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Capa do romance A Enteada

A Enteada

A mãe de Samara casou com um homem maravilhoso que assumiu suas duas filhas adolescentes de um casamento falido. Da família, ela só conhecia Júnior, o irmão caçula. Quando não se podia mais adiar juntar as famílias, Júnior enfim conhece a caçula de Clara, o patinho feio. Mas enquanto conversa com a menina de 13 anos, percebe o quanto ela é madura e principalmente, que olhos lindos e peculiares! Engatam uma grande amizade e Júnior tenta de todas as formas resistir, mas acabou se apaixonando pela pseudo sobrinha. E Samara, apesar de inocente, madura e focada no futuro, não poupa esforços pra seduzir o "tio". Os dois engatam um romance que dura pouco, mas não conseguem ficar longe. Todo tipo de preconceito permeia a relação dos dois: raça, idade, classe social. Até onde o amor pode superar?
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Capítulo 3

Quando Junior entrou em seu quarto e viu aquela morena sexy deitada de bruços em sua cama, com um short jeans curto, blusa larga com decote canoa tombada no braço mostrando a alça do sutiã e os longos cabelos pretos cacheados caídos nas costas, teve certeza de que se preocupou a toa.

Samara mandou mensagem perto da hora do almoço, e deixou uma ruga em sua testa durante o resto do dia:

"Boa tarde, tio. Hoje vou pra sua casa. Volte cedo e traga chocolate"

"Hummmm. Chocolate? Está menstruada?"

"Não. Apenas quero muito chocolate. Traz vinho também "

"Opa. Chocolate pra te amansar e vinho? Vamos transar a noite inteira então "

"Negativo. Sem sexo. Precisamos conversar"

"Podemos conversar entre uma e outra rs"

"Esquece. Não vamos trepar. Mesmo porque, depois que eu colocar os pingos nos is, você não vai ter disposição"

"Sério? Pingos nos is? Conversa broxante?

"Estou ocupada, tio. Conversamos a noite. beijos"

Junior olhou o celular e viu que ela se despediu friamente e não estava mais on-line. Se preocupou imediatamente.

Samara era do tipo conversadeira, sempre mandava mensagens calorosas, emojis, piadas. Eles tinham muita intimidade, tanto que ela usou com ele a palavra "trepar" que ele sabia que ela jamais falaria assim nem mesmo com seu ex marido.

Algo no tom formal e sério das mensagens dela, o fez pensar que talvez ela colocaria um fim nessa intimidade toda. Depois de quinze anos, de toda a história que tinham juntos, não sabia como impedi- la de fazer isso, por mais que tivesse pensado durante toda a tarde e ficando cada vez mais de mau humor.

Quando encerrou seu expediente, dirigiu apressadamente até em casa. Ao abrir a garagem e ver sua moto estacionada mais a frente, ficou ainda mais apavorado. Isso queria dizer que ela não tinha intenção de passar a noite. Olhou suas vestimentas de segurança para motoqueiros jogadas na bancada da garagem. Por um segundo, se lembrou do quanto ela é cuidadosa: sempre que guarda a moto, pendura seu capacete no gancho, tira a jaqueta e calça de napa preta com faixas refletivas e coloca pendurada num cabide já próprio para isso. Mesmo quando as vezes estão no clima para sexo que ela joga tudo lá, depois da transa ela ajeita tudo enquanto ele vai se lavar.

A visão de tudo jogado o fez correr para dentro de casa, muito assustado. Mas quando a viu, despreocupada com seus fones de ouvido mexendo no celular, suas pernas jogadas para cima e a primeira visão que tinha era do seu traseiro cheio lindamente posicionado, se acalmou automaticamente. Ela não teria coragem de encerrar essa história. Em nenhum outro lugar, com mais ninguém ela encontraria aquela liberdade. E ela sabia disso perfeitamente!

Samara estava deitada de bruços, balançando as pernas, vestida despreocupadamente na cama de Júnior enquanto falava por mensagem com sua melhor amiga, Ana.

Apesar de seus dois filhos e 28 anos, Samara era uma menina linda e com o corpo muito bem estruturado. Se arrumando ou mais à vontade, não parecia ter mais que 18 anos. Com uma cintura fina e ancas avantajadas, pele morena clara e cabelos longos cacheados até a cintura, ela já chamava atenção por onde passava. Mas quando a olhavam e viam seus lindos olhos verdes jade, se encantavam por ela na mesma hora.

Ana mandou um áudio

"Você está aí na cama dele, com essas pernas de fora, e tenho certeza de que está de bunda pra cima. Quando ele chegar e ver essa cena, não vai acreditar que você não vai fazer sexo com ele. Nem eu acredito"

Samara estava respondendo por mensagem de texto, tinha medo de que ele chegasse e ouvisse ela gravando áudio

"Não vou fazer amor com ele, Ana. Já tomei uma decisão"

"Sexo, você nunca fez amor com ele Sammy. Mantenha isso em mente para firmar sua decisão"

"Tá bom Ana, vai cuidar do seu jantar. Diz pro Alysson que quero ser a madrinha quando ele fizer a mesma besteira que vc"

"Eu te odeio, Samara Stongler. Eu não vou ser avó aos 28 anos não sua pateta"

Samara desligou o app rindo. Ana estava preparando um jantar para conhecer a namorada do seu filho de 15 anos.

Ela era madrinha de Alysson e sabia que era um menino bem introvertido e responsável. Mas nunca deixaria de aproveitar qualquer oportunidade de provocar Ana, que foi mãe aos 13 anos.

Entretida com essa lembrança, Samara sentiu uma grande mão acariciando sua bunda. Um arrepio passou por seu corpo, todos seus sentidos ficaram alertas e automaticamente sua intimidade começou a pedir por ele.

Samara se levantou de um salto, sentou tipo índio na cama de frente pra ele, arrancou os fones de ouvido e tentou falar normalmente, antes que sua reação ao toque dele a fizesse desistir de seu propósito

— Oi, tio.

Samara deu um sorriso forçado ao cumprimentar e olhar pra ele, o que o fez explodir

— Tio é o caralho.

Samara sabia o quanto chamá- lo de tio o irritava. E ele sempre soltava essa frase quando ela o fazia. O incômodo era em parte porque, com 12 anos a mais do que Samara, se fossem vistos juntos num relacionamento, logo as más línguas falariam que o tiozão estava com a novinha.

Mas principalmente, porque tecnicamente, ele era sim tio de Samara, e essa relação só não era mais incestuosa porque não tinham relações consanguíneas.

Por um momento, Júnior se lembrou do dia em que a conheceu.

Ele tinha 25 anos, estava num relacionamento aberto com a mãe de seu filho Lucas, que tinha um ano.

Junior era o caçula de 6 irmãos órfãos. Seu pai morreu quando ele tinha 4 anos, sua mãe no ano seguinte. Ele ficou aos cuidados de 4 irmãs e um irmão mais velho, todos adultos quando a mãe morreu. Em consequência disso, sempre foi protegido por todos eles.

Como era o único solteiro, suas irmãs tramaram a gravidez de Paula, para forçá- lo a sossegar e se casar.

Junior adorava o filho, mas não quis se casar de jeito nenhum. Paula até ameaçou fazer um aborto diante da recusa, ao que foi respondido: seu corpo, suas regras. Jamais vou obrigar você a gerar e criar uma criança se não é seu desejo. Mas se você provocou uma gravidez indesejada apenas para me amarrar, prova mais ainda que não é a mulher certa pra mim.

Diante da teimosia de Júnior, suas irmãs aconselharam Paula a manter a gravidez e ser uma boa mãe, assim talvez ele se encantasse pela idéia de formar uma família. E assim nasceu seu maior tesouro.

Naquela noite, Paula não queria ir à festa na casa das irmãs. Disse que não queria compactuar com o que Jones estava fazendo, então decidiu pegar seu filho e ir visitar a mãe.

Junior franziu a testa. Ela não tinha jeito mesmo, tinha um falso ar recatado que não combinava com uma mulher que furou o preservativo para forçar um casamento.

Junior conheceu a nova namorada do irmão logo depois do enterro de sua cunhada. Suas irmãs torciam o nariz para a relação, afinal, Jones era recém viúvo e Clara recém divorciada com duas filhas adolescentes.

Jones não tinha filhos e Clara tinha operado, não poderia lhe dar isso, mas Jones estava a vontade em criar as duas meninas como se fossem suas. O pai assinou o divórcio e se mudou para o exterior. Elas ficariam lançadas ao mundo mesmo, seria bom ter uma figura paterna.

Alice, a mais velha das irmãs, já avó, não aceitava isso e incitava as outras irmãs a não concordarem. E Paula , que fazia tudo para agradar a elas, ia no embalo.

Aquele jantar proposto por eles para conhecerem a família de Clara prometia ser azedo…

Junior conversava com sua irmã Fabíola quando viu primeiro Emília entrando, seguida pela mãe, Jones e viu de relance a outra menina que não conhecia.

Se adiantou, abraçou Emília com carinho. Ele já a conhecia. Dona de uma beleza fora do comum, logo a mãe a inscreveu em agência de modelos e instantaneamente a menina de 15 anos começou a fazer trabalhos.

Depois de cumprimentar a todos, Júnior rapidamente percebeu porque ninguém dava muita atenção a Samara.

A menina de apenas 13 anos era baixinha, no máximo um metro e meio, tinha o corpo cheinho, chegava a ser gordinha, usava óculos e mantinha os olhos baixos, parecia ser muito tímida. Quando lhe foi apresentada, mal conseguiu ouvir sua voz. Usava tranças jogadas para o lado, o que lhe conferia um ar de infantilidade parecendo ser ainda mais nova.

Perto da beleza estonteante de sua irmã alta, magra, de pele levemente mais escura e cabelos lisos, que parecia uma índia e estava sendo lançada ao mundo como modelo e em breve atriz, Samara era um patinho feio.

Ao decorrer da noite, Samara ficou esquecida no canto e Júnior foi tentar amenizar a situação. E quando a menina o encarou, atendendo a seu chamado, Júnior se perdeu por um instante em seu olhar.

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