louvor acadêmico. Sua tese foi sobre habitação sustentável em centros urbanos, especificamente sobre como integrar responsabilidade ambiental com necessidades econômicas reais.

Christian: Continue.

Margaret: Ela trabalha no Sterling & Associates há dois anos. Começou como estagiária ainda na faculdade e foi efetivada imediatamente após a formatura. Seu supervisor direto a descreve como 'talentosa, dedicada e com uma ética de trabalho impecável'.

Christian se recostou na cadeira, processando as informações. Era exatamente o perfil que esperava com base na proposta que havia revisado.

Christian: E pessoalmente?

Margaret: Aí é onde a história se torna mais... complexa - Margaret virou algumas páginas em suas anotações. - Ela mora sozinha em um apartamento pequeno no Park Slope, Brooklyn. Filha única. Sua mãe morreu quando ela tinha dezesseis anos.

Christian: E o pai?

Margaret: Robert Hayes Foster. Cinquenta e dois anos, ex-engenheiro civil. Sofreu um acidente de trabalho há três anos e ficou permanentemente incapacitado. Está atualmente internado no Mount Sinai Beth Israel com problemas cardíacos.

Christian franziu o cenho. Estava começando a entender por que uma arquiteta obviamente talentosa estava trabalhando em um escritório menor em vez de uma das grandes firmas.

Christian: Situação financeira?

Margaret: Complicada - disse Margaret diplomaticamente. - Ela tem empréstimos estudantis substanciais, e as despesas médicas do pai são... consideráveis. Meus contatos indicam que ela está lutando para manter tudo em ordem.

Christian permaneceu em silêncio por um momento. Ele havia solicitado a pesquisa por curiosidade profissional, mas agora estava vendo um quadro mais completo de quem era Ana Hayes Foster. Uma jovem lutando para equilibrar ambições profissionais com responsabilidades familiares pesadas.

Christian: Mais alguma coisa relevante?

Margaret: Ela mantém um círculo pequeno de amigos próximos. Sem relacionamentos românticos sérios no momento. Seus vizinhos a descrevem como quieta, educada, e alguém que sempre ajuda quando necessário.

Christian: Obrigado, Margaret. Isso é muito útil.

Margaret: Posso perguntar por que o interesse especial nesta arquiteta em particular? - perguntou ela, fechando a pasta.

Christian: Sua proposta se destacou. Quero entender a pessoa por trás do trabalho antes da reunião de segunda-feira.

Margaret assentiu, acostumada com a tendência de Christian de pesquisar profundamente qualquer pessoa com quem fosse fazer negócios importantes.

Margaret: Mais alguma coisa sobre as outras apresentações?

Christian: Na verdade, sim - disse Christian, voltando sua atenção para o computador. - Cancele três das outras reuniões. Quero focar apenas nas duas propostas mais interessantes.

Margaret: Sterling & Associates e...?

Christian: Hartley & Associates. Eles têm experiência, Sterling tem inovação. Será uma comparação interessante.

Após Margaret sair, Christian se levantou e caminhou até as janelas que dominavam sua parede. A cidade se estendia abaixo dele, um labirinto de concreto e aço que representava oportunidades e desafios infinitos.

Mas sua mente estava focada na jovem arquiteta que conheceria em três dias. Havia algo na combinação de seu talento profissional e sua situação pessoal que despertava sua curiosidade. Ana Hayes Foster não era como as mulheres que geralmente cruzavam seu caminho - não estava interessada em impressioná-lo socialmente, não tinha conexões familiares poderosas, e obviamente tinha motivações reais para trabalhar duro.

O telefone em sua mesa tocou, interrompendo seus pensamentos.

Christian: Christian Blackwood Ashford.

Adrian: Christian? Sou eu. Você tem alguns minutos?

A voz de seu irmão mais novo soava ligeiramente tensa, o que imediatamente colocou Christian em alerta.

Christian: Claro. O que aconteceu?

Adrian: Posso subir? Prefiro conversar pessoalmente.

Christian: Venha.

Cinco minutos depois, Adrian Blackwood Ashford entrou no escritório. Aos 28 anos, ele mantinha o mesmo porte aristocrático da família, mas com um ar mais descontraído que Christian nunca conseguira cultivar. Hoje, porém, parecia preocupado.

Adrian: Precisamos conversar sobre o vovô - disse ele, sentando-se numa das poltronas em frente à mesa de Christian.

Christian: O que ele fez agora?

Adrian: Não é o que ele fez, é o que ele planeja fazer - Adrian se inclinou para frente. - Ele me ligou hoje cedo. Quer que eu ajude a 'encontrar candidatas adequadas' para você.

Christian: E o que você disse?

Adrian: Que você é um adulto e pode encontrar sua própria esposa - Adrian riu sem humor. - Ele não gostou da resposta.

Christian: Adrian, eu aprecio a lealdade, mas não quero que você se indisponha com o vovô por minha causa.

Adrian: Christian, nós dois sabemos que ele está certo sobre uma coisa - disse Adrian seriamente. - A empresa precisa de estabilidade sucessória. Mas também sabemos que você não pode se casar com qualquer pessoa só para satisfazer uma exigência familiar.

Christian: Então o que você sugere?

Adrian: Encontre alguém real - disse Adrian simplesmente. - Alguém que te ame pelo que você é, não pelo que você tem.

Christian: Mais fácil falar que fazer.

Adrian: É? - Adrian se levantou, caminhando até a janela. - Christian, você passa dezesseis horas por dia trabalhando. Como vai conhecer alguém real se nunca sai do escritório ou de eventos empresariais?

Era uma observação justa, e Christian sabia disso.

Christian: E qual é sua sugestão prática?

Adrian: Não sei - admitiu Adrian. - Mas sei que se você se casar apenas para manter o controle da empresa, vai ser infeliz pelo resto da vida. E isso não é justo com você nem com a mulher.

Christian: Seis meses, Adrian. É o tempo que tenho.

Adrian: Então vamos usar esses seis meses sabiamente - disse Adrian, voltando-se para encará-lo. - Conhecer pessoas diferentes, em situações diferentes. Não apenas herdeiras e socialites.

Christian assentiu, mas sua mente estava novamente na arquiteta que conheceria na segunda-feira. Ana Hayes Foster era definitivamente diferente. Real. Com motivações genuínas e problemas autênticos.

Adrian: Você está bem? - perguntou Adrian, notando a expressão pensativa de Christian.

Christian: Sim, só pensando sobre o que você disse.

Adrian: Bom - Adrian se dirigiu à porta. - Christian?

Christian: Sim?

Adrian: Qualquer coisa que decidir, você tem meu apoio. Sempre.

Depois que Adrian saiu, Christian voltou para sua mesa, mas teve dificuldade em se concentrar nos contratos. Sua mente continuava voltando para Ana Hayes Foster - uma mulher que ele ainda não havia conhecido, mas que já havia despertado sua curiosidade profissional e, agora, pessoal.

Havia algo sobre a combinação de talento e vulnerabilidade, ambição e responsabilidade, que o intrigava. Era exatamente o tipo de pessoa "real" que Adrian havia mencionado.

Christian não fazia ideia de que a algumas milhas dali, Ana estava naquele momento caminhando nervosamente pelos corredores de um hospital, preocupada com o pai e tentando não pensar na apresentação que poderia mudar sua vida.

Ele também não sabia que essa reunião de segunda-feira seria o início de algo muito mais complexo e transformador do que uma simples transação empresarial.

Christian Blackwood Ashford estava intrigado por uma arquiteta que parecia oferecer tanto talento profissional quanto autenticidade pessoal - duas qualidades que ele havia começado a perceber serem mais raras do que imaginava.

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