Capa do romance Meu Odiado Protetor

Meu Odiado Protetor

9.3 / 10.0
Após sobreviver a uma tentativa de assassinato cometida pelo próprio marido, Carla é forçada a aceitar a proteção de um guarda-costas severo. John é um homem reservado, assombrado por traumas de infância que o mantêm distante de qualquer envolvimento feminino. No entanto, o contato com Carla desperta sentimentos inesperados. Ele acredita que sua alma fragmentada apenas destrói o que toca, mas esse encontro pode desafiar suas convicções sobre o amor.

Meu Odiado Protetor Capítulo 1

- Você não pode fazer isso, seu garoto ingrato! - ouvi o grito de Miranda enquanto eu descia as escadas de casa, apressado. - Não pode virar as costas para essa família!

Eu ri, em deboche, ao ouvir as palavras dela. Família... ela não tinha noção do que aquela palavra significava. Nenhum de nós, dentro daquela casa, sabia.

- Família é algo que nunca fomos, Miranda - falei, me virando para encará-la, enquanto ela descia as escadas apressada atrás de mim. - Podemos compartilhar o mesmo sangue, e isso é algo que eu nunca pude escolher. Do contrário, jamais teria nascido!

Coloquei o pé para fora de casa, ansioso para me ver livre daquela megera, longe daquela casa e daquela família amaldiçoada. Mas meus passos vacilaram quando avistei William, recostado contra uma das colunas que ladeavam a entrada de casa.

Os braços cruzados, ombros tensos e o olhar vago... com toda certeza, meu irmão tinha escutado os meus gritos com nossa mãe.

- Então vai mesmo embora, John? - foi tudo o que ele perguntou, e eu agradeci por isso. Não suportaria ouvir, outra vez, seus pedidos para que eu ficasse naquele inferno.

- Sim. E você deveria fazer o mesmo - respondi, sentindo meu peito se apertar ao vê-lo trincar o maxilar. Me aproximei dele. - Will, você poderia fazer tanto longe daqui, longe do nome da nossa família. Deveria ter ido embora há muitos anos, e eu te agradeço por ter ficado por mim. Mas agora não precisa mais, nós dois podemos dar o fora daqui.

Se ao menos eu conseguisse convencê-lo de que não precisávamos do nome ou do dinheiro da nossa família... se eu conseguisse fazê-lo ver que podíamos ser o que quiséssemos, longe dali... ainda ficaríamos juntos. Seríamos nós dois contra tudo, novamente.

- E contar para o mundo o que aconteceu com vocês dois? - a voz dela ressoou às minhas costas, fazendo todo o meu corpo se endurecer, enquanto meu irmão olhava por sobre meu ombro. - Você sempre quis destruir essa família. É isso o que planeja fazer, arrastando seu irmão com você?

- Se eu pudesse, colocaria fogo nessa casa com você dentro dela, apenas para apagar cada uma das minhas lembranças desse lugar. Então, acredite, mamãe, que a última coisa que eu quero é falar de você para alguém - respirei fundo, dando uma última olhada para Will, apenas para ver, em seu olhar, o pedido de desculpas que ele sempre carregava. Como se quisesse me dizer que não poderia ir comigo. - Você tem sorte de William ser tão certinho. Do contrário, estaria debaixo da terra. Adeus, irmão.

Eu o olhei nos olhos por mais um longo segundo antes de me afastar dele e descer os degraus da entrada correndo, sem olhar para aquela mulher novamente.

- Adeus, irmão! - ouvi ele gritar antes que eu apressasse meus passos pelo caminho de cascalho que me levaria para longe daquele lugar.

Assim que me vi fora dos portões da mansão, eu me permiti respirar fundo várias vezes, como se quisesse me livrar do ar tóxico daquela casa.

Eu jamais iria entender por que William não tinha ido embora quando teve a chance, enquanto eu sonhava com o dia em que faria dezoito anos e poderia ir para qualquer lugar do mundo, longe do lugar onde cresci. Mas ele já tinha vinte e um, e mesmo que eu suspeitasse que ele havia ficado por minha causa, hoje ficou provado que não era o caso.

Diferente de mim, Will era o apaziguador. Era calmo e centrado, conseguia ser frio e manipular os próprios sentimentos para agradar as pessoas à sua volta. Já eu não conseguia ser assim. Sentia a necessidade de dizer o que pensava, e um desejo ainda maior por coisas destrutivas.

E foi assim que eu fui direto para o bar do outro lado da cidade. Um bairro onde alguém nascido como eu jamais colocaria os pés, mas que, estranhamente, havia se tornado um refúgio nos últimos meses.

- De novo por aqui, garoto - Jack, o segurança, falou na porta, mas, como todas as outras vezes, não tentou me barrar. - Não vai arrumar confusão e me fazer te levar para o hospital no meio da noite.

Aquela era uma promessa que eu não poderia cumprir. Havia ido até ali justamente para isso. Agora eu finalmente poderia lutar de verdade, e não apenas provocar algum dos caras para arranjar uma briga.

- Hoje vou ter minha primeira luta de verdade, Jack - respondi, recebendo um olhar desconfiado enquanto ele movia a bunda para abrir a porta.

- Que Deus te ajude.

O cheiro de cigarro e cerveja barata invadiu minhas narinas quando entrei no bar escuro, de aparência duvidosa e com pessoas ainda mais duvidosas. Mas ao menos ali ninguém sabia quem eu realmente era. Não havia tratamento diferente por eu ser um Grant. Ninguém sabia das merdas da minha vida e, de bônus, eu podia socar algumas caras e beber sem ser questionado.

- Olha só quem voltou! - Daniel exclamou de trás do balcão quando me viu me aproximar, e foi logo colocando uma cerveja na minha frente. - Não se cansou de apanhar? Porque, se for isso, posso te dar uns socos eu mesmo.

- Me coloque na luta, Daniel - fui direto ao ponto enquanto pegava a cerveja e a levava à boca.

- O que acabou de dizer?

- Você entendeu perfeitamente. Eu quero entrar naquele ringue essa noite. Então coloque meu nome na lista.

Ele semicerrou os olhos, se aproximando de mim como se quisesse ter certeza sobre isso. Mas eu não podia estar mais certo sobre o que queria. Aquele era o meu presente de aniversário. Eu finalmente tinha idade para subir no ringue e brigar com algum dos brutamontes.

- Tem certeza, garoto? Esses homens não estão brincando, e ninguém vai se responsabilizar pelo que acontecer com você quando estiverem lutando - ele tentou me alertar, usando um tom que eu nunca tinha escutado antes.

- Só coloque meu nome. Eu me preocupo com o resto.

Esperei ansioso até que meu nome fosse anunciado e eu entrasse no ringue como o último vencedor. Depois de derrotar três oponentes, era de se esperar que o homem estivesse cansado, mas, a cada vez que seu punho acertava meu rosto, eu sentia todo o meu corpo oscilar para frente e para trás.

Minhas mãos doíam e, apesar da pequena camada de fita enrolada entre meus dedos, já podia ver o sangue marcando. Só não sabia ao certo se era do estrago que eu havia feito em seu rosto ou se era pelos nós dos dedos cortados.

- Reage, garoto! - ouvi Daniel gritar, e me inflamei com o incentivo, indo contra o homem que parecia uma montanha.

Meus punhos o acertaram duas vezes, em um golpe seguido e perfeito. Mas, antes que eu acertasse o terceiro, um soco atingiu minhas costelas esquerdas, me roubando o ar.

Eu tentei acertar novamente, mesmo que meu corpo gritasse para que eu buscasse por ar. Mas meu olho foi golpeado com força, me fazendo ver estrelas e ser jogado contra as cordas.

Uma repetição de golpes foi deferida em minhas costelas, e todos ao meu redor gritaram. Alguns me chamavam, enquanto a maioria ovacionava o homem que estava prestes a derrotar seu quarto oponente da noite.

Senti meu corpo oscilar para frente e para trás quando o homem se afastou. Mas, ao invés de dar a luta por encerrada, eu avancei em sua direção, acertando um soco e levando outro na altura do queixo.

O gosto metálico invadiu minha boca, mas isso não era uma novidade para mim. Não me incomodava mais tanto assim.

- Desiste, garoto - o lutador falou, me olhando tentar acertar um soco nele, quando tudo o que ele precisava fazer era dar um passo para trás.

- Só quando me derrubar, porra! - gritei, avançando e acertando mais duas vezes suas bochechas, de maneira desengonçada, mas conseguindo meu objetivo.

Mas, antes que eu fosse rápido o bastante, um soco acertou meu nariz, me jogando para trás no tatame.

Eu tentei me levantar, me apoiar nas mãos sujas de sangue, mas meu corpo havia desistido de me obedecer e apenas ficou lá, imóvel no chão, enquanto ele comemorava mais uma vitória.

- Você lutou bem, garoto - Daniel disse, tentando animar meu espírito, enquanto eu limpava o sangue do meu rosto com um pedaço de pano que ele havia atirado para mim. - Quem sabe na próxima.

A verdade é que, mesmo tendo perdido, eu estava feliz por ter finalmente lutado naquele ringue. Me bastava saber que havia conseguido acertar vários golpes sem ninguém entrando e tentando me impedir.

- Seria mais vantajoso que não tivesse uma próxima vez - um homem tatuado, com cabelos pretos e uma regata ridícula, se sentou ao meu lado, me analisando de cima a baixo. - Você tem potencial.

- Obrigado - resmunguei, tentando decifrar o que diabos ele queria comigo. Naquele lugar não costumava ter pervertidos, mas eu também nunca tinha visto aquele cara.

- Mas é um desperdício vir aqui só para descarregar a raiva - ele bateu na mesa, e Daniel colocou duas cervejas na nossa frente. - Por que não se junta à Cerberus?

- Escuta, cara, não estou a fim de entrar pra nenhuma porra de seita.

- Que bom, porque isso não é uma seita e sim uma empresa de segurança - o homem explicou, empurrando um cartãozinho contra a cerveja. - Suas habilidades e, especialmente, sua raiva podem ser usadas de forma útil. E você ainda vai ganhar dinheiro.

Eu peguei o cartãozinho preto com a palavra Cerberus escrita de branco, enquanto, em vermelho, estava o desenho em relevo de um cão com três cabeças - o famoso cão que cuidava dos portões do inferno.

Olhei de volta para o homem, o analisando. Ele era intimidante, mas seu olhar e sorriso não o deixavam assim - apenas o corpo grande e tatuado. A última coisa que queria era me envolver com pessoas malucas, mas eu precisava de um emprego, e talvez, nesse lugar, eu aprenderia a usar armas e a lutar como queria.

- Por que eu entraria para sua empresa esquisita?

- John Grant - meu corpo todo entrou em alerta e meu coração disparou quando ouvi meu nome completo. - Um riquinho mimado, filho de uma senadora famosa, herdeiro de uma quarta geração. O único motivo para um garoto como você se enfiar em um bar de malucos e bárbaros toda semana, me diz que sua vida é um verdadeiro inferno, e você quer apenas fugir da sua realidade.

Engoli em seco, vendo que o homem havia acabado de descrever perfeitamente quem eu era e o que acontecia comigo.

- Como sabe tudo isso sobre mim? E como estava me vigiando todo esse tempo sem que eu ao menos te visse?

- Você vai aprender isso e muito mais na Cerberus. Como nocautear seus oponentes, por exemplo - ele falou e estendeu a mão na minha direção. Encarei a palma estendida entre nossos corpos.

Aquilo era uma proposta boa para quem não tinha mais nada na vida além da dor.

- Com uma condição: nunca mais me chame de Grant - respondi, vendo sua sobrancelha esquerda se erguer. - De agora em diante, meu nome é John Reynolds.

O homem apertou minha mão e sorriu largo, quase como se soubesse de algo que eu ainda não tinha ideia. Então voltou a empurrar a cerveja para mim.

- Bem-vindo, Reynolds. Eu sou Cris Miller, seu mentor.

Continue Lendo

Meu Odiado Protetor de Conteúdos

Ch. 1 Ch. 2 Ch. 3
Ch. 4
Ch. 5
Ch. 6
Ch. 7
Ch. 8
Ch. 9
Ch. 10
Ch. 11
all

Você pode gostar

Romances Recém-Lançados

Capa do romance A Redenção de Orium
8.9
Em Oníria, a força é a lei suprema. Orium, um Alfa poderoso e escolhido de Hécate, ama Lídia, mas o destino intervém quando ele encontra Odessa, sua verdadeira alma gêmea. Guerreira indomável do norte, Odessa chega ao Clã da Lua de Sangue para reivindicar seu lugar de direito. Enquanto Orium luta entre o dever sagrado e seu antigo amor, Odessa está determinada a provar sua força e conquistar o coração de seu parceiro, assumindo seu posto como a legítima Luna.
Capa do romance Contrato de Amor: Se Eu Tivesse Seu Amor
8.9
Melissa aceitou um casamento por contrato com Charles para evitar a ruína financeira da empresa de seu pai. No entanto, a união trouxe apenas desprezo e rivais cruéis. Em meio à dor, o afeto dele tornou-se sua única salvação, envolvendo-a em beijos e carinhos que pareciam um sonho perfeito. Ela deseja que essa felicidade dure para sempre, mas o destino reserva reviravoltas inesperadas. Será que esse amor resistirá aos desafios que ainda estão por vir?
Capa do romance DECLÍNIO
8.3
Raul, o duque da aviação, aceita uma última missão sobre o Mediterrâneo antes de seu casamento. O que seria um voo simples torna-se um desastre devido a tempestades e à imperícia do copiloto. No avião está Maria Luíza, uma jovem obstinada em busca de seus sonhos. Após a queda, ambos lutam pela sobrevivência em uma ilha deserta. Isolados, a paixão desafia a lógica, mas a descoberta da identidade da noiva de Raul coloca tudo em risco.
Capa do romance O Jardim e o Girassol
8.6
Lucas, um gênio da engenharia, decide abandonar a faculdade para apoiar Sofia, uma caloura que domina sua atenção. Namorada dedicada, a protagonista é descartada e chamada de âncora por ele. Após ser trocada pelo novo girassol de Lucas, ela sofre um acidente e conhece Pedro, um estranho que demonstra cuidado real. Ao ver a traição pública nas redes sociais, ela decide transformar sua dor em determinação. O jogo mudou e ela não será mais humilhada.
Capa do romance O Retorno Do Amor Traído
7.9
João desperta no dia de sua morte, voltando ao momento em que foi traído por sua namorada Luana e seu amigo Pedro. Na vida passada, eles o mataram para roubar o código de seu jogo após um golpe financeiro de Ricardo. Agora, os traidores tentam incriminá-lo, pintando-o como um criminoso mentalmente instável diante da polícia. Preso e agredido, João guarda um trunfo: uma gravação oculta que prova a farsa. Ele não será a vítima novamente e busca justiça.
Capa do romance Prenda-me!
8.1
Ana Paula vive cercada de luxo e noiva de Luís Felipe, um magnata bilionário que a trata como princesa. Aos 17 anos, ela esconde o sonho de ser bailarina profissional, algo que seu pai proíbe. Ao descobrir que o pai é um corrupto que trai sua mãe e planeja um golpe contra Luís, Ana decide se vingar. Determinada a vencer na dança sem apoio, ela foge da proteção da família. Contudo, o mundo real é cruel, e sua busca por liberdade a prende em uma teia fatal.
Capítulos
Leia agora
Compartilhar