
A Drenagem de um Casamento
Capítulo 2
A notificação do banco brilhou na tela do meu celular, e eu soube, mesmo antes de abrir, o que encontraria.
"Transferência de R$ 20.000,00 para Pedro Costa."
Pedro Costa, meu cunhado.
Esta era a terceira vez. A terceira vez que minha esposa, Juliana Costa, pegava uma quantia significativa de nossa conta conjunta sem sequer me consultar.
Eu não senti raiva. Não mais. Senti um cansaço profundo, aquele que se instala nos ossos e sussurra que a luta acabou.
Eu olhei ao redor do nosso apartamento. Os móveis caros, a vista para o parque, a vida que eu construí com anos de trabalho duro, de noites mal dormidas e reuniões estressantes. Tudo para quê? Para sustentar um parasita que via em mim, e em sua irmã, um caixa eletrônico inesgotável.
A primeira vez foram R$ 10.000,00 para "consertar o carro" . Descobri depois que o carro foi vendido e o dinheiro usado numa viagem para a praia.
A segunda vez foram R$ 15.000,00 para uma "emergência médica" da mãe dela. A emergência era uma cirurgia plástica.
Cada vez, Juliana chorava, pedia desculpas, jurava que seria a última. E eu, idiota, acreditava. Ou fingia acreditar, porque o pensamento de destruir nossa família era mais assustador do que o rombo na conta bancária.
Mas a negligência dela não era apenas financeira. Era com nossa filha, Sofia. Sempre em segundo plano, sempre menos importante que o irmão, que os sobrinhos, que a família dela.
Essa transferência de R$ 20.000,00 não era só dinheiro. Era a gota d'água. Era a confirmação de que, para Juliana, eu e Sofia éramos apenas os provedores do estilo de vida dela e de sua família.
Peguei o telefone. Disquei o número do meu chefe, um homem que me respeitava, que valorizava meu trabalho na empresa de tecnologia onde eu era um executivo de alto escalão.
"Carlos, sou eu, Bruno."
"Bruno! Tudo bem? Preparado para a reunião de amanhã?"
Eu respirei fundo.
"Carlos, eu estou me demitindo."
Houve um silêncio do outro lado da linha.
"O quê? Bruno, isso é alguma brincadeira? A concorrência te fez uma proposta?"
"Não. Eu só... cansei. Não quero mais. A partir de hoje, sou um homem desempregado."
Desliguei antes que ele pudesse argumentar. Senti um peso enorme sair dos meus ombros.
Abri meu notebook, ignorei os e-mails de trabalho e iniciei meu videogame favorito. O som da batalha digital preencheu o silêncio do apartamento.
Por anos, eu joguei o jogo da vida corporativa, o jogo do marido perfeito, do genro generoso. Agora, eu ia jogar um jogo diferente. Um jogo onde eu definiria as regras.
Quando Juliana chegou em casa, me encontrou no sofá, controle na mão, olhos fixos na tela.
Ela franziu a testa, olhando para o relógio. Eram seis da tarde. Eu nunca estava em casa a essa hora.
"Bruno? Aconteceu alguma coisa? Por que está em casa?"
Eu pausei o jogo e olhei para ela. Pela primeira vez em muito tempo, eu não senti a necessidade de sorrir, de agradar.
"Eu me demiti."
A sacola de compras que ela segurava caiu no chão, espalhando laranjas pelo piso de madeira. Seus olhos se arregalaram.
"Você... o quê? Você ficou louco?"
"Não. Pela primeira vez em anos, acho que estou perfeitamente são."
Ela não entendeu. Não ainda. Mas ela iria entender. Ah, se ia.
Você pode gostar





